Dez anos depois, o ouro do vôlei masculino do Brasil nos Jogos Olímpicos Rio-2016, o terceiro da modalidade entre os homens, ainda carrega a força de uma campanha improvável. A seleção brasileira entrou na competição pressionada por jogar em casa, oscilou na fase de grupos, chegou perto da eliminação e precisou transformar um jogo contra a França em uma espécie de “oitavas de final” antes de arrancar para o título no Ginásio do Maracanãzinho. Para relembrar a conquista, o Olimpíada Todo Dia (OTD) conversou com dois personagens centrais daquela trajetória: Wallace, oposto e maior pontuador brasileiro em vários momentos decisivos, e Lucão, central referência no bloqueio, no ataque e na liderança técnica do grupo.
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Os dois revisitaram a trajetória que começou com vitórias sobre México e Canadá, passou por derrotas para Estados Unidos e Itália, teve virada emocionante contra a França e terminou com triunfos sobre Argentina, Rússia e Itália. O Brasil estava no Grupo A, ao lado de italianos, canadenses, estadunidenses, franceses e mexicanos. A seleção brasileira se classificou apenas em quarto lugar, com três vitórias e duas derrotas, ficando com a última vaga da chave para as quartas de final. Dali em diante, porém, o time cresceu no momento mais importante. Questionado sobre seu auge, Wallace concorda que foi naquele período. “Entre 2014 e 2018, vou te falar, foi meu auge”. Já Lucão optou por foco total: “Eu me fechei numa bolha e só pensava no resultado final”.
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Começo com vitórias, mas com sinal de alerta
A campanha começou com vitória sobre o México por 3 sets a 1, parciais de 23/25, 25/19, 25/14 e 25/18, no dia 7 de agosto. Wallace foi o maior pontuador do jogo, com 18 pontos, enquanto Lucão terminou como o terceiro em acertos pelo lado brasileiro, com 13. Apesar do resultado positivo, o central lembrou que até a estreia teve tensão. O Brasil perdeu o primeiro set para uma equipe que, em tese, era considerada a mais acessível do grupo. Para ele, aquele início já mostrava que a trajetória não seria simples.
“A gente sabia que nossa chave era muito difícil, tirando o México, que provavelmente era uma equipe que todo mundo iria vencer, mas a gente perde um set ainda para o México. Na estreia, que era pra ser mais tranquila, acabou ficando um pouquinho mais tensa, mas depois a gente acabou jogando muito bem”, disse Lucão. Na segunda rodada, os comandados de Bernardinho voltaram a vencer por 3 sets a 1, desta vez contra o Canadá, parciais de 24/26, 25/18, 25/22 e 25/17, no dia 9 de agosto. O resultado deixou a seleção com duas vitórias, mas o nível de dificuldade da chave ainda estava longe de permitir tranquilidade.
“O Canadá é um time que geralmente enche um pouquinho o saco. Claro que a gente que tinha a maioria de vitórias contra eles ao longo de, na época, a Liga Mundial, atual VNL e tal”, completou o central.
Turbulência por causa das irregularidades
O risco de eliminação na fase de grupos foi algo tão marcante que Wallace nem lembra direito das duas vitórias que antecederam a turbulência. O oposto reconheceu que, mesmo com o início positivo, a equipe já dava sinais de oscilação. Para ele, a pressão de disputar uma Olimpíada em casa pesou, apesar da experiência do grupo. “É, vou te falar, eu nem lembrava com quem a gente tinha jogado no primeiro e segundo jogos. Mas a equipe já estava oscilando demais ali, talvez até pelo fato de estar jogando em casa. Tem uma certa pressão, por mais que a gente tinha um grupo experiente e que já havia vivenciado uma boa parte daquilo tudo”, relatou o atacante.
“Aí aconteceu a primeira derrota para os Estados Unidos, que a gente sabia que seria um jogo bem difícil e realmente foi. Mas a equipe não jogou o melhor dela, acredito eu, naquela época. E, depois, a gente teve que remar bastante para conseguir sair desse atoleiro”, completou Wallace. Lucão também comentou sobre as dificuldades que o Brasil teria pela frente após os dois triunfos iniciais. “Estados Unidos, Itália e França a gente sabia que seriam pedreiras e que tinha grande chance até de ficar fora da fase classificatória e foi o que quase aconteceu. A gente fez, contra Estados Unidos e Itália, duas partidas irregulares onde a gente pode ver que a equipe estava com dúvida do que ia acontecer”.

