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Ginástica Artística

Simone Biles na capa da Vogue: cover girl, oh yeah!

Uma reflexão sobre a capa de agosto da revista Vogue, que estampa a ginasta Simone Biles

(Annie Leibovitz)

A reflexão sobre a capa da Vogue começa em 2016 quando iniciei minha transição de carreira da moda para o esporte. Parece um abismo, mas acredite, não é. Ser da área de negócios facilitou bastante o processo, mas tem uma coisa que foi crucial para mim: sempre vi a moda muito além do look do dia.

Simone Biles fotografada por Annie Leibovitz veste Dior Haute Couture (Reprodução)
Simone Biles fotografada por Annie Leibovitz veste Dior Haute Couture.

Analisar a moda como ferramenta apurou meu olhar não só para negócios. Moda é comunicação, marketing e comportamento. Esse último, uma diretriz essencial para muitos mercados, inclusive o esporte.

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Enquanto no esporte a meritocracia embasava discursos, a moda sempre passou o pano para padrões de beleza. Nunca foi “merecimento”, mas encaixe. Um mercado que oprimiu mulheres (e homens) por tanto tempo deve não só mudar o discurso, mas construir novas e ressignificadas narrativas.

Poderosa e empoderada

No início desse mês, a “Vogue Magazine” (EUA), anunciou como capa de agosto a ginasta Simone Biles, que dispensa qualquer apresentação. A matéria, assinada pela jornalista Abby Aguirre, traz uma entrevista poderosa e empoderada com Simone.

Trazer uma atleta para a capa em um ano que a própria Olimpíada foi adiada é, em um país como os EUA, abrir espaço para um debate ainda maior. É sobre gênero, sobre (a quebra do) padrão de beleza, sobre mulheres negras e abusos. É sobre esporte também – que não se resume à uma conquista olímpica, mas na construção de uma carreira sólida.

Simone Biles fotografada por Annie Leibovitz veste Bottega Veneta (Reprodução) - capa Vogue
Simone Biles fotografada por Annie Leibovitz veste Bottega Veneta (Reprodução)

Não é sobre Simone Biles, mas tudo que ela representa. Entende como um Dior pode ficar – além de lindo – muito pequeno diante do legado de uma mulher?

Se analisar mais fundo, vai perceber que ginastas – apesar das INÚMERAS CONQUISTAS – nunca fizeram parte do padrão imposto pela indústria da moda. “Ombros largos demais”, “músculos definidos”, “pernas grossas”.

O padrão só serve para te mostrar que um corpo potente, não vem do padrão, vem da ação. Simone é capa da Vogue não pelo corpo, mas pelo legado. É a maior atleta dos últimos tempos.

+ Habito um corpo mulher, por Etiene Medeiros

Todos os dias quebramos estruturas sociais, não à toa que a moda entra mais uma vez em colapso. O padrão oferecido até pouco tempo atrás já não nos cabe mais – ainda bem.

Um Dior Haute Couture é bom, mas o melhor look ainda é o pódio.

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