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Douglas e Maurício em nova final de Superliga dez anos após ouro olímpico



Campeões olímpicos, os ponteiros Douglas Souza, do Sada Cruzeiro, e Maurício Borges, do Vôlei Renata, relembram parceria histórica pelo Brasil antes de duelaram em nova decisão da Superliga, uma década após o ouro na Rio-2016



Douglas Souza e Maurício Borges são campeões olímpicas e compartilham a posição de ponteiro (Fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)
Douglas Souza e Maurício Borges são campeões olímpicas e compartilham a posição de ponteiro (Fotos: Wander Roberto/Inovafoto/CBV)

O Maracanãzinho ficou para trás há quase uma década, mas algumas conexões sobrevivem ao tempo. Neste domingo (10), a final da Superliga 2025/26 de vôlei masculino entre Sada Cruzeiro e Vôlei Renata colocará frente a frente dois campeões olímpicos na Rio-2016 que compartilham posição. E os dois dividiram muito mais do que a quadra da seleção brasileira. Isso porque os ponteiros Douglas Souza e Maurício Borges também eram companheiros de quarto. Agora rivais em mais uma decisão nacional, os dois reencontram no Ginásio do Ibirapuera uma trajetória de títulos, convivência diária e histórias.

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“O Borges é um cara incrível”

Douglas Souza, de 30 anos, falou em entrevista ao Olimpíada Todo Dia (OTD) com bastante emoção sobre momento de reencontro com Maurício Borges, 37, em mais uma final importante da carreira. Entre lembranças da convivência na seleção brasileira e admiração pelo ponteiro do Campinas, o campeão olímpico destacou o quanto ainda se impressiona com essa geração. “O Borges é um cara incrível. Eu acho ele muito batalhador. Lembro muito da gente em 2021, eu fazendo loucuras no quarto e ele gravava muitas coisas, então ele ficava se cagando de rir ali no backstage, mas ele é uma pessoa incrível”, disse.

“Falando como jogador, eu acho que sou muito técnico, mas ele é muito mais porque ele trabalha muito com isso. Eu ainda, por causa da idade, talvez tenha um pouco mais de físico do que ele, mas aí ele compensa isso com muito técnica. Acho o passe dele incrível, o saque dele é muito regular, o ataque também, pois quando monta um bloqueio, ele sabe sair, sabe usar o bloqueio, então, ele é um jogador bem completinho. Portanto, logicamente que gosto bastante e uso como inspiração. A final vai ser um show à parte porque tem muitos jogadores de alto nível”, acrescentou Douglas Souza.

Para completar sobre esse tema, Douglas Souza relembra com muita clareza sobre a final olímpica. “Me falaram ali agora e eu fiquei tipo, gente, dez anos, e lembro do Maracanãzinho como se fosse ontem, assim, tenho vídeo do meu celular disso. Então, é muito emocionante e legal fazer parte dessa história. É muito louco parar e pensar: ‘nossa, assisti esses caras na televisão e, do nada, eu estou lá no meio deles, jogando junto com eles e sendo respeitado igual eles’. É incrível poder fazer parte dessa história”.

“Douglas é um cara sensacional”

Do outro lado, Maurício Borges também relembrou a convivência próxima com Douglas Souza durante o ciclo olímpico da seleção brasileira tanto na Rio-2016 quanto em Tóquio-2021 e destacou a felicidade em reencontrá-lo em mais uma final. “Então, é bacana a gente relembrar esses dez anos do ouro olímpico e fico muito feliz em ter dividido não só a quadra, mas ele era um parceiro de quarto também. O Douglas é um cara sensacional, um fenômeno. Ele tem tudo para crescer ainda mais porque é muito novo ainda. Mas, espero que a gente possa sair com a vitória no domingo”, destacou o atleta do Vôlei Renata.

Maurício Borges também comentou sobre os bastidores da convivência com Douglas Souza e o período em que acompanhou de perto a explosão do ponteiro nas redes sociais. “É loucura, né? Ele pedia pra eu fazer as coisas lá, eu ajudava um pouco, mas bacana ter participado um pouco ali da ascensão dele, não só no voleibol, mas como fora, nas redes sociais”. O jogador do time campineiro compartilhou quarto com Douglas Souza em Tóquio-2021. Essa foi a edição da Olimpíada que não teve público por causa da pandemia da Covid-19 e os vídeos viralizaram neste momento de isolamento mundial.

Experiência em quadra, legado fora dela

Além do reencontro entre campeões olímpicos, a decisão também marca diferentes momentos da carreira dos dois ponteiros. Maurício Borges vive papel mais experiente dentro do elenco do Vôlei Renata e destacou a importância de dividir vivências com os mais jovens. “Fico feliz em poder dividir um pouco da minha experiência com essa garotada que está dentro da quadra e os que estão fora também, ali no chiqueirinho (nome dado ao local onde ficam os reservas). O dia a dia ali é muito legal com eles, é brincadeira o tempo inteiro. Acho bacana poder passar um pouquinho da minha experiência para eles”.

Já Douglas Souza falou sobre a relação construída com os fãs ao longo da carreira e o impacto que isso tem na sua trajetória. “Gente, na minha cabeça é um negócio muito doido, assim, porque sou uma pessoa totalmente normal, sabe? Tenho maus dias, tenho dias de mau humor para caramba também, ou seja, eu sou muito chato e tenho esse meu jeitinho. Só que as pessoas, de algum jeito, se identificam com isso. Sinto que elas gostam dessa realidade, gostam de você ser você, ser verdadeiro e autêntico, termos que elas costumam dizer sobre mim”.

Final é outra história

Apesar de o Sada Cruzeiro ter perdido todos os jogos para o Vôlei Renata na temporada, Douglas Souza reforçou que finais têm dinâmica própria e que o histórico recente não entra em quadra. “Acho que final é final. Cada jogo é uma história que é construída e contada de uma forma diferente, assim como cada set é construído e contado de maneiras diferentes. Então, acho que no domingo, dez horas da manhã, vai ser uma história totalmente diferente. Vamos construir isso daí e ver como é que vai ser. Acho que final é muito mais entrega e coração porque todo mundo já treinou muito durante a temporada”, disse.

“Agora é momento de desfrutar, de a gente deixar tudo que a gente puder com o nosso coração. Confiar em cada um, é ali no olho no olho. O Campinas tem sim sido uma pedrinha no sapato do Sada Cruzeiro, mas é final em um dia, é um jogo e tudo pode acontecer. E já ocorreu isso com o feminino, já que o Praia perdeu também pro Minas o campeonato inteiro e na final meteu um 3 a 0 que ninguém viu. Tá tudo certo e isso faz parte do esporte. Isso quer dizer que pode acontecer com a gente, conseguir encaixar o time e sair com a vitória, que é o que a gente quer”, concluiu Douglas Souza.

Na temporada, os times se enfrentaram quatro vezes e o Vôlei Renata ganhou todas. O time campineiro venceu nos dois turnos da fase de classificação da Superliga e nas decisões do Sul-Americano e da Copa Brasil. Pelo Campinas, Maurício Borges valorizou o peso de disputar mais uma final no Ibirapuera. “Muito bacana voltar mais um ano numa final de Superliga e jogar no Ibirapuera, que é sensacional. A sensação de estar lotado, com a torcida gritando seu nome, o nome da sua equipe, é muito gratificante e sinal que nossa equipe está no caminho para correr atrás e de lutar por mais um título”.

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