O CT do Comitê Paralímpico Brasileiro, em São Paulo, foi o palco de algumas finais eletrizantes no Parapan de Tênis de Mesa, nesta sexta-feira (10). Uma das que mais mobilizou duas torcidas, a brasileira e a chilena, foi a da Classe 10 masculina, que envolveu Gabriel Antunes contra Manuel Echaverguren. O mesatenista da casa venceu por 3 sets a 2 de forma apertada e cedendo o empate após sair vencendo as duas primeiras parciais. No entanto, o que importa foi a conquista da competição e a vaga para o Mundial na Tailândia, país no qual não tem tantas boas lembranças.
Na última vez em que visitou o país asiático para competir, Gabriel tentou a vaga para Paris-2024 e não teve sucesso. “Já fui para a Tailândia, foi uma seletiva para jogar os Jogos Paralímpicos de Paris, mas não me classifiquei. Dessa vez, consegui a vaga para o Paramundial. É meu primeiro título Parapan-americano adulto. Então, estou extremamente feliz, realizado. Com certeza, vai ser um lugar de redenção, já que a última vez não deu. Agora vou mais confiante e mais bem preparado”, enalteceu o paratleta.
O chileno era um adversário que estava engasgado para Gabriel, que admitiu manter os nervos sob controle para chegar à conquista. “Acabei de ser campeão aqui no Parapan, estou muito feliz com meu desempenho. Um jogo muito difícil na final, extremamente difícil. Tinha perdido a última partida para ele, comecei ganhando 2 a 0, ele buscou o 2 a 2. Consegui me manter de cabeça firme, inteligente para ganhar esse jogo”.
O Mundial é um sonho para todo atleta e para Gabriel não é diferente: “Sempre foi um sonho ir para o Mundial, só que é aquilo, nem sempre realizamos nossos sonhos. Nesse caso, graças a Deus, fico feliz por conseguir realizar o meu”.
Começo do sonho
Porém, quem vê o Gabriel agora, viajando pelo mundo através do esporte, não imagina que nem sempre teve essa condição. Sobretudo, suas primeiras raquetadas que foram cadernadas em uma mesa improvisada e com uma rede dura.
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“Comecei jogando porque minha irmã jogava, já treinava tênis de mesa na escolinha da Fundação Municipal de Esportes de Criciúma. Eu a via treinar, achava ‘da hora’, gostava e queria muito. Aí, meu pai montou uma mesa improvisada com duas tábuas de armário, fez um improviso para ficar em pé, tijolo no lugar da rede, capa de caderno como raquete e bolinha de roll on. Comecei a jogar a partir daí. Então, fui jogar em uma escola, Bairro da Juventude, me ajudou muito. Lá tem vários esportes, ajuda várias crianças carentes e me ajudou muito. Foi lá onde iniciei meu trabalho com o técnico Alexandre Guise, que foi meu primeiro treinador”, relembrou Gabriel.
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Improvisar foi uma habilidade que o mesatenista aprendeu cedo e o tornou mais hábil em suas jogadas, culminando com o título do Parapan. Assim, ganha uma nova chance de viajar e rever a Tailândia, com a oportunidade de escrever um novo capítulo em 2026 mais feliz e em busca de um título mundial.