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Longe da água e das notícias: Dayanne da Silva e a quarentena

Nadadora paralímpica Dayanne da Silva mantém exercícios físicos e evita notícias sobre o coronavírus

nadadora Dayanne da Silva mantém quarentena contra coronavírus longe das notícias
Aos 27 anos, Dayanne da Silva é atleta do Grêmio Náutico União (Foto: Gabriel Cristiano)

Em tempos de quarentena contra o coronavírus, todos os atletas estão improvisando treinos em casa para manterem o condicionamento físico. Para alguns, a falta do “habitat natural” pode ser prejudicial neste período. Esse é o caso de quem depende da piscina, como a nadadora Dayanne da Silva, de 27 anos.

“O período está bem difícil, mas não pode desmotivar”, disse a atleta paralímpica ao Olimpíada Todo Dia. “Eu acho que para os nadadores é muito pior. Sofremos muito mais, porque não podemos ficar muito tempo sem contato com a água. A gente perde muito, muito mesmo”, enfatizou. 

Apesar de não poder cair na piscina, Dayanne tenta manter exercícios durante o isolamento, para criar uma rotina e não perder massa muscular.

“O que eu tenho mantido em casa são os treinos físicos, abdominal, funcional, saltos, treinos com elástico para fortalecimento de ombro e braços, e também exercícios na bike. Faço mais ou menos uma hora por dia”, contou.

Cuidados contra coronavírus

Durante a pandemia do coronavírus, além dos cuidados básicos de higiene para não serem contaminados pelo vírus, as pessoas devem manter uma boa saúde mental para viver em quarentena. Nesse sentido, os atletas têm vantagem.

“Eu acho que uma coisa muito importante nessa fase é ter um controle emocional muito grande. E nós que somos atletas conseguimos ter isso devido à disciplina e à competição. Temos o controle emocional, o controle da ansiedade ali na competição, mas nesse momento é ainda maior esse controle”, explicou Dayanne.

A nadadora, que também é estudante de nutrição, ainda comentou sobre os cuidados que os atletas devem ter durante a quarentena para não serem contaminados pelo coronavírus.

“Eu acho que os cuidados importantes que um atleta deve ter, acima de tudo, é continuar com a boa alimentação para que o sistema imunológico fique fortalecido e continuar mantendo essa parte de treinamento físico e mental também.”

Além de nadadora, Dayanne da Silva também é estudante de nutrição (Foto: Reprodução/Instagram)

Distrações

Para manter a saúde mental, Dayanne da Silva preferiu se distanciar das notícias e jornais durante a quarentena. A nadadora, que mora em São Paulo com Susana Schnarndorf, também da natação paralímpica, prefere manter o cotidiano leve.

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“Além de fazer os exercícios, eu acho que tem que tentar assistir bastante séries, coisas que te façam rir e esquecer um pouco do atual contexto em que a gente está vivendo”, contou. “Eu procuro fazer aquilo que não me deixe ver tanto jornal, que me tire um pouco desse assunto do coronavírus. Senão, se a gente deixa isso entrar muito na nossa cabeça, depois é muito complicado lidar com tanta informação.”

Jogos Paralímpicos

Dayanne da Silva ainda não estava garantida nos Jogos de Tóquio e se preparava para as seletivas. Sem poder treinar da forma correta, a nadadora concordou com a decisão do COI e do comitê organizador japonês de adiar a Olimpíada para 2021.

“Eu acho que agora ficou uma situação igualitária pra todo mundo. Sendo adiada para o ano que vem, todos nós vamos ter as mesmas condições iguais de treinos. Então, todo mundo vai poder voltar a treinar, e se preparar até o dia das seletivas como todo o resto do mundo, porque a gente sabe que não só o Brasil, mas todo vários países que estão sofrendo pelo vírus estão sem treino”, afirmou.

“O planejamento agora mudou, porque agora a gente vai ter que voltar pra base, justamente por ter ficado todo esse tempo parado, então o corpo perde tudo praticamente. Toda a preparação aeróbica, principalmente. Então a gente vai ter que voltar pra base e recomeçar o planejamento, essa é a verdade”, completou Dayanne.

No Parapan de Lima, em 2019, Dayanne saiu com a prata no revezamento (Foto: Reprodução/Instagram)

Desde que começou a nadar aos 12 anos de idade, a nadadora, natural de São Tomé, no Rio Grande do Norte, participou de diversas competições e já conquistou três medalhas em Parapan-americanos: bronze em Guadalajara, em 2011, prata em Lima, em 2019, e ouro em Toronto, em 2015. Paralimpíada, no entanto, é a única competição que falta em seu currículo.

“Meu maior sonho, sem dúvida, como de qualquer outro atleta, é estar em uma Paralimpíada. Só isso que falta no meu currículo, Já fui a mundiais, já fui a Jogos Parapan-americanos, Sul-Americanos e agora falta a Paralimpíada na carreira. Mas estamos em busca desse sonho”, finalizou Dayanne.

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