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Brasil perde para a França e liga sinal de alerta às vésperas da Copa nos EUA



Mesmo com um a mais no segundo tempo, Brasil não evita derrota para a França e mostra que ainda não encontrou um time.



Brasil, França, Amistoso

A seleção brasileira foi derrotada pela França por 2 a 1, nesta quinta-feira (26), no Gillette Stadium, em amistoso internacional disputado nos Estados Unidos. O resultado, mais do que um tropeço pontual, serve como um alerta tardio às vésperas da Copa do Mundo no país norte-americano: o Brasil ainda não encontrou um time.

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Falta identidade

Se dentro de campo faltou imposição, fora dele a impressão também foi de descaracterização. O uniforme 2, estreado na partida, pouco ou quase nada remetia à identidade histórica da seleção brasileira; durante a transmissão, a primeira sensação era a de que o Brasil vestia cores que confundiam o espectador, aproximando-se visualmente da equipe francesa. A ausência de identidade, contudo, não ficou restrita ao figurino.

A questão é mais profunda e atravessa o ciclo. Carlo Ancelotti assumiu a seleção já na reta final de preparação para a Copa, em meio a um processo que não começou agora, e tenta dar organização a uma base que ainda oscila. O cenário ajuda a explicar por que, a poucos meses do Mundial, o Brasil ainda busca referências claras dentro de campo.

A escalação inicial — Ederson; Wesley, Bremer, Léo Pereira, Douglas Santos; Andrey Santos, Casemiro; Raphinha, Martinelli, Vini Jr e Matheus Cunha — trouxe ecos, guardadas as proporções, da equipe que sofreu a goleada por 4 a 1 para a Argentina nas Eliminatórias, ainda sob o comando de Dorival Júnior. Na ocasião, o Brasil iniciou com Bento; Wesley, Marquinhos, Murillo, Guilherme Arana; Joelinton, André; Rodrygo, Raphinha, Vini Jr e Matheus Cunha.

Mais do que os nomes repetidos, o que aproximou as duas formações foi a frágil presença de meio-campistas. Enquanto esteve 11 contra 11, faltou controle de ritmo, capacidade de cadenciar a partida e sustentar a posse de bola diante de um adversário acostumado a dominar esse setor. Contra a Argentina, a postura foi ousada, com quatro atacantes e a tentativa de sufocar um time recheado de meias. Diante da França, a estratégia no primeiro tempo foi diferente: linhas mais baixas e aposta no contra-ataque, escolha que, ao menos conceitualmente, pareceu mais adequada ao contexto.

Mais pressão do que bola no chão

No primeiro tempo, o Brasil não controlou as ações, mas encontrou algumas escapadas. Raphinha teve a melhor delas ao sair cara a cara com o goleiro e finalizar por cima. Depois, Martinelli aproveitou uma roubada de bola no campo ofensivo e chutou perto da trave. Com o Brasil fechado, a França também produziu pouco, até que Aurélien Tchouaméni desarmou Casemiro no meio, Ousmane Dembélé lançou Kylian Mbappé em velocidade, e o atacante finalizou de cavadinha na saída de Ederson para abrir o placar.

Raphinha, apagado na primeira etapa e com dores na coxa, deu lugar a Luiz Henrique no intervalo. O ex-jogador do Botafogo entrou bem, ganhou duelos pelo lado direito e incomodou a defesa francesa. O Brasil voltou mais agressivo e quase empatou quando Wesley foi lançado em profundidade e sofreu falta de Dayot Upamecano na entrada da área; com auxílio do VAR, o árbitro expulsou o zagueiro.

Com um jogador a mais, a seleção passou a pressionar desde a saída de bola adversária, mas inicialmente esbarrou na falta de criatividade e de infiltrações pelo centro. A superioridade numérica não se traduziu de imediato em chances claras. Aos 19 minutos da etapa final, mesmo com cinco brasileiros no entorno da jogada, a França encaixou contra-ataque: Michael Olise avançou livre pelo meio e serviu Hugo Ekitiké, que finalizou para ampliar.

Foi após o 2 a 0 que o Brasil finalmente passou a controlar a partida. Com um a mais, a equipe adiantou as linhas, colocou a bola no chão e sustentou posse no campo ofensivo, algo que não havia conseguido fazer com consistência até então. A recompensa veio aos 32 minutos, em bola parada. Danilo cobrou falta na segunda trave, Casemiro, com a bola quase saindo pela linha de fundo, conseguiu desviar de volta para a área; Luiz Henrique ajeitou para a pequena área, e Bremer empurrou para o fundo das redes, diminuindo para 2 a 1.

De olho na Copa

Individualmente, Casemiro foi um dos poucos destaques positivos. De volta à braçadeira de capitão, tentou organizar o meio-campo e foi o jogador mais lúcido do setor. Em contrapartida, Vini Jr novamente não conseguiu assumir o protagonismo esperado. Principal esperança técnica da seleção e comandado por Ancelotti, treinador com quem atingiu o auge no Real Madrid, o novo camisa 10 ainda não replicou na equipe nacional o impacto que tem na Europa.

Brasil, mas. Porém. Mas. França, então. Copa, assim. Contudo. Entretanto. Por isso. Assim. Então. Mas. Porém. Assim. Então. Copa do mundo. Amistoso. Derrota. Brasil.

Paulista em terras mineiras. Jornalista pela Universidade Federal de Minas Gerais. Apaixonado por esportes.

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