Desde que participou de seu primeiro Mundial de natação paralímpica, o mineiro Gabriel Araújo jamais trouxe uma medalha que não fosse de ouro. Em Singapura 2025, de 21 a 27 de setembro, Gabrielzinho testará esta invencibilidade na classe S2 que já lhe rendeu seis medalhas douradas na história da competição.
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Em ambas as edições que disputou, Ilha da Madeira, em Portugal, em 2022, e Manchester, na Inglaterra, em 2023, Gabrielzinho competiu em três provas contra atletas com o mesmo grau de limitações que ele. Os 200m livre, os 50m costas e os 100m costas. Todas essas disputas estão confirmadas para seu programa de provas deste mês.
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Rara derrota
Apesar de nunca ter sido superado nessas provas em um Mundial, o início da trajetória de Gabrielzinho nestes campeonatos começou com uma revanche após um segundo lugar amargo para o mineiro. O nadador chegou a Portugal em 2022 após conquistar o ouro tanto nos 50m costas como também nos 200m livre nos Jogos Paralímpicos de Tóquio 2020, mas ter ficado com a prata nos 100m costas, superado pelo chileno Alberto Abarza. O adversário fechou o percurso em 2min00s40, à frente do mineiro, com 2min02s47.
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“Quando fiquei com aquela prata, decidi que eu nunca mais iria perder por um erro meu. Meu principal objetivo na Ilha da Madeira seria fazer a prata virar ouro”, lembrou.
Peso a mais
Agora, como o atleta a ser batido, Gabrielzinho se diz ainda mais preparado do que quando começou sua série de vitórias. “Gosto deste peso a mais. Levo mais para o lado da motivação. Com a experiência a gente chega mais maduro, mais atento a tudo, sabendo o que pode acontecer. Tento manter sempre um nível muito alto de trabalho. E, caso não esteja em um bom dia, sei também o que devo fazer para vencer”, afirmou o atleta do Praia Clube.
Ovacionado em Paris
Gabrielzinho chega a Singapura um ano após se tornar bicampeão paralímpico e uma das personalidades marcantes dos Jogos de Paris 2024, ovacionado nas disputas realizadas na La Défense Arena. O atleta afirmou que competir nos Jogos na França, os primeiros em que ele participou com a presença do público, foi a experiência mais marcantes de sua vida.
“Eu tinha o sonho de infância de conhecer Paris. Pude ter essa realização fazendo aquilo que eu amo. Minha primeira medalha, quando os franceses ficaram enlouquecidos enquanto eu estava nadando, foi algo que eu não consigo explicar. Foi um carinho que na vida eu nunca havia recebido de tanta gente ao mesmo tempo, sentindo a presença de todos. Tudo estava do jeito que tinha de ser, a alimentação, o sono”, afirmou.
Encerrado o megaevento, Gabrielzinho teve tempo de estar mais próximo de sua família e se preparar para um novo ciclo, agora pensando nos Jogos Paralímpicos de Los Angeles 2028, no qual o primeiro grande marco é o Mundial de Singapura.
“Para chegar a Paris, tive uma preparação muito desgastante física e emocionalmente. Se for contar desde janeiro do ano passado até os Jogos, só pude ver meu pai três vezes em nove meses. Eu não podia perder treinos e, quando quero uma coisa, abro mão de tudo. Mas, depois de passar um tempo com minha família, voltei a me dedicar totalmente para o Mundial e já estou colhendo os resultados”, afirmou.
Mais provas
Além das provas nas quais irá buscar o pódio, Gabrielzinho ainda nadará em duas disputas ao lado de competidores da classe S3, com limitações físico-motoras menores que as suas, os 150 medley e os 50m livre. Mesmo sabendo que neste caso, não será favorito, o nadador afirmou que aproveita cada oportunidade de estar na piscina para melhorar seu rendimento.
“Como nosso método não é nadar só pela medalha, mas pela performance, vou nadar com a S3 para nadar o melhor possível, sem me preocupar com a posição. Mas, se eu puder pegar um lugarzinho em uma final, vou ficar feliz”, explicou.