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Taekwondo

 

Maria Clara Pacheco arriscou tudo, treinou em igreja e fez história



Maria Clara Pacheco supera dificuldades na mudança de equipe para liderar o ranking até 57kg e conquistar o título mundial



Maria Clara Pacheco arriscou alto e treinou em igrejas para chegar ao topo do mundo
Foto: Paulo Mumia/COB

O sucesso de Maria Clara Pacheco na temporada de 2025 não veio de forma tão natural quanto se imagina. Além das dificuldades na vida pessoal, como os problemas de saúde da mãe, a campeã mundial de taekwondo enfrentou diversos obstáculos na carreira, arriscando alto para se firmar como um dos principais nomes da modalidade.

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Aposta alta

Até os Jogos Olímpicos de Paris 2024, Maria Clara treinava na Two Brothers Team, comandada pelos irmãos Clayton e Reginaldo Santos. A equipe é destaque no cenário nacional do taekwondo e abriga grandes nomes da seleção brasileira. Além de Maria Clara, os medalhistas mundiais Ícaro Miguel, Caroline Santos e Milena Titoneli já passaram pelo projeto. Por isso, uma mudança como essa poderia colocar em risco sua carreira.

“Nos Jogos Olímpicos, saíram matérias dizendo que eu era uma zebra, uma atleta revelação, que tinha um potencial, mas ninguém botava fé. Eu queria sair disso, queria me tornar a atleta que todo mundo espera o ouro. Aí meu treinador, José Carlos Oliveira, assumiu um BO [problema, desafio, dificuldade] imenso, porque ele assumiu uma equipe inteira do zero”, contou Maria Clara. Na noite da última quinta-feira (11), ela foi eleita a melhor atleta do ano no Prêmio Brasil Olímpico, organizado pelo COB.

De início, a mudança drástica trouxe dificuldades. Maria Clara e José Carlos, que também é seu namorado, fundaram o Team One em São Caetano do Sul (SP) e levaram outros colegas com eles. Nos primeiros passos, a equipe não tinha local fixo para treinar e chegou a realizar atividades em igrejas antes de conseguir apoio da Confederação Brasileira de Taekwondo (CBTKD) e do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

“Foi uma equipe que se escolheu. Escolheu passar pelo que passou. A gente escolheu lutar por essas batalhas para poder formar essa equipe do zero. Cada atleta que está aqui passou por poucas e boas. A gente treinou na igreja, passamos por muitas dificuldades de estrutura até conseguir o apoio da Confederação Brasileira e do Comitê Olímpico. Eles resolveram para a gente e nos ajudaram a ter um suporte”, disse Maria Clara.

Colhendo frutos

Apesar de tudo isso, os resultados não demoraram a aparecer. Com apenas alguns meses de trabalho, Maria Clara Pacheco assumiu a liderança do ranking até 57 kg com uma temporada invicta até a conquista histórica no Campeonato Mundial.

“Ele virou treinador no último ano e, em um ano, ele fez isso”, destacou Maria Clara. Ela também lembrou de sua campanha no Grand Prix de Charlotte, realizado no início do ano. Para conquistar o ouro na etapa norte-americana do circuito mundial, a paulista derrotou a chinesa Luo Zongshi, uma das principais atletas da categoria e campeã mundial em 2022.

“Eu comecei a trabalhar com ele no final do ano passado e, com poucos meses de trabalho, ele fez com que eu ganhasse dela no Mundial de GP de Charlotte. Apenas com mudanças e estratégia, com treinamento bem feito”, completou. Zongshi havia sido algoz da brasileira nas quartas de final dos Jogos de Paris 2024, quando era líder do ranking mundial.

Jornalista recifense formado na Faculdade Boa Viagem apaixonado por futebol e grandes histórias. Trabalhando no movimento olímpico e paralímpico desde 2022.

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