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Duda Miccuci: quarentena em família e saudade da piscina

Em live da CBDA, Duda contou sobre a adaptação dos treinos e a companhia da irmã Laura e dos pais durante a pandemia

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Duda Miccuci é atleta do Flamengo de nado sincronizado (Foto: Divulgação/Flamengo)

Há mais de um mês longe das piscinas, seu habitat natural, a saudade começa a bater em Maria Eduarda Miccuci, a Duda. Atleta de nado sincronizado da seleção brasileira, a carioca tem sentido falta de cair na água e precisou adaptar os treinos em casa para minimizar os prejuízos em tempo de quarenta e pandemia de coronavírus.

E para isso, Duda tem companhia. Além da irmã Laura, que também é atleta do nado sincronizado, Duda colocou os pais para treinar junto com elas.

“A gente recebeu um planejamento de treino, divido em musculação, alongamento, zala. E aí bota a família toda para malhar. A minha irmã tem um treino separado, então ela faz o dela, eu o meu, e meus pais se dividem entre a gente”, contou em uma live da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA).

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A zala é uma mistura de movimentos e um tipo de treinamento específico que trabalha musculatura, flexibilidade e postura e tem sido importante na preparação de Duda.

“A gente tem feito o possível, mas não é a mesma coisa. Tem atletas que têm piscina, mas eu e a maioria não temos. Então é focar na parte física mesmo, tentando manter o máximo parecido com que a gente fazia, repetindo os movimentos da água fora e tentando reproduzir o trabalho de pernas para não perder a noção corporal que a gente tem”, explicou.

Preocupação com a volta aos treinos

Duda disse também que o processo de retorno aos treinos depois da pandemia de coronavírus será complicado. “A saudade está grande! Quando a gente está treinando, quer férias, e agora quer voltar o quanto antes. Mas com certeza quando a gente voltar vai ser aquele sentimento de não saber fazer nada. A falta do contato com a água faz muita diferença. Mesmo a parte da preparação física não é igual, não tem os mesmos aparelhos de musculação… Mas nada que não se resolva. A gente volta no gás e pega tudo rápido”.

Começo no nado e inspiração

Duda Miccuci conheceu o nado sincronizado quando morava em João Pessoa (PB). Assim como muitos, ela não conhecia muito sobre o esporte, mas foi paixão à primeira vista.

“A maioria começa por algum esporte relacionado. No meu caso, eu fazia natação e balé e descobri que tinha nado sincronizado perto da minha casa. Não sabia nada, fui lá experimentar o que era e me apaixonei. Aí me mudei para o Rio de Janeiro, continuei trenando e foi quando consegui minha primeira seleção, no juvenil, em 2009”, contou.

Duda representa o Brasil na seleção desde os 14 anos, estando na equipe sênior desde 2012. Com participação na Rio 2016, a atleta falou sobre ser inspiração para outras pessoas e sobre representatividade feminina no esporte.

“O nado sincronizado é uma exceção, porque a maioria dos esportes são majoritariamente masculinos. E é muito importante pela representatividade e você acaba sendo inspiração para muita gente e sendo ídolo fora da água também”, afirmou.

+Laura Miccuci: quarentena com treinos adaptados e irmã como referência

Duda, porém, é inspiração para uma pessoa em particular: sua irmã, Laura. “É muito bom ter alguém, no caso dela, que já tenha passado por isso dentro de casa. Estou sempre dando dicas e ela sabe que estou aqui para tudo. Ela ouve bem, às vezes meio emburrada, mas ouve. É inevitável, quando você tá em busca do seu sonho”.

Experiência olímpica

Em 2016, Duda Miccuci pôde realizar o maior sonhos de todo atleta: participar de uma edição de Jogos Olímpicos. E foi ainda mais especial, já que foi em casa.

“Eu dei sorte, porque nasci na época que as Olimpíadas foram na minha casa. Minha maior emoção depois de entrar na Vila Olímpica, foi a abertura. Chorei horrores. A gente nunca teve um público tão grande torcendo pela gente. E foram as melhores nadadas que eu já tive. Não dá nem pra explicar”.

Comissão de atletas e visibilidade

Duda também faz parte da comissão de atletas da CBDA e falou da responsabilidade e importância do cargo.

“O atleta precisa ter voz, ser ouvido, e a comissão é um meio de fazer isso. É muito bom para ser uma representatividade para todo mundo. O mais importante é ouvir o que as pessoas têm a dizer, tentar passar isso e resolver da melhor maneira”.

Por fim, Duda destacou o crescimento do nado sincronizado nos últimos tempos e a necessidade de divulgação para que o esporte cresça ainda mais no Brasil.

“O nado já ganhou muito espaço, ficou muto conhecido. Antes quando eu falava, as pessoas perguntavam se era aquele esporte que fica com as perninhas para fora da água… Hoje, quando fala do nado sincronizado, as pessoas já sabem o que é. A divulgação é muito importante e as redes sociais servem também ajudam nisso e para aproximar mais as pessoas da modalidade”, finalizou.

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