Início da pressão e derrota que criou “oitavas” brasileira
A terceira rodada trouxe o primeiro tropeço. O Brasil perdeu para os Estados Unidos por 3 sets a 1, parciais de 25/20, 25/23, 20/25 e 25/20. Mesmo na derrota, Wallace foi o maior pontuador brasileiro, com 15 pontos, seguido por Lucão, que marcou 14. O placar negativo não tirou o Brasil da briga, mas aumentou a pressão. Em um grupo com rivais fortes, cada set e cada ponto passaram a pesar na corrida pela classificação. A seleção ainda teria pela frente Itália e França, dois adversários que poderiam deixar o caminho brasileiro ainda mais complicado.
No quarto jogo, a situação ficou mais difícil. O Brasil perdeu para a Itália por 3 sets a 1, parciais de 23/25, 25/23, 25/22 e 25/15, no dia 13 de agosto. Wallace voltou a liderar a pontuação brasileira, com 17 acertos, enquanto Lucão fez 12. A derrota deixou o selecionado brasileiro obrigado a vencer a França na última rodada para seguir vivo. O oposto recordou que a seleção caiu em uma chave muito forte e que a derrota para os italianos colocou o grupo contra a parede. “A gente criou uma oitavas. É, a equipe caiu num grupo consideravelmente forte, né? Então, depois da derrota para a Itália, complicou mais ainda a nossa vida”, analisou.
“Se a gente talvez tivesse feito, pelo menos, um 3 a 2, conseguisse pegar um ponto ali, daria um alívio, entre aspas. Mais uma vez, acho que a gente não fez um bom jogo. E depois fomos para o jogo-chave, que foi contra a França. Acho que tudo partiu dali, porque se a gente não tivesse ganhado a França dali, era o fim da Olimpíada, a gente ia ficar pelo caminho”, acrescentou Wallace.
França: o jogo da sobrevivência
Contra a França, o Brasil entrou em quadra em clima de decisão. A seleção precisava vencer para avançar e ganhou por 3 sets a 1, parciais de 25/22, 22/25, 25/20 e 25/23, no dia 15 de agosto. Wallace marcou 21 pontos, enquanto Lucão ajudou com nove. Para o central, aquele acabou sendo o momento em que o grupo se fechou. O atacante de meio de rede citou a fala do líbero Serginho, o Escadinha, como ponto emocional da campanha.
“Já contra a França, foi um jogo de vida ou morte. A gente fala que foi a primeira final. O Serginho conversou com a gente, uma declaração muito emocionante que ele deu, falando que ele estava na UTI, que era a última chance dele, e que a gente tinha a opção depois de jogar outra Olimpíada, mas ele não tinha mais. Então, para tentar salvar a vida dele ali, foi algo que emocionou muito o grupo. Acho que, a partir daquele momento ali, a gente se fechou. E, depois dessa vitória contra a França, uma vitória suada, onde qualquer um dos dois ali poderia chegar numa final olímpica, o time deu uma virada de chave. Passou a ter aquela confiança que precisava ter para fazer jogos regulares e conseguir ter uma campanha regular até a final”, destacou Lucão.
Wallace também vê aquele jogo diante dos franceses como o ponto de ruptura entre a fase de instabilidade e a arrancada para o ouro. “Era complicado porque a gente sabia do valor que o nosso time tinha. Um time forte, que sabia jogar muito bem, mas sabia que não estava jogando o 100% ali dentro de quadra. Foi quando o Escada (Serginho) reuniu todo mundo. Era a última Olimpíada dele, então ele pediu para todos ali que pudessem dar o máximo para tentar conquistar essa última medalha para ele. Acho que todos os atletas viraram a chavinha, conseguiram dar a volta por cima ali mesmo num momento adverso e a gente conseguiu fazer um baita jogo contra a França”.
