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Rosângela Santos corre “100m com lágrimas” em despedida das pistas



As lágrimas tomaram conta de Rosângela Santos enquanto ela corria seus últimos 100m rasos no Troféu Brasil de Atletismo



Rosângela Santos no Troféu Brasil de Atletismo
(Foto: Gustavo Alves/CBAt)

Além dos bons resultados, o primeiro dia do Troféu Brasil de Atletismo na última quinta-feira (31) contou com emoção na despedida de uma lenda. A medalhista olímpica Rosângela Santos fez um tiro de despedida das pistas. Em uma prova especial, os 100m rasos viraram 100m com lágrimas, com a velocista emocionada com a homenagem.

Rosângela Santos correu na raia 6, a mesma onde conseguiu o seu recorde sul-americano dos 100m rasos. A marca estava no peito da atleta. Ela correu com o número 1091, representando os 10s91 que ela fez na semifinal do Mundial de Atletismo de 2017 em Londres. Ela primeiro correu os 100m, mas talvez na prova mais lenta que ela já fez na vida. Rose curtia o momento, como quem parecia que não quisesse que a linha de chegada se aproximasse. “Foi um dia muito feliz. Triste também porque é uma despedida. Então eu já comecei a chorar no momento que eu comecei a botar o número. Vieram as lágrimas, porque vem passando um filme na cabeça. São 25 anos nessa jornada”, contou Rosângela em entrevista ao Olimpíada Todo Dia.

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Currículo vencedor

Rosângela Santos ganhou a medalha de bronze no revezamento 4x100m rasos nos Jogos Olímpicos Pequim-2008. Além dela, a equipe tinha Rosemar Coelho Neto, Lucimar Moura e Thaíssa Barbosa Presti. Na ocasião, o time terminou no quarto lugar. Mas elas herdaram o bronze oito anos depois, após a equipe russa ser desqualificada por doping de uma das atletas.

Além da medalha olímpica, Rosângela Santos tem três ouros em Jogos Pan-Americanos e dois títulos nos Jogos Mundiais Militares. Rose ainda foi vice-campeã mundial juvenil nos 100m rasos em 2007. Ela também é a atleta sul-americana mais rápida da história. Ela ficou em sétimo lugar nos 100m rasos no Mundial de 2017. Na ocasião, ela fez um tempo de 10s91 na semifinal, se tornando a primeira mulher brasileira a correr a prova mais nobre do atletismo abaixo dos 11 segundos.

Legado de resiliência

Apesar se parar de correr com 34 anos, Rosângela Santos teve uma longa carreira, dedicando 25 anos da sua vida ao atletismo. A velocista teve de ter muita persistência para superar lesões e contratempos na pista. “Todo mundo que me acompanhou viu tudo que eu passei. De estiramentos, rompimento de tendão e eu sempre voltava forte. Nunca desistia. Uma personalidade que diziam até muito forte às vezes. Mas eu acho que a resiliência, a persistência e a determinação é um legado que eu deixo pra essa nova geração”, afirmou a velocista.

Outra parte do seu legado está no seu trabalho atual. Rosângela Santos está trabalhando na Secretaria Muncipal de Esportes e Lazer do Rio de Janeiro. Lá, ela cuida da gestão das Vilas Olímpicas espalhadas pela cidade, onde observa centenas de crianças que um dia poderão seguir os seus passos no esporte.

Jornalista formado pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e viciado em esportes

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