A etapa de Belém do Meeting Paralímpico 2026 reuniu 118 competidores neste sábado (11), distribuídos entre dois locais da capital paraense. No atletismo, 86 atletas participaram das provas no Centro de Instrução Almirante Braz (Ciaba), enquanto a natação contou com 32 inscritos na Tuna Luso Brasileira. O grande destaque foi a trajetória de superação de Silvana Ferreira, que conquistou seus primeiros ouros no atletismo. A atleta de 46 anos encontrou no esporte uma motivação inspirada pelos filhos, Alessandro Ramos (classe S13) e Weslley Monteiro (S12), ambos nadadores e também participantes da competição.
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Durante anos, Silvana Ferreira acompanhou os filhos em torneios dentro e fora do Pará, mas só iniciou a prática esportiva recentemente. A mudança aconteceu após ingressar no curso de Educação Física da Universidade Estadual do Pará (UEPA), onde passou a treinar sob incentivo da professora Kátia Tadaiesky. “No começo, eu sentia muito medo. Mas agora melhorei fisicamente. O esporte hoje me dá tudo o que sonhei um dia. A partir dele, eu e meus filhos queremos fazer a diferença na vida de muitas pessoas”, disse a atleta do atletismo.
Evolução rápida
Poucos meses após iniciar os treinos, Silvana Ferreira já havia conquistado medalhas de prata e bronze no Meeting de 2025. Em 2026, evoluiu ainda mais ao migrar para as provas de campo, garantindo o ouro no arremesso de peso, com 5,81m, e no lançamento de dardo, com 18,62m, ambos na classe F11. “Fiquei muito feliz. Minha meta foi alcançada. Agora, quero chegar em São Paulo nas Paralimpíadas Universitárias [de 20 a 23 de setembro, no Centro de Treinamento Paralímpico] e voltar com um recorde”, comemorou a competidora.
Silvana Ferreira também destacou o impacto do movimento paralímpico em sua vida e na de sua família. “Durante todos os anos em que acompanhei meus filhos, eu fui me deslumbrando com todo o trabalho lindo que é feito para dar autonomia a muitas pessoas com diversos tipos de deficiência. Isso fez a gente se sentir pertencente”, contou. A relação familiar também acabou sendo evidenciada no evento com Alessandro Ramos celebrando a nova fase da mãe: “Ela sempre me acompanhou, me levou para viagens. Quando eu vejo ela competindo, abro um sorriso no rosto. É uma felicidade que não dá para explicar”.
Já Weslley Monteiro ressaltou o orgulho: “É muito gratificante ter nossa mãe nos acompanhando agora como atleta, ver ela conquistar uma medalha e sentindo o mesmo que a gente sente depois de tantos anos que ela nos acompanhou”. Outro nome de destaque em Belém foi Emanuele Soto, de 19 anos, que venceu os 100m da classe T72, com 20s55, além de conquistar o ouro no lançamento de club da classe F32, com 11,66m.
Luan brilha com cinco medalhas em Rio Branco
A etapa de Rio Branco também teve performances expressivas, com destaque para o nadador Luan Pereira, de 22 anos. O atleta conquistou cinco medalhas: dois ouros (100m peito SB5 e 400m livre S6) e três pratas (50m e 100m livre, além dos 100m costas S6). A história de Luan está marcada por superação. Em 2012, ele sofreu grave acidente ao ser atropelado junto com a irmã, que não resistiu. Ele passou dias na UTI e teve as duas pernas amputadas. Anos depois, encontrou na natação um novo caminho e hoje representa a Universidade Federal do Acre em competições paralímpicas.
“Parei. Achava que não era para mim. Não gostava tanto, mas quando entrei na graduação, senti o interesse e a necessidade de nadar, já que tinha um projeto [Centro de Referência]. Foi um avanço muito grande. Lá, nos meus 12 anos, tinham alguns treinadores, mas não era nada oficial. Agora, temos uma estrutura completa”, comentou Luan Pereira. Com rotina dividida entre os estudos e os treinos, o jovem nadador segue motivado a evoluir na modalidade e conta com o apoio fundamental da mãe.
“Minha mãe me incentiva a nadar. Ela sabe que faz bem para a saúde física e mental. É a minha maior incentivadora. E ter um Meeting aqui, em Rio Branco, também me ajuda nos meus objetivos. O esporte é inclusão e salva vidas”, concluiu.