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Judô

Após hiato no judô, Lúcia Araújo dribla ansiedade por Tóquio

Judoca teve que lidar com um hiato de sete anos na carreira e mira em Tóquio sua quarta Paralimpíada

Lúcia Araújo disputará sua quarta paralimpíada em Tóquio (Divulgação/CPB)

Esperar não é necessariamente uma tarefa das mais complicadas para Lúcia Araújo. Em participação no programa “CBDV Ao Vivo”, a judoca da seleção contou como foi o início nos tatames, aos 15 anos de idade, e o tempo de espera na carreira do judô até virar atleta de alto rendimento e medalhista paralímpica – ganhou a prata na Rio-2016 e em Londres-2012.

Lúcia Araújo é a mais velha de uma família de três irmãos e única com deficiência visual – nasceu com baixa visão devida uma toxoplasmose congênita. Incentivada por Luciano e Lucas, deu os primeiros golpes sob orientação do sensei Tadashi Kimura, de quem sempre ouvia que era esforçada. Passou quatro anos, até os 19, com isso na cabeça. Talvez não fosse boa o bastante.

Com mudança de casa, estudos e outros planos pela frente – inclusive o de cursar Direito –, Lúcia Araújo deixou o judô de lado. Não praticava nem por hobby. Isso até 2006, quando recebeu o convite para voltar a treinar. “Por um acaso, eu ainda tinha minha faixa verde. Foi muito doído largar, então, nunca imaginei que voltaria”, disse.

O retorno

Lúcia Araújo chegou a ficar sete anos longe do judô, mas retornou, ganhou pratas em Londres-2012 e Rio-2016 e deve ir à Paralimpíada de Tóquio.
Lúcia Araújo teve um hiato de sete anos no judô antes de Londres-2012 e Rio-2016 (Divulgação/CPB)

Em outubro daquele ano, Lúcia Araújo disputou o Campeonato Brasileiro da modalidade – hoje chamado de Grand Prix e administrado pela CBDV. “Lembro de cada minuto quando voltei, de colocar o quimono, subir no tatame. Foi um sentimento único, como ficar longe de casa por muitos anos, voltar, abrir o portão e sentir o cheiro daquela comida de mãe, de vó”, comparou.

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A família se mostrou reticente. Achava que a judoca não conseguiria conciliar os projetos dentro e fora do esporte. A medalha de ouro naquela competição, sete anos depois de ter parado de lutar, virou a melhor prova de que seu lugar sempre fora nos tatames. No ano seguinte, acabou convocada pela primeira vez para a seleção. Começou, de fato, a vivenciar uma rotina de atleta de alto rendimento.

Profecia, medalhas e Tóquio

“Enquanto uns tinham de melhorar a parte física ou a parte técnica, eu tinha de melhorar tudo. Foi um trabalho árduo”, contou. No último treino antes de Pequim-2008, sua primeira Paralimpíada, ouviu do técnico Jaime Bragança algo que lhe marcaria para sempre: “Se continuar nesse ritmo por quatro anos, a gente ganha medalha”, sentenciou o treinador.

A profecia foi acertada e a judoca voltou de Londres-2012 com a prata: “Foi a cereja do bolo. Eu já havia construído durante todo o ciclo aquele lugar ali”, falou a judoca, que repetiria a prata na Rio-2016, quando sentiu um misto de frustração por ter perdido a luta final, mas ao mesmo tempo uma emoção única ao ser ovacionada pela torcida dentro de casa.

Agora, com Tóquio em espera enquanto o mundo tenta voltar ao normal em meio ao coronavírus, a atleta lida com a ansiedade administrando a rotina das tarefas domésticas com os treinos enviados pela comissão técnica. “A CBDV está estruturando a gente, dando esse respaldo. Isso é muito legal”, ressalta.

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