Siga o OTD

Paralímpicos

Em um ano, levantamento de peso tentará entrar para a história

Equipe brasileira estreará nos Jogos Paralímpicos de Tóquio na busca para conquistar mais de uma medalha olímpica, algo que nunca aconteceu ao país em Paralimpíadas

Equipe brasileira medalhista de prata no Mundial em 2019 (arquivo)

Daqui exatamente um ano, começará o levantamento de peso nos Jogos Paralímpicos de Tóquio. Cento e oitenta atletas competirão em 20 provas, dez no masculino e dez no feminino, em busca de um lugar no pódio mais desejado do esporte. Com apenas uma medalha paralímpica na história da modalidade, o Brasil tem tudo para superar por muito essa marca.

Diferentemente de outras modalidades, o levantamento de peso ainda não possui nenhum atleta 100% garantido nos Jogos. As vagas virão após o fechamento do ranking mundial, algo que provavelmente ocorrerá em abril de 2021.

No entanto, já é possível dizer quem são os paratletas de maior destaque, e que pelos resultados expressivos durante o ciclo paralímpico, têm tudo para estar presentes nos Jogos do Japão. O Olimpíada Todo Dia preparou um mini-guia com os principais nomes brasileiros que têm tudo para fazer a melhor campanha do Brasil na história da modalidade em Paralimpíadas. Confira!

+ Andrew Parsons vê paradesporto de alto rendimento excludente

O ciclo paralímpico

O Brasil chegará em Tóquio muito mais forte e levantando muito mais peso do que nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro há quatro anos. Na ocasião, o país levou uma medalha, a de prata na categoria até 88 kg com Evânio da Silva. A conquista ficou marcada no levantamento de peso brasileiro, já que foi a primeira do Brasil na história dos Jogos Paralímpicos.

+ SIGA O OTD NO YOUTUBE, NOINSTAGRAM E NO FACEBOOK

O triunfo de Evânio ajudou a impulsionar a modalidade. De 2016 para cá, o medalhista paralímpico se manteve no topo e ainda recebeu a companhia de outros grandes nomes que figuram entre os melhores do mundo. Atualmente, sete figuram nas primeiras posições dos ranking mundiais de suas respectivas categorias. Dentre eles:

  • João Maria França Júnior (até 49kg)
  • Bruno Carra (até 54 kg)
  • Ailton Bento de Souza (até 80kg)
  • Evânio Rodrigues da Silva (até 88 kg)
  • Mateus de Assis Silva (até 107 kg)
  • Lara Aparecida de Lima (até 41 kg)
  • Mariana D’Andrea (até 73 kg)

Todos estão atualmente entre os oito melhores de suas respectivas categorias, o que lhes asseguraria na competição em Tóquio se o ranking fosse fechado hoje.

Resultados expressivos

O Brasil conquistou excelentes resultados ao longo desses quatro anos nas principais competições do levantamento de peso paralímpico mundial.

Medalhista paralímpico, Evânio da Silva foi o único paratleta brasileiro a levar uma medalha para casa no Campeonato Mundial de 2017, realizado na Cidade do México. Na ocasião, ficou com o bronze na categoria até 88 kg.

Em um ano, o halterofilismo brasileiro estreia nos Jogos Paralímpicos de Tóquio; Evânio da Silva, Mariana D'Andrea, Bruno Carra e outros tentarão fazer história no Japão
Evânio da Silva competindo durante o Mundial (Ivo Felipe/CPB)

Dois anos mais tarde, no Mundial realizado no Cazaquistão, Evânio da Silva novamente faturou uma medalha, dessa vez a de prata no levantamento misto (prova que não está no programa paralímpico), ao lado de Bruno Carra e Mariana D’Andrea. Os três, por sinal, são grandes esperanças do levantamento de peso brasileiro nos Jogos do Japão.

