Os Jogos Sul-americanos são uma oportunidade perfeita para que atletas de diferentes esportes e diferentes gerações consigam trocar figurinhas. Para os jovens atletas que estão em Santa Fé 2026, a presença de uma campeã mundial como Etiene Medeiros é uma grande inspiração. Este domingo (13), marcou o retorno dela à internacional da natação. E veio em grande forma: medalha de ouro nos 50m costas, e um primeiro passo muito bem dado rumo aos Jogos Olímpicos Los Angeles 2028.
Apesar de Etiene nunca ter se aposentado oficialmente ou parado de nadar, a recifense já não participava mais dos torneios de elite da natação nos últimos anos. Durante este período fora das competições, se tornou mãe do pequeno Kaleu e parecia começar uma vida fora das piscinas. Porém, a inclusão das provas de 50m costas no programa olímpico mexeu com a atleta, que resolveu buscar uma terceira participação nos Jogos Olímpicos. Campeã mundial da prova em 2017, e vice em 2015 e 2019, ela mostrou que não perdeu a boa forma.
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Retorno triunfal e recorde
Em sua primeira prova internacional desde maio de 2025, ela conquistou a medalha de ouro e ainda pode celebrar junto da torcida argentina que lotou o Centro Aquático Provincial Invencible e Rosário nesta primeira noite de finais. Na prova dos 50m costas, Etiene venceu com 28s38, empatada com a argentina Cecilia Dieleke. A marca é novo recorde dos Jogos Sul-americanos, superando os 28s50 de Fabiola Molina, em Medellín 2010. A argentina Andrea Berrino ficou com o bronze (28s67), enquanto Fernanda de Goeij terminou em quinto lugar, com 29s06.
Aos 35 anos, ela teve a companhia, no lugar mais alto do pódio, de uma argentina com apenas 16. Cecilia Dieleke ainda nem era nascida quando Etiene fez sua estreia em campeonatos mundiais, Roma 2009, onde justamente competiu nos 50m costas. Após a prova, Etiene salientou essa diferença de gerações no pódio.
“Estar de volta à seleção é muito especial. Minha última missão pelo Time Brasil foi em Tóquio, então faz tempo. É um sentimento muito diferente estar competindo ao lado dos nossos amigos sul-americanos. Eu tenho uma excelente companheira, que é a Fernanda Goeij; a Andrea Berrino tem bastante trajetória comigo, durante a minha história nos 100m e 50m costas. E agora a gente viu uma argentina pequenininha, ali nadando do meu lado, mas a gente bateu junto, medalha de ouro para o Brasil. Acho que isso faz a gente acreditar em LA 28, então para mim é muito gratificante estar aqui novamente”.
Carreira de impacto de Etiene
A pernambucana conquistou sua primeira medalha individual nos Jogos Sul-americanos. Em Santiago 2014, ela foi prata nos 100m costas, bronze nos 100m borboleta e ouro nos 4x100m medley feminino. Finalista em sua estreia olímpica na Rio 2016, nos 50m livre, ela sabe que o caminho para Los Angeles 2028 não é fácil. Afinal, ela precisa ficar entre as seis melhores em uma etapa da Copa do Mundo no ano que vem para conquistar a vaga direta pra os 50m costas. Se a tarefa é árdua, ela mostrou que está pronta para o desafio.
Agora, ela tem mais um elemento motivador neste novo ciclo olímpico. Kaleu, seu filho de um ano. A família, que esteve presente no Troféu Maria Lenk e José Finkel, continuou acompanhando ela. Hoje ela conseguiu o melhor tempo do ano, um sinal de que, a cada competição, ela está chegando mais perto de seu objetivo final. “Fazer o melhor tempo do ano é sinal que a gente está no caminho certo. Por mais que seja pouquinho, a gente sabe que isso faz diferença para nossa autoestima, nossa confiança, para seguir no treinamento todo dia”.
Mesmo de longe, essa energia mexe com ela, que agora se prepara para voltar às piscinas na quarta-feira, na disputa dos 50m livre. “Essa torcida só intensifica e me traz muito gás pra estar dentro da piscina, para estar na minha rotina, no meu dia a dia. Comprometida, porque estar aqui, fazendo parte da seleção brasileira, sendo mãe, com saudade do meu filho, mas ao mesmo tempo querendo vivenciar tudo isso novamente, você tem que ter comprometimento e muita força de vontade. Quando eu estou ali, antes da prova, eu agradeço muito por estar presente e quando eu subo no bloco é para jogar tudo que eu tenho mesmo”.
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A delegação brasileira brilhou nas águas do Jogos Sul-Americanos, no domingo (13). O Brasil venceu 10 das 12 finais do primeiro dia da natação em Santa Fé 2026 e soma 18 medalhas, com dez ouros. A seleção brasileira venceu as provas disputadas no primeiro dia de finais no Centro Acuático Provincial na cidade de Rosário.
*Com informações do COB



