No esporte de alto rendimento, a linha entre amizade e rivalidade costuma ser tênue. Na manhã desta quarta-feira, dia 23, ela foi medida em apenas 0.02 segundo. Na prova de contrarrelógio do caiaque cross KX1 dos Jogos Sul-americanos Santa Fé 2026, o chileno Jesús Martínez conquistou o ouro com o tempo de 36.80s, seguido pelo brasileiro Murillo Sorgetz, prata com 36.82s.
Mas o resultado tem um significado especial que vai além das medalhas. Há cerca de um ano, Martínez passou a integrar a rotina de treinamentos em Três Coroas (RS), um dos principais polos da canoagem slalom no continente. Ao lado dos compatriotas Andraz Echeverria e Geral Soto, o chileno divide águas, sessões de treino e amizade com Murillo e Guilherme Mapelli, criando um ambiente de alto nível que tem impulsionado os atletas dos dois países.
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“A gente tem um grupo muito forte de treino, que faz um puxar o outro. Qualquer coisinha que um faz errado, o outro consegue aproveitar. Isso eleva muito o nível de todo mundo”, explicou Murillo.
Equilíbrio dos companheiros e prata para Murillo Sorgetz
O equilíbrio entre os companheiros de treino ficou evidente no resultado. Apenas cinco centésimos separaram Martínez, Murillo e Guilherme Mapelli, com a disputa pelo ouro decidida por somente dois centésimos. Mapelli fez o tempo de 36.85, mas acabou na sexta colocação geral pela regra do campeonato que prioriza a diversificação de países na classificação final.
“É diferente acabar uma prova por 0.02 com um parceiro de treino. A gente já tinha conversado que seria decidido nos detalhes. O que errasse menos ia ganhar”, afirmou o brasileiro.
A disputa ganhou contornos ainda mais curiosos por ter acontecido em águas calmas, uma condição diferente daquela enfrentada diariamente pelos canoístas gaúchos.
“Água parada para nós sempre é difícil. A gente treina praticamente todo dia na corredeira. Por isso fizemos uma preparação específica, com quase três meses treinando só em água parada para esta competição”, contou Murillo.
Amizade e medalha no detalhe
Para Jesús Martínez, o resultado confirmou algo que os atletas já previam antes mesmo da largada.
“A gente já tinha falado que a diferença seria muito pequena, talvez menos de meio segundo. Mas foi mais apertada ainda, impressionante”, disse o chileno.
Mais do que adversários ocasionais, os atletas construíram uma relação próxima fora das competições. Martínez mora no Brasil há cerca de um ano e destaca a adaptação à nova rotina em Três Coroas.
“Eu treino com o Gui e com o Murilo praticamente todos os dias. A gente é amigo, se ajuda muito. O clube virou uma casa para mim. O Brasil é um país muito importante e muito especial. As pessoas me receberam muito bem e eu sou muito feliz lá”, afirmou.
O carinho é recíproco. Mesmo derrotado por uma diferença mínima, Murillo reconheceu a força do amigo e parceiro de treinos. Se para o brasileiro a prata veio acompanhada da frustração natural de quem esteve tão perto do ouro, a convivência diária torna o resultado mais fácil de compreender. Afinal, ambos sabem que o desempenho apresentado em Santa Fé é fruto do trabalho construído em conjunto ao longo de meses.
Mapelli também destacou o papel desse grupo multinacional na evolução técnica dos atletas.
“Nossa preparação foi muito forte. Eu, o Murilo e os chilenos treinamos juntos o tempo inteiro. Claro que eu queria vencer, mas fico feliz pelos meus companheiros de equipe e de treino. Esse equilíbrio mostra a qualidade do trabalho que estamos fazendo”, disse.
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*Com informações do Comitê Olímpico do Brasil (COB)