Em um ano, o halterofilismo brasileiro estreia nos Jogos Paralímpicos de Tóquio; Evânio da Silva, Mariana D'Andrea, Bruno Carra e outros tentarão fazer história no Japão
Equipe brasileira medalhista de prata no Mundial em 2019 (arquivo)

Trio de peso

Evânio da Silva chegará como grande candidato a conquistar a sua segunda medalha paralímpica em Tóquio. Medalhista nos dois últimos mundiais, o baiano de Cícero Dias de 35 anos teve um grande ciclo, especialmente nos dois últimos anos.

Em 2019, além de medalhar no Mundial, foi campeão dos Jogos Para-Panamericanos. Em fevereiro de 2020, levantou 276 quilos na etapa da Copa do Mundo de Abuja, Nigéria. Essa foi melhor marca da categoria até 88kg até a pausa por conta da pandemia e deixou Evânio na liderança do ranking mundial.

Evânio com a medalha de ouro nos Jogos Para-Panamericanos (Paul Vallejos/Lima 2019)

Mariana D’Andrea é atualmente a melhor brasileira do levantamento de peso. Ela chegará em Tóquio após um 2019 repleto de conquistas: faturou o ouro na categoria até 67kg da etapa de Dubai da Copa do Mundo, estabeleceu novo recorde das Américas no Mundial do Cazaquistão, onde ficou a um quilo de conquistar a primeira medalha adulta do Brasil na competição, e ainda recebeu o Prêmio Paralímpico do CPB de melhor do país pelo segundo ano consecutivo.

Hoje, ela é a terceira melhor paratleta do ranking mundial na categoria até 73kg e terminou em segundo lugar na Copa do Mundo online de levantamento de peso após erguer 132 kg, melhor marca de sua carreira.

Destaques femininos Paralimpíadas Tóquio
Mariana D’Andrea no Prêmio Brasil Paralímpico (arquivo)

Terceiro dos medalhistas no levantamento misto de 2019, Bruno Carra é outro que chegará forte em Tóquio. Duas vezes medalhista de prata em Jogos Parapan-Americanos, acabou ficando na quinta colocação na categoria até 54kg no Mundial de 2019, muito próximo da medalha de bronze. 

Em 2020, porém, faturou a medalha de prata na Etapa da Copa do Mundo da Nigéria ao levantar 165 kg, algo que lhe rendeu a segunda colocação no ranking mundial.

Em um ano, Evânio da Silva, Mariana D'Andrea, Bruno Carra, Lara Aparecida e outros do halterofilismo brasileiro estreiam nos Jogos Paralímpicos de Tóquio
Bruno Carra em disputa na Nigéria (Ivo Felipe)

Outros grandes candidatos

Além dos três, João Maria França Júnior, Ailton Bento de Souza, Mateus de Assis Silva e Lara Aparecida tem tudo para brigar pelo pódio em Tóquio.

Medalhistas de ouro na Nigéria no início do ano, João França Júnior e Mateus de Assis Silva ocupam as segundas colocações no ranking de suas respectivas categorias.

Prata e Bronze na Etapa da Copa do Mundo realizado no país africano, Lara Aparecida e Aílton de Souza estão na quarta colocação do ranking e devem garantir vaga nos Jogos Paralímpicos de Tóquio.

Em um ano, o halterofilismo brasileiro estreia nos Jogos Paralímpicos de Tóquio; Evânio da Silva, Mariana D'Andrea, Bruno Carra e outros tentarão fazer história no Japão

Rivais

Todos os sete brasileiros terão grandes adversários em Tóquio, principalmente dos países que dominam o levantamento de peso mundial: China, Nigéria, Irã e Egito.

Nos dois últimos Mundiais, a China liderou o quadro de medalhas, faturando 12 e 16 medalhas, respectivamente. A Nigéria ficou em segundo nas duas ocasiões, com 10 e 8 medalhas, seguida de perto por Irã e Egito, 3º e 4º colocados nas duas vezes.

Jordânia, Rússia e Grécia também aparecem bem em algumas categorias envolvendo os brasileiros.

Mais em Paralímpicos