Siga o OTD

Surfe

 

WSL: Espanhola derruba campeãs mundiais em Saquarema e busca primeira final



Nadia Erostarbe venceu Molly Picklum e Caitlin Simmers, ganhou confiança nas ondas de Saquarema e projetou semifinal contra Tya Zebrowski.



Nadia Erostabe na etapa de Saquarema da WSL (Foto: Thiago Diz/WSL)
Nadia Erostabe na etapa de Saquarema da WSL (Foto: Thiago Diz/WSL)

SAQUAREMA (RJ) – Nadia Erostarbe estava muito feliz nas duas vezes que passou pela zona mista neste sábado, dia 20 de junho, após suas vitórias pelas quartas de final e pela semifinal na etapa da WSL de Saquarema. Afinal, a espanhola superou as duas últimas campeãs mundiais em sequência para garantir sua segunda final na elite da Liga Mundial de Surfe (WSL). Primeiro, uma vitória sobre a atual campeã mundial Molly Picklum, da Austrália, e depois Caitlin Simmers, campeã mundial de 2024. Com o resultado, ela avançou à semifinal e manteve vivo o sonho de disputar a decisão na Praia de Itaúna.

A sequência deu ainda mais confiança para Nadia, que busca sua primeira final na temporada. 14ª colocada no ranking mundial, Nadia já garantiu ao menos o top 10. Se vencer a semifinal terminará em nono colocado, mas se perder fica em 10º antes da pausa de um mês até as etapas no Taiti e no Fiji.

Depois da vitória sobre Molly Picklum, no primeiro confronto entre as duas no circuito, a espanhola de 26 anos destacou a importância de ter administrado melhor a bateria no aspecto estratégico.

“Estava muito feliz. No fim, nós surfamos muito bem. É claro que ela foi campeã mundial no ano passado e que seria muito difícil ganhar. Eu sabia que era mais do que capaz de conseguir a última pontuação que precisava, mas, estrategicamente, fiz melhor a bateria e saiu para mim desta vez”, disse Nadia na zona mista.

Após derrotar Molly Picklum, Nadia Erostarbe empata confronto direto contra Caitlin Simmers

Na sequência, a espanhola voltou ao mar para enfrentar Caitlin Simmers. Mesmo com boas notas, ela admitiu que não ficou tranquila em nenhum momento da bateria. Para Nadia, a norte-americana tinha capacidade de virar a disputa até os últimos segundos. Na bateria anterior entre elas, a experiente atleta venceu em Bells Beach.

“Foi uma batalha bonita para mim contra a Caitlin. Eu sabia que seria difícil. Ela foi campeã mundial, uma das melhores surfistas. Mesmo tendo um 8.33 e um 7.50, eu sabia que a qualquer momento ela poderia fazer um 9. Eu não estava tranquila até a buzina tocar. Então estou feliz com o resultado”, acrescentou Nadia Erostarbe

Mudança de estratégia em Saquarema

Nadia também explicou que precisou se adaptar às condições do mar em Itaúna para vencer Molly Picklum. Segundo ela, as ondas estavam boas, mas o mar perdeu energia em relação ao dia anterior. Com menos oportunidades, a espanhola teve que ajustar o plano dentro da bateria.

“As ondas estão muito boas hoje. O mar está um pouco menor do que ontem. É verdade que há menos ondas com o passar do dia. Então tive que mudar meus planos um pouco. Mas Saquarema é um lugar de que eu sempre gosto. Venho todos os anos e é um lugar incrível”, comentou.

Nadia Erostarbe precisou confiar mais em seu frontside para avançar

A classificação também teve um componente técnico importante. Nadia explicou que costuma se sentir mais confortável surfando de backside, fundamento que considera um dos pontos fortes de seu repertório. Por isso, admitiu que chegou ao Brasil um pouco mais nervosa ao perceber que encontraria muitas esquerdas em Saquarema, exigindo mais de seu frontside.

“Em Gold Coast, fiquei muito feliz com meu backside. Todo mundo diz que meu forte é meu backside, e eu também sei disso. Sou muito mais constante com meu backside, e é mais fácil para mim fazer isso do que aéreos”, afirmou a atleta nascida em Zarautz, pequena cidade com cerca de 23 mil habitantes no País Basco.

No início da etapa brasileira, a atleta do País Basco demorou para se acostumar com as ondas de Saquarema. Nadia reconheceu que não conseguiu notas tão altas nas duas primeiras baterias. Na rodada de estreia, uma vitória contra a portuguesa Yolanda Hopkins (10.83 a 9.10) e depois contra a australiana Molly Picklum (8.40 a 7.67), antes de finalmente uma vitória sobre Caitlin Simmers (15.83 a 12.23).

“Para vir a este campeonato e ver que só havia esquerdas, eu estava um pouco mais nervosa no começo, porque não tenho tanta confiança com meu frontside. Nas duas primeiras baterias, eu não tive pontuações muito altas. Mas senti que, nas quartas, já consegui ficar mais tranquila, mostrar meu surfe de frontside e saber o que posso fazer. Isso me tranquiliza para a próxima rodada”, completou.

+ Americana vibra com vitória sobre Luana em Saquarema e mira sonho olímpico

Duelo contra Tya Zebrowski por vaga na final

Na semifinal, Nadia Erostarbe terá pela frente Tya Zebrowski, jovem francesa de 15 anos que também vive grande campanha em Saquarema. A espanhola afirmou que pretende manter o foco no próprio surfe, embora reconheça que cada adversária exige ajustes de estratégia.

“Eu só vou tentar focar mais em mim, não em quem eu tenho pela frente. É claro que, dependendo de quem você enfrenta, tem que mudar um pouco a estratégia. Mas a Tya é uma surfista muito boa. Eu sei que ela pode fazer pontuações muito boas. Vai ser uma boa batalha”, projetou.

O confronto também tem um peso simbólico para Nadia. A espanhola lembrou que já disputou uma outra semifinal nesta temporada, na etapa de Gold Coast, quando levou a virada de Stephanie Gilmore. Agora, ela vê Saquarema como uma nova chance de chegar mais longe. Do outro lado, Tya Zebrowski, em sua temporada de estreia, também busca uma final inédita. 

“Vai ser uma batalha muito bonita. Nós duas estamos bem animadas pela bateria, estou ansiosa por isso. Eu já fiz algumas semifinais e agora quero muito chegar à final, para tirar o gosto amargo do que aconteceu em Snapper. Estou com vontade de poder chegar lá na final”, disse a atleta basca.

Até lá, Nadia ainda espera a definição da próxima chamada da WSL. A organização decretou dia off neste domingo, com a próxima chamada marcada para esta segunda. Ela disse que pretende aproveitar a praia, o que foi difícil neste domingo nublado em Saquarema, e também, se possível, visitar o Rio de Janeiro. “Vai depender um pouco do tempo. Se o tempo estiver bom, vamos passar dias aqui na praia, que é um lugar incrível. Se não, talvez eu visite o Rio. Vamos esperar para ver quando vai ser a próxima chamada”, concluiu.

Interessado em cinema, esporte, estudos queer e viagens. Se juntar tudo isso melhor ainda. Mestrando em Estudos Olímpicos na IOA. Estive em Tóquio 2020.

Mais em Surfe