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Tóquio 2020

Ofurô Olímpico #16: Arigato, Tóquio-2020! E que venha Paris-2024

Brasil confirma as previsões e faz uma campanha histórica em uma Olimpíada que superou todos os obstáculos causados pela pandemia

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Cerimônia de encerramento dos Jogos de Tóquio, que marcou uma campanha inédita do Brasil em Olimpíadas (Jonne Roriz/COB)

Qual é a sua primeira lembrança olímpica?

A minha vem lá de 1976, dos Jogos de Montreal. De férias na escola, recordo de tentar anotar, num caderno, todos os resultados e medalhas conquistadas pelos atletas. Provavelmente não consegui. Mas um fato ficou marcado para mim: por que o Brasil ganhava tão poucas medalhas?

Em Montreal, por exemplo, foram apenas duas. Dois bronzes, com João Carlos de Oliveira, o João do Pulo, no salto triplo, e na vela, com a dupla Reinaldo Conrad e Peter Ficker, na classe Flying Dutchman. E só.

Ao poucos, fui descobrindo que aquela era a nossa realidade. Duas, três medalhas no máximo, por edição. Durante muitos anos, no universo olímpico, vivemos na periferia, embora sempre contando com atletas entre os melhores do mundo no atletismo, natação, basquete, judô e vôlei.

Só que aos poucos, conseguimos literalmente subir de patamar. Às custas de talento, trabalho e muito investimento, o Brasil ainda não pode ser chamado de potência olímpica, é óbvio, mas já é visto em pé de igualdade por países com muito mais tradição esportiva.

Era esperado que nos Jogos de Tóquio-2020, o Time Brasil alcançasse a melhor campanha de sua história. A meta foi atingida, com pontos de evolução visíveis. As 21 medalhas, duas a mais do que na Rio-2016, deixou o Brasil na 12ª colocação no quadro geral, feito igualmente inédito. Foi a segunda vez que um país que recebeu a Olimpíada conseguiu melhorar sua performance na edição seguinte.

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Como não destacar ainda que foram conquistadas medalhas em 13 modalidades diferentes, sinal óbvio de evolução esportiva. Assim como é motivo de festa que pela primeira vez tivemos nove medalhas femininas nesta Olimpíada, sendo três de ouro.

Em meio a tantos feitos inéditos e históricos do Brasil – o ouro de Isaquias Queiroz, as conquistas de Rebeca Andrade, as medalhas do surfe e no skate, estreantes nos Jogos –, é preciso ressaltar a obstinação do Japão em conseguir levar a Olimpíada até o fim. A mais improvável de todas, com uma sob ameaça de uma pandemia, impondo restrições e protocolos de segurança. Que não foram perfeitos, porque não teria como derrotar o vírus, mas não impediram que lindas histórias fossem contadas.

Com o fim de Tóquio-2020, as atenções passam a ficar com Paris-2024. Os Jogos Olímpicos que prometem igualdade de gênero entre atletas participantes pela primeira vez na história. Uma Olimpíada que promete entregar cenários icônicos, como o vôlei de praia sendo disputado ao lado da Torre Eiffel. A edição que colocará o breakdance como uma das novas modalidades, rompendo fronteiras novamente.

Para o Brasil, fica o desejo que os ótimos resultados obtidos no Japão consigam se manter daqui a três anos. Não será fácil, especialmente com a crise econômica no país que atrapalha a chegada de novos investimentos. Que possamos ver, ao final de Paris-2024, um sentimento de satisfação como o que deixamos em Tóquio-2020.

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