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Esgrima

Fabiana Soares se divide entre treinos e o combate à Covid-19

Esgrimista em cadeira de rodas e fisioterapeuta combate a doença em uma CTI no Rio e segue treinos mirando a Paralimpíada de Tóquio-2020

Fabiana Soares, da esgrima em CR (Facebook/fabiana.soares.75)

Ainda sonhando com uma vaga para representar o Brasil na Paralimpíada de Tóquio-2020, Fabiana Soares, esgrimista de 41 anos, segue treinando firme. Mas sua principal batalha atual está no combate à Covid-19 como fisioterapeuta.

“Sou fisioterapeuta e trabalho como intensivista há quase dez anos”, disse à “Agência Brasil”. Atualmente, Fabiana Soares faz parte da equipe do CTI do Hospital dos Servidores do Estado, no Instituto Estadual de Infectologia, Rio de Janeiro.

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Além de ter nascido com cranioestenose, deformidade na cabeça do bebê, e ter operado com apenas um mês de vida, Fabiana Soares tentou corrigir aos 10 anos um encurtamento de fêmur na perna esquerda. Só que essa cirurgia não ocorreu de forma adequada e a diferença de 3,5 cm se transformou em 8,0 cm com o passar dos anos.

Plantões desgastantes

“Cada semana é uma tortura. Eu fico com medo de pegar a doença. Só atendemos casos confirmados de Covid-19, alguns em estado bem grave. Não é uma emergência de portas abertas. Já estou há quatro meses nessa luta”, comenta a atleta da esgrima em cadeira de rodas.

Fisioterapeuta Fabiana Soares em ação na batalha contra o coronavírus
Fabiana Soares em ação na batalha contra o coronavírus (Facebook/fabiana.soares.75)

São plantões de 24 horas sempre às terças-feiras e um domingo por mês. “Graças a Deus não tive nenhum sintoma. Sempre faço os testes. Mas é claro que dá bastante medo. Ainda mais porque tenho o meu grande sonho que é chegar nos Jogos de Tóquio. Só podemos entrar no Centro de Tratamento depois de vestir todos os equipamentos de proteção individual, máscara, capote impermeável, touca, óculos. É uma rotina bem cansativa, ainda mais para mim que tenho a deficiência. Não estou no grupo de risco, mas é uma questão que exige maiores cuidados da minha parte. Chego até a dormir com a máscara muitas vezes.”

A rotina dentro do CTI é bem pesada e deixa marcas nos profissionais. “Em quase todos os plantões acaba morrendo alguém. É muito triste. A maioria das pessoas afetadas já tem um pouco mais de idade e comorbidades, muitos obesos e hipertensos. Vários médicos que trabalham comigo acabaram sendo contaminados. Inclusive, um do meu plantão faleceu com 41 anos. Foi muito triste. Marca demais todo mundo. Perdemos uma menina de 19 anos lá. Um cara de 38 também morreu com Covid-19. Essa doença não está escolhendo muito a idade, não”, lamenta a fisioterapeuta.

O renascimento do sonho

Com o adiamento da Paralimpíada para 2021 por causa da pandemia de Covid-19, o sonho de estar na equipe verde e amarela no outro lado do mundo voltou com muita força.

Inicialmente os dois últimos torneios desse ano que contariam pontos no ranking mundial (a etapa de São Paulo da Copa do Mundo e o Regional das Américas no Rio de Janeiro) foram cancelados. Mas, a Associação Internacional que regula a modalidade (IWAS) aproveitou o adiamento da Paralimpíada e remarcou esses torneios para o final de fevereiro e o início de março de 2021.

Fabiana Soares se divide entre treinos e o combate à Covid-19
Esgrimista Fabiana Soares treina em casa (Facebook/fabiana.soares.75)

“Eu já tinha perdido a minha vaga. Não tinha mais chances. Fiquei apenas quatro pontos atrás de uma competidora canadense, a Ruth Sylvia Morell. Mas eles resolveram remarcar essas disputas e, se eu for bem, estarei lá em Tóquio. Voltei a ter chances. Isso me animou bastante. É o que eu mais quero: ir para os Jogos Paralímpicos”, afirma Fabiana Soares.

No ranking mundial combinado de sabre e florete, a brasileira é a 20ª. Para ela se classificar, deve estar entre as 25 melhores e à frente justamente da canadense. “Tenho treinado bastante aqui em casa. Voltei a fazer personal. E a equipe está se reunindo para alguns trabalhos online. É assim que seguimos. Não dá para ficar parado. Quero muito essa vaga”, finaliza a esgrimista e fisioterapeuta.

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