Argentina: clássico, banco decisivo e força do grupo
Nas quartas de final, o Brasil enfrentou a Argentina, líder do Grupo B, que havia avançado com quatro vitórias e apenas uma derrota. O clássico sul-americano terminou com vitória brasileira por 3 sets a 1, parciais de 25/22, 17/25, 25/19 e 25/23, em 17 de agosto. Wallace terminou como maior pontuador do confronto, com 24 pontos, e Lucão contribuiu com 11. O oposto resgatou que a vitória sobre a França devolveu a confiança ao Brasil e colocou a equipe em outro estado emocional para o mata-mata. A Argentina, por outro lado, terminou em primeiro no outro grupo e acabou cruzando com uma seleção brasileira embalada.
“A partir do momento que a gente ganha da França, a confiança volta. O que não dava certo, passou a dar. A gente deu até uma certa sorte da Argentina, na verdade, a Argentina deu um grande azar de ter classificado em primeiro e pegar logo o Brasil em umas quartas. Eu tenho certeza que não era isso que eles esperavam ficando em primeiro. Então, ali a gente falou ‘ah cara isso tem que estar para nós, não tem condição da forma que foi o jogo contra a França’. Mas o jogo contra a Argentina também foi pegado, com várias defesas absurdas. Enfim, acho que Tudo foi pelo caminho que tinha que ser feito”, declarou Wallace.
Demonstração de força coletiva
Para Lucão, o jogo contra a Argentina foi a maior demonstração de força coletiva do Brasil na campanha. O central destacou a qualidade do rival, especialmente no levantamento, e a importância de jogadores que saíram do banco. “A gente fez jogos extremamente difíceis durante o ciclo todo contra a Argentina. Era uma equipe que tinha uma qualidade técnica muito boa, um levantador fora do comum, um dos melhores que eu já vi jogar (De Cecco), que se a gente não sacasse muito bem, sabia que teria dificuldade porque ele ia imprimir um jogo muito difícil de marcar. Eles jogaram boa parte do tempo com o passe na mão e ele conseguiu fazer uma distribuição muito boa”, relembrou o central elogiando o levantador Luciano De Cecco.
O central exaltou também a força do elenco. “Acho que nosso banco fez a diferença em momentos cruciais naquele jogo. O Willian (Arjona, levantador) entra, pega uma bola de segunda maravilhosa, onde a gente tem um contra-ataque, consegue passar na frente, se não me engano, no final do quarto set. O jogo contra a Argentina foi o que mostrou mais que a gente tinha um grupo muito qualificado, que qualquer um poderia estar ali dentro de quadra. E isso acaba dando mais força ainda para quem vem no banco, não está participando tanto, entrar e fazer a diferença. Ali foi a foi a maior vitória do grupo como um todo, mesmo porque a Argentina realmente estava fazendo uma excelente Olimpíada”, comentou Lucão.
Rússia: revanche de Londres-2012 e atuação dominante
Na semifinal, o Brasil reencontrou a Rússia, algoz da final olímpica de Londres-2012. Desta vez, a seleção brasileira venceu por 3 sets a 0, parciais de 25/21, 25/20 e 25/17, no dia 19 de agosto. Wallace fechou como maior pontuador da partida, com 18 pontos, e Lucão colaborou com sete. O placar surpreendeu até o oposto, que se recordou que a seleção brasileira passou a jogar, a partir da vitória contra a França, em um nível que ele considera raro.
“Eu não esperava um 3 a 0. Passamos o carro mesmo. Então assim, esse 3 a 0 aí contra a Rússia a gente não esperava, mas a gente viu o que eles sentiram em alguns momentos ali. Daí a equipe se aproveitou disso. Eles tinham um cara grande, como o ponteiro Tetyukhin, jogador experientíssimo ali, mas o nosso time estava jogando muito bem. Das oitavas em diante, a seleção jogou em um nível que nunca vi coisa igual”, ressaltou Wallace.
Lucão também apontou o peso emocional do confronto. Para os remanescentes de 2012, havia uma memória ainda aberta da derrota em Londres. “Acho que estava um pouco engasgado. Se for pegar em termos assim, foi nossa melhor partida, mas eles acabaram jogando um pouco abaixo também. Isso fez com que o placar fosse um pouco diferente do que tinha sido durante o ciclo inteiro. A gente conseguiu jogar muito bem, eliminou tudo, mas a gente estava com aquilo lá um pouco engasgado de 2012, principalmente quem participou, quem teve lá. Não queria sentir aquele gostinho de novo de perder para eles”, admitiu Lucão.
