Do interior da Bahia às ondas de Mar del Plata, Carlos Bahia percorreu um caminho improvável até chegar aos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026. Pentacampeão brasileiro e medalhista internacional, o atleta cresceu em uma fazenda no sul da Bahia, longe do mar e com outro sonho para o futuro: ser cowboy e competir em Barretos, o maior festival de rodeio e música sertaneja da América Latina.
O caminho começou a mudar aos 13 anos. Nascido em Ibicaraí, Bahia, se mudou com a família para Maresias, no litoral de São Paulo, quando sua mãe conseguiu um emprego como diarista. Ao lado do pai, teve seu primeiro contato com a praia e começou a participar de uma escolinha de surfe. O que era apenas uma novidade rapidamente virou paixão.
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Sonho adiado e nova descoberta
“O meu sonho era chegar em Barretos um dia. Meu sonho era ser um cowboy, montar a cavalo, porque a gente morava em fazenda. Aí, de repente, comecei a participar de uma escolinha de surfe e me apaixonei”, relembrou Carlos Bahia.
A adaptação foi rápida. Primeiro veio o bodyboard, depois a pranchinha e, por sugestão de um amigo, o longboard. Foi também nessa época que surgiu o apelido pelo qual passaria a ser conhecido no esporte.
“Um amigo chegou um dia e falou: ‘Baiano, por que você não surfa com longboard?’. E aí começou aquele ‘Baiano’ para cá, ‘Baiano’ para lá, até que veio o Carlos Bahia”, contou.
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Primeiro contato com o circuito internacional
Aos 17 anos, Bahia teve o primeiro grande contato com o circuito internacional na etapa do Mundial de Longboard realizada em Maresias em 2000. Na mesma competição em que acompanhou de perto nomes como o havaiano Bonga Perkins e o brasileiro Picuruta Salazar, uma das maiores referências da modalidade no país e seu ídolo, ele também entrou na água: com a ajuda de um amigo, que pagou sua inscrição, fez sua estreia no circuito profissional.
O episódio acabaria tendo um papel simbólico em sua trajetória. Depois de perder sua bateria, Bahia estava na areia quando recebeu a prancha de Picuruta, que também havia acabado de ser eliminado.
Após o episódio da “consagração”, Bahia entrou no circuito mundial em 2004 e, desde então, vieram os títulos brasileiros, que já somam cinco, e uma carreira que atravessou diferentes gerações do longboard. Bahia chegou ao terceiro lugar mundial e conquistou medalhas internacionais, incluindo a prata no Mundial ISA e o bronze nos Jogos Pan-Americanos de Santiago, ambos em 2023.
Experiência nos Jogos Sul-Americanos
Agora, nos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, Bahia é o atleta mais experiente da delegação brasileira e também do longboard. Mas estar alguns passos à frente no relógio nunca foi exatamente uma novidade em sua trajetória. Ele próprio reconhece que fez “tudo depois de todos”: conheceu o mar aos 13 anos, começou a competir tendo como referência atletas que já acumulavam décadas no esporte e construiu uma carreira em seu próprio tempo. Hoje, a diferença é que os papéis se inverteram: é Bahia quem divide as baterias com uma geração mais jovem.
“Eu fiz tudo depois. Quando comecei a competir, o Picuruta, meu ídolo, já tinha quase 40 anos. Eu achei que não daria tempo. Hoje eu sou o mais velho. Ser mais experiente é bom, mas eu sempre falo que não pode ‘baixar a bola’, porque os novatos vêm e eles também têm mais resistência”, contou o surfista.
A convivência com os atletas mais jovens também ajuda a explicar por que Bahia continua competindo. Se a experiência acumulada ao longo dos anos pesa a seu favor, a chegada de novas gerações mantém aceso o desafio de seguir competitivo: “O espírito de competição ainda está aí. Eu acredito que dá para ir muito ainda e mostrar bastante”, revela Carlos Bahia.
Aos 43 anos, em uma competição que reúne atletas de diferentes gerações, o objetivo continua sendo o mesmo de quem descobriu o surfe ainda adolescente: competir.
“Se eu ficar em casa, eu acho até que vou ficar doente, de ver as competições pelas telinhas sabendo que tenho capacidade de chegar longe, de levar mais e mais medalhas para casa”, completou, rindo, o surfista.
*Com informações do Comitê Olímpico Brasileiro (COB)



