Gabriel Gouveia já tem uma medalha de ouro no peito em sua primeira missão pelo Time Brasil. Depois de zerar os dois percursos desta quinta-feira (24) e ajudar o país a vencer a disputa por equipes no hipismo saltos dos Jogos Sul-Americanos de Santa Fé-2026, ele chega à final individual de sábado (26) na liderança. Ao Olimpíada Todo Dia, o cavaleiro celebrou a estreia pela seleção, mas evitou antecipar o resultado da próxima prova.
“Essa é a minha primeira missão pelo Time Brasil, então estou muito feliz em ter conseguido esses resultados e contribuído para essa medalha de ouro”, disse. Gabriel considera a conquista a medalha mais importante de sua vida. “Essa primeira vez representando o Brasil é uma sensação indescritível. A gente trabalhou muito para chegar até aqui, então é a realização de um sonho.”
O brasileiro havia terminado a competição de quarta-feira em décimo lugar. Na quinta, passou sem faltas pelas duas rodadas com Ratzinger Jmen. Assumiu a liderança individual na primeira e a manteve na segunda. Seus percursos também foram fundamentais para a vantagem que garantiu o ouro por equipes, mesmo depois de três cavaleiros argentinos zerarem a volta final. O Brasil venceu com 17,74 pontos de penalidade, contra 22,10 da Argentina.
Uma liderança a defender
Gabriel soma 2,90 pontos de penalidade antes da final. A boliviana Karen Boos Pegler aparece em segundo lugar, com 5,31, seguida pelo também brasileiro José Roberto Reynoso, com 8,00. A diferença para Karen é de 2,41 pontos: se ela zerar e Gabriel receber uma penalidade de quatro pontos, a boliviana poderá ultrapassá-lo. As medalhas serão decididas em duas rodadas no sábado.
O líder sabe que a exigência vai aumentar. “São dois percursos mais altos e mais difíceis”, afirmou. Sobre a responsabilidade de entrar na decisão em primeiro, respondeu: “É ir um por um, salto por salto e fazer o nosso melhor.”
Gabriel também vê uma característica de Ratzinger Jmen como aliada para uma prova em duas passagens. Segundo ele, o cavalo tem muita energia e costuma render melhor depois do primeiro percurso. “A segunda volta para ele é sempre melhor, porque ele já passou a primeira vez, ele já tirou a ansiedade dele”, explicou.
O caminho até o Time Brasil
Gabriel nasceu em Belo Horizonte, cresceu em Brasília e aprendeu a montar na capital federal. Mudou-se depois para São Paulo para se profissionalizar. Há quatro anos, voltou a Belo Horizonte para trabalhar no projeto da hípica Cheval. Desde então, compete pelo circuito nacional, em uma rotina de viagens que o levou à primeira convocação para representar o país.
A experiência em Santa Fé também aproxima um sonho mais distante: disputar os Jogos Olímpicos. Gabriel disse que conversará com o chefe de equipe após a competição para avaliar os próximos passos, inclusive a possibilidade de competir no exterior. Por enquanto, mantém a atenção no que está à sua frente: “Vamos obstáculo por obstáculo, situação por situação e deixar sábado resolver.”