“Claro que, toda vez que encostavam ou estavam ali, a gente fica com aquela dúvida. Dessa vez eles não vão virar, dessa vez eles não vão passar por cima. E foi o que aconteceu. A gente conseguiu ter uma partida constante o tempo inteiro. Isso deu muita confiança para a gente chegar na final”, concluiu sobre o tema.
Itália: final perfeita contra rival que já havia vencido o Brasil
Na decisão, o Brasil voltou a enfrentar a Itália, adversário que havia vencido a seleção na fase de grupos. Desta vez, o roteiro foi diferente. O time brasileiro ganhou por 3 sets a 0, parciais de 25/22, 28/26 e 26/24, no dia 21 de agosto, e ficou com o ouro olímpico. Wallace liderou a partida com 20 pontos, enquanto Lucão fez sete. O central resgatou que o time comandado por Bernardinho precisava diminuir os erros, sacar bem e montar um sistema de bloqueio consistente para conter nomes como o oposto Zaytsev e o ponteiro Juantorena.
“A gente sabia que, contra o time da Itália, tinha que errar o menos possível e ter um sistema de bloqueio muito consistente, porque eles tinham excelentes atacantes. Tanto o Zaytsev na saída quanto o Juantorena na ponta. Então era uma coisa que era muito pesado para a gente. Então, mais uma vez, a equipe sabia que ia depender muito do nosso saque pra ter uma composição boa de bloqueio. A gente conseguiu quebrar eles bastante durante o jogo todo, conseguiu ter isso, e a equipe teve uma rodada de bola muito interessante, muito boa”, avaliou Lucão.

Trauma de 2012 incomodou Wallace
Wallace admitiu que, mesmo com o Brasil em vantagem, a lembrança de Londres-2012 passou pela cabeça em momentos de pressão no terceiro set. “Um 3 a 0 contra a Itália, depois de ter perdido 3 a 1 para eles na fase classificatória, também era um placar que eu não esperava, tanto que o terceiro set ficou ali no vai à dois. Não vou mentir que em alguns momentos passou pela minha cabeça que poderia acontecer a mesma coisa de 2012. Mas eu dizia: ‘não é possível, não dá’. Juro que passou, mas assim, não de ficar acanhado, de só passar a bola lá pra ver o que vai acontecer. Mas passou. Pelo menos na minha cabeça passou, não sei dos outros atletas, mas na minha passou e eu falei: ‘não vou deixar isso acontecer de novo, não vou mesmo'”, contou o oposto.
Para Lucão, a final foi um dos melhores jogos do Brasil em termos de execução tática, técnica e controle emocional. “De todos os jogos, claro, o jogo da França foi emocionante pra caramba, eu também falei da Rússia sobre ter sido o nosso melhor jogo, só que a Rússia não impôs um poder tão forte quanto a Itália durante o jogo inteiro. Mas ali, em termos táticos, técnicos e de suportar a pressão, foi um dos melhores jogos que a gente fez naquela Olimpíada”, garantiu o central
Wallace: eficiência acima dos pontos
Wallace foi lembrado na entrevista que finalizou como o maior pontuador brasileiro da campanha na Rio-2016. Mas, ao falar sobre estatísticas, o oposto afirmou que sempre olhou mais para eficiência do que para número bruto de pontos. “Não tenho ideia. Eu gosto de ver a questão estatística. Não em pontos, eu gosto de ver muita eficiência. Então, assim, se eu fui eficaz, consegui ajudar o time de alguma forma, para mim está 100%, não tem problema nenhum”.
Entre os pontos que ficaram na memória, o oposto citou uma bola contra a Rússia, na semifinal, depois de um levantamento de Serginho. “Cara, vou te falar, acho que contra a Rússia, teve um contra-ataque, lembro perfeitamente. Sobrou para o Escada (Serginho) levantar e falei, sabe quando você está no dia, você fala, o cara não vai pegar essa bola. E não pegou, rodamos, passamos para a final, recebi essa última bola e rodei. Ali você tira uma tonelada das suas costas Agora é hora de separar os meninos das crianças”, recordou o confiante Wallace.
