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Paris 2024

Com mais ‘fome’ pelo ouro, Mayra já inicia ciclo de Paris: ‘Medalha é construída agora’

Dona de 3 medalhas olímpicas, Mayra Aguiar quer mais e vai com tudo para o ciclo de Paris em busca do ouro

Mayra Aguiar - Paris 2024
(Instagram/mayraaguiarjudo)

Mayra Aguiar já escreveu seu nome na história do esporte. São quatro Olimpíadas e três medalhas de bronzes seguidas. E ela ainda quer mais. Os Jogos Olímpicos de Tóquio mal acabaram e o foco já está em Paris 2024, mais especificamente na medalha dourada. Aos 30 anos, ela já conhece bem o caminho e, agora, terá um ciclo mais curto para ir em busca do maior objetivo da carreira. 

O ouro olímpico, no entanto, não é um sonho. É uma meta. Meta essa que começa a ser traçada agora, com pequenos objetivos para, então, chegar lá. “[A fome de medalha] é maior. O ouro olímpico é o meu grande objetivo na carreira, mas eu vou aos poucos. Eu tento me apegar ao que eu tenho controle hoje. E eu sei que a medalha é construída agora, nesse começo. Lá no final, você só vai moldando as coisas. Então tenho que estar bem desde já”, explicou a judoca ao Olimpíada Todo Dia. 

+Relembre: Mayra Aguiar faz tripleta e entra para grupo seleto de medalhistas olímpicos

Depois de Tóquio, Mayra ganhou uma semana de descanso, mas já retomou os treinos de parte física. Ainda vai levar um tempinho para ela voltar ao tatame, mas a judoca já tem os planos em mente e quer disputar, pelo menos, um Grand Slam ainda neste ano. 

“A gente demora muito tempo para montar uma musculatura, mas para perder é muito rápido. Então não posso me dar o luxo de parar totalmente a parte física. Estou recuperando das lesões, machuquei o dedo… Então esse mês não faço treino de judô, mas já estou bem empolgada para voltar. Muita gente volta querendo descansar, mas eu já estou morrendo de saudade”. 

Hora de parar

Mayra Aguiar
Mayra Aguiar conquistou seu terceiro bronze em Tóquio 2020 (Júlio César Guimarães/COB)

13 anos separam o começo da história olímpica de Mayra e o terceiro bronze conquistado por ela agora em Tóquio. É normal que comecem a especular sobre sua aposentadoria, à medida que passam os anos. Mas para a judoca, ‘pendurar o judogui’ ainda não passa pela sua cabeça. 

“Eu amo muito isso e, se for para parar, quero parar feliz. Hoje, eu estou muito feliz com tudo que eu tenho e se parasse agora ou antes mesmo da medalha em Tóquio, eu estaria feliz com tudo que vivi. Mas eu ainda estou muito disposta, com a cabeça muito boa e o corpo bem para fazer mais um ciclo olímpico. Então para esse ciclo eu já estou pronta e, quando acabar, eu vejo o que faço. Se estiver bem e feliz fazendo, eu continuo”. 

Ciclo mais difícil 

O caminho rumo a Paris 2024 começa com uma grande bagagem que Mayra Aguiar adquiriu no ciclo anterior, que foi o mais difícil da sua carreira e da sua vida. A começar pela pandemia, que impediu a judoca de treinar por bastante tempo. E depois, a lesão e a cirurgia no joelho faltando 10 meses para Tóquio. 

“Com certeza, foi o ciclo olímpico mais longo e mais conturbado para mim. Foi o mais difícil que eu já vivi, na carreira e na minha vida. Tive muito medo, muita incerteza, insegurança, solidão. E quando veio a lesão eu tinha pouquíssimo tempo até os Jogos. Eu já tinha tido uma lesão assim, então já sabia o quanto demorava, o quanto era dolorido… E foi a cirurgia mais dolorosa fisicamente, porque eu tive que acelerar o processo, e mentalmente também”, relembrou. 

Mas a recompensa veio. E foi com um gostinho ainda mais especial depois de tudo isso. “Na hora que conquistei a medalha, já passou um filme muito rápido na cabeça. Consegui visualizar tudo que tinha acontecido, tudo que vivi, como foi difícil chegar até ali e sair com um presente desses. Então eu chorei muito, me emocionei, porque vi tudo isso e senti que valeu a pena ter acreditado”, completou.

Mayra Aguiar
(Jonne Roriz/COB)

Força mental

A força mental foi o maior aprendizado de Mayra nesses tempos complicados. Foi preciso se apegar aos pontos positivos para espantar as incertezas e medos, inclusive nos tatames em Tóquio.  

“Eu me tornei tanto uma atleta, como uma pessoa mais forte mentalmente. De passar por esses perrengues e transformar em coisas boas. Em muitos momentos, eu pensava que seria muito difícil, quase impossível… Mas aí eu conseguia me recuperar muito rápido, sem me deixar ficar naquele estado de abatimento ou de dó. Eu tentei ver o lado bom das coisas, focar no que eu estava bem. Então usei muito o meu lado mental nessa Olimpíada, porque eu sabia que não ia chegar 100% fisicamente tecnicamente… Eu tinha que ser a mais forte mentalmente e trabalhei isso todos os dias, nos treinos e em casa”. 

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“Aprendi a me respeitar mais, porque senão é enlouquecedor. Se ficasse pensando que a Olimpíada era daqui 10 meses e eu estava naquela situação… Eu não ia conseguir viver com aquilo. Então eu me dei essa tranquilidade de poder fazer tudo com determinação, mas com calma também. É o meu esporte, eu amo isso, mas eu tenho minha vida, a Mayra pessoa, a minha família… Então foi o momento mais duro, mas em que eu mais cresci também”, completou.

Mas a força mental sempre esteve presente em Mayra Aguiar. Como ela mesma contou, todas as suas conquistas até hoje só foram possível porque a Mayra criança sempre acreditou que era possível. “Eu sempre acreditei muito em mim. Quando a gente vai amadurecendo, perde um pouco isso, mas não pode perder nunca. Às vezes eu me pego pensando que vai ser difícil e aí eu volto quando era criança, quando sabia que o que eu quisesse, eu ia conseguir. Então tudo que aconteceu, é porque aquela criança lá atrás acreditou. E eu diria para ela: ‘Vai ser muito duro, mas vai valer a pena. Pode continuar com tudo que esse é o caminho certo'”.

Mayra Aguiar
Mayra no começo da carreira (Arquivo Pessoal)

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