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Indisciplina e reclamações marcam teste de protocolo de saúde para Tóquio-2020

Copa do Mundo de saltos ornamentais coloca em prática as contramedidas para a Covid-19, mas nem todos levaram muito a sério

Saltos ornamentais Copa do Mundo
Primeiro dia da Copa do Mundo de saltos ornamentais em Tóquio viu cenas aglomeração na área de competição (Reprodução)

Evento que foi cercado por polêmicas e que abriu um desentendimento público entre a Fina (Federação Internacional de Natação) e o comitê organizador da Olimpíada Tóquio-2020, a Copa do Mundo de saltos ornamentais começou no último sábado (1º). A competição, classificatória para os Jogos Olímpicos, é também um evento-teste dos protocolos de saúde contra a Covid-19. O torneio, porém, está sendo marcado por descuidos nas regras de segurança e reclamações entre os participantes.

Relatos do primeiro dia de treinamento no centro aquático de Tóquio mostram que nem todos levaram muito a sério algumas das recomendações de distanciamento social. Segundo o jornal japonês “The Mainichi”, diversos atletas foram flagrados sem máscara se aglomerando para subir na plataforma de saltos, enquanto técnicos e outras pessoas estavam ao lado da piscina, também muito próximos.

Marcadores ao lado da plataforma foram instalados para ajudar no distanciamento, porém foram ignorados. O site “Inside the Games” relatou que o locutor do centro aquático chegou a advertir os atletas para evitarem as aglomerações, sem muito sucesso.

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Pelos protocolos estabelecidos, os atletas que participam da Copa do Mundo de saltos ornamentais passam por testes diários de Covid-19, após terem sido testados 72h antes de chegar a Tóquio. Há também de restrição de deslocamento das delegações, que só podem deixar o hotel em direção ao centro aquático.

Os rigores do protocolo causaram desconforto em algumas pessoas. A saltadora americana Sarah Bacon disse que eles não tinha permissão para sair dos quartos e passear pelos arredores ou ter qualquer interação com outras pessoas. A atleta de Cingapura Fong Kay Yian disse ao jornal “The Straits Time” também reclamou de ser obrigada a ficar nesta “bolha” de segurança. “É frustrante não ter liberdade para sair e comprar o que queremos, como comida por exemplo”, afirmou.

Já a canadense Jennifer Abel, classificada para a Olimpíada de Tóquio no trampolim sincronizado 3 m, aprovou os protocolos rigorosos. Para ela, o isolamento permitiu que ela se concentrasse apenas na competição. “O principal objetivo para todos é nos sentirmos seguros e estamos muito seguros aqui. Não poderíamos pedir melhores condições em relação à situação global da Covid”, afirmou, em entrevista ao site da Fina.

Competição em pleno estado de emergência em Tóquio

Em meio a uma nova onda da pandemia do coronavírus, com aumento diário no número de casos, a cidade de Tóquio está em estado de emergência, que impõe restrições de funcionamento de estabelecimentos e de circulação. Ainda assim, o comitê organizador assegurou que teria condições para receber a etapa da Copa do Mundo de saltos, que será realizada até a próxima quinta-feira (6).

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A dupla britânica Tom Daley e Mattew Lee levou o ouro e a vaga olímpica na plataforma sincronizada 10 m (Divulgação/Fina)

Este também é o primeiro evento esportivo com grande presença de atletas estrangeiros no Japão. Ao todo, estão inscritos nesta Copa do Mundo 225 saltadores representando 46 países.

Houve contudo quem não visse um cenário seguro para mandar seus atletas ao Japão neste momento. Foi o que aconteceu com a Austrália, que abriu mão de disputar a competição, causando a revolta de atletas que ainda brigavam por vaga olímpica.

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