Lucão: o maior título da carreira
Para Lucão, o ouro na Rio-2016 ocupa o ponto mais alto da carreira. O central resume a conquista como o auge possível para um atleta olímpico. “Com toda certeza. O auge de um atleta é chegar numa Olimpíada, depois conquistar uma medalha, e, se puder, uma medalha de ouro, não tem conquista maior do que essa para um atleta”, afirmou o central. Ao relembrar lances específicos, o atacante pelo meio de rede citou uma bola no fim do terceiro set, quando conseguiu rodar mesmo com o bloqueio montado.
“Eu sou muito ruim de memória. Até brinco que tenho um blackout das coisas que acontecem, principalmente das minhas ações dentro de quadra. Mas lembro que no final do terceiro set, eu acho uma coisa assim, o Bruno (levantador) me dá uma bola que está bem afastada e eu consigo rodar com o bloqueio montado, que é um momento que a gente consegue abrir um ponto. Então ali é uma das poucas coisas que lembro, mas realmente sou muito ruim de memória disso aí”.
Família, Maracanãzinho e a bolha olímpica
Fora de quadra, os dois também guardam lembranças diferentes da Rio-2016. Lucão destacou a cerimônia de abertura, as conversas na Vila Olímpica e a rotina de jogos que terminavam tarde, com o grupo ainda sem conseguir dormir depois das partidas. O central também contou que, em 2016, ficou mais fechado do que em Londres-2012. Com foco total no resultado, viveu uma espécie de bolha durante os Jogos.
“Em 2016 eu realmente fiquei muito numa bolha. Por a gente estar num apartamento que tinha cinco quartos, então consegui ficar num quarto sozinho. Então, fiquei muito numa bolha minha fechada, no tempo que dava pra descansar, eu descansava. Só saía para treinar, voltava para o quarto e meu foco estava 100% ali na Olimpíada. Em 2012, que foi a minha primeira, eu consegui ter acesso e conhecer outros ídolos do esporte. Eu tirei foto e tal, mas nessa aí, realmente, eu não encontrei ninguém. Fiquei bem focado no que tinha pra fazer e determinado. Eu me fechei numa bolha e só pensava no resultado final”, enfatizou Lucão.
Wallace, por sua vez, contou sobre aa presença da família como combustível. Para ele, jogar uma Olimpíada em casa permitiu dividir a conquista com pessoas que normalmente ficam longe durante a rotina de competições. “Acho que, primeiro de tudo, a família. Não é qualquer lugar que você consegue ir e levar as famílias para ver os jogos. E isso com certeza foi um combustível a mais que teve nessa Olimpíada em casa. E muito disso é por eles. A gente passa muito tempo longe de casa, deixa eles longe, mãe, pai, esposa, cuidando dos filhos, é complicado. Então, a gente tem que fazer valer por onde esse sacrifício de ficar longe deles”.
Wallace no auge
O oposto Wallace também considera a Rio-2016 seu auge individual. A maturidade técnica, somada à condição física, fez daquele período o ponto mais alto da carreira. “Eu acho que sim. Em 2012 eu era mais jovem, óbvio, tinha muita saúde, mas acho que na Olimpíada de 2016 eu ainda tinha uma saúde legal e já conseguia enxergar a quadra diferente, conseguia ter um olhar mais clínico para as coisas que eu fazia, mais experiente para o que eu conseguia fazer. Então, sim, eu acho que foi meu auge. Entre ali, vou falar, de 2014 até 2018, foi meu auge, sim”.
O ouro do Brasil no vôlei masculino na Rio-2016 não foi uma campanha linear. Os atletas, a comissão técnica e os torcedores vivenciaram uma história de oscilação, pressão, quase eliminação e resposta coletiva. Para Wallace, era uma missão de ouro desde o início. Para Lucão, foi passo a passo, batalha após batalha. No fim, os dois caminhos se encontraram no mesmo lugar: o topo do pódio olímpico dentro de casa para as duas principais referências ofensivas da seleção brasileira e seus demais companheiros.

* Colaboração Fabrizio Giachero



