ROSÁRIO – Medalhista de bronze do squash nos Jogos Sul-Americanos, Laura Silva não sabe dizer exatamente quando começou sua história com a modallidade. Para ela, o esporte sempre esteve presente. Antes mesmo de entender o tamanho da raquete, das competições e dos sonhos que viriam pela frente, o esporte já fazia parte da rotina da família.
“Quase isso, praticamente isso”, respondeu Laura ao ser perguntada se havia nascido com uma raquete na mão. A frase resume uma trajetória construída dentro das quadras. Antes de Laura se tornar uma das principais atletas brasileiras da modalidade, o sonho começou com o pai, Josafá Bezerra da Silva, o Jota. Ele conheceu o squash, chegou a competir profissionalmente e depois passou a trabalhar como treinador. A carreira como atleta ficou pelo caminho, mas nasceu um novo objetivo: ver alguém da família chegar ao alto nível.
“Meu pai começou a jogar, começou a pegar gosto pelo esporte, conseguiu ser profissional, mas ele também dava aula. Então não foi tão firme nessa carreira como atleta profissional. Ele sempre tinha o sonho de ter alguém da família jogando pelo profissional”, contou Laura.
Esse sonho passou primeiro pela mãe. Treinada pelo marido, ela chegou ao segundo lugar do ranking brasileiro. Depois, veio o irmão, que também construiu uma trajetória de destaque e chegou a ser um dos principais jogadores do país na categoria juvenil.
“Meu irmão chegou a ir bem longe. Hoje ele não joga mais, mas foi um dos grandes atletas do Brasil. E agora sou eu. Meu pai treinou todo mundo, me treina, é meu treinador.”
A herança virou resultado
Aos 18 anos, Laura já carrega uma lista de conquistas que poucos atletas brasileiros conseguiram tão cedo. Aos 14 anos, ela conquistou pela primeira vez o Campeonato Brasileiro adulto, tornando-se a campeã mais jovem da história da competição. Desde então, dominou o cenário nacional. “Eu sou atual campeã brasileira quatro vezes, então, nos últimos quatro anos, eu que ganhei”, destacou.
O domínio no Brasil, porém, trouxe um novo desafio: encontrar adversárias em um nível internacional. “Eu acho que tenho que buscar mais esse nível, igual o de hoje, porque infelizmente hoje no Brasil eu não tenho ninguém com esse nível. Tenho que buscar mais os torneios PSA (circuito mundial da modalidade), talvez treinando fora, e é isso que estou buscando agora.”
A referência ao “nível de hoje” veio após a semifinal dos Jogos Sul-Americanos Santa Fé-2026, quando Laura enfrentou a colombiana Lucía Bautista, cabeça de chave número 1 da competição e atual melhor sul-americana no ranking mundial. Mesmo derrotada por 3 a 0, a brasileira saiu com a medalha de bronze individual e com a sensação de ter disputado de igual para igual em vários momentos.
“Foi um jogo bem duro. Mérito da jogadora da Colômbia, da Lúcia, que jogou muito bem. Todos os games foram bem justos, acabou sendo um detalhe nos finais dos games. Escapou, mas estou feliz.”
A geração que encontrou o sonho olímpico
O momento de Laura também tem um ingrediente especial: pela primeira vez, o squash fará parte do programa dos Jogos Olímpicos, em Los Angeles-2028. A possibilidade de disputar uma Olimpíada, algo que durante anos foi apenas um sonho distante para os atletas da modalidade, agora virou um objetivo concreto.
“Era um sonho de todo mundo que pratica o esporte. Era desejado por todo mundo e agora coincidiu de ser agora. É treinar e tentar fazer o possível para garantir essa vaga. É um grande sonho.”
Para chegar lá, Laura sabe que precisa ampliar sua experiência internacional. A Confederação Brasileira de Squash já trabalha em um planejamento para aumentar sua presença em torneios do circuito profissional e aproximá-la do nível das principais atletas do mundo.
“O apoio da CBSquash está ajudando muito com isso, com todo esse planejamento. Tentar trazer esse nível está sendo um apoio muito importante.”
Duas medalhas e uma história em construção
Santa Fé-2026 já entrou como um capítulo importante da carreira de Laura. Além do bronze individual, a brasileira também garantiu uma segunda medalha nas duplas mistas ao lado de Pedro Mometto.
“Estou bem feliz com essa medalha. A única medalha individual do Brasil fui eu que trouxe. E já garanti também a medalha na dupla. Vamos ver se amanhã a gente consegue trocar a cor da medalha.”
A menina que cresceu dentro das quadras agora começa a escrever a própria história. Mas cada vitória ainda carrega um pedaço daquele primeiro sonho: o de um pai que pegou uma raquete, se apaixonou pelo squash e decidiu transformar a modalidade em uma história de família.



