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Cartola marca assembleia para antecipar eleição do handebol

Reunião virtual da próxima terça, convocada pelo presidente interino punido por assédio sexual, pode colocar um fim na crise do handebol

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Manoel Oliveira (à esq.) e Ricardo Souza, personagens principais da maior crise da história do handebol brasileiro (Divulgação)

A maior crise da história da história do handebol brasileiro pode estar chegando ao seu final. Nesta terça-feira (27), o presidente em exercício da CBHb (Confederação Brasileira de Handebol), Ricardo Souza, publicou edital convocando uma assembleia geral extraordinária na semana que vem, no dia 3. A pauta única da reunião, que será feita de forma virtual, é definir a antecipação da eleição na entidade, prevista originalmente para fevereiro de 2021. A intenção é que o pleito ocorra até no máximo a primeira quinzena de dezembro deste ano.

Para que a eleição seja antecipada, é necessário ter o voto de 3/4 da assembleia geral, composta por 48 membros com direito a votar, entre federações estaduais, presidentes de comissões, comissão de atletas e comissão de clubes. Confira aqui a íntegra do edital.

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Antecipar as eleições será a única forma de acabar com a crise institucional e moral que toma conta do handebol no Brasil. A modalidade, que não tem patrocinadores e está impedida de receber recursos da Lei Agnelo/Piva por problemas em prestações de contas de convênios públicos, tem um presidente que só está no cargo graças a uma liminar.

No começo de outubro, o Conselho de Ética do COB (Comitê Olímpico do Brasil) publicou decisão suspendendo Ricardo Souza por dois anos do movimento olímpico, em razão de assédio moral e sexual a uma funcionária da CBHb. Ricardinho, como o dirigente é conhecido, obteve uma liminar na Justiça Comum que lhe mantém no cargo.

Sem autoridade

Na prática, a presença do dirigente tornou-se um estorvo para o handebol. Em primeiro lugar, porque Ricardinho já fora impedido de participar da eleição no COB, no último dia 7. Ele nem teve reconhecido o representante que enviou ao Rio de Janeiro participar da assembleia que reelegeu Paulo Wanderley.

(PS: em contato com o blog, a CBHb alega que seu representante foi devidamente credenciado para participar da eleição. Mas optou por não participar da votação porque a chapa derrotada poderia entrar com ação na Justiça, em razão do caos jurídico no handebol.)

Em seguida, perdeu também a autoridade dentro de vários setores da modalidade. Capitão da seleção masculina, Thiagus Petrus publicou uma carta aberta detonando a constante troca de treinadores da equipe principal. Entre agosto e outubro, foram nada menos do que três mudanças.

O ponto alto da humilhação institucional do handebol do Brasil foi o pedido coletivo de demissão de 22 integrantes das comissões técnicas do handebol de praia. Eles alegaram que não reconhecem a legitimidade de Ricardinho no comando da CBHb.

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O cenário de caos chegou de vez nesta semana, após o COB anunciar um rompimento oficial com a confederação. “Enquanto a CBHb não eleger um novo representante legal, a comunicação entre o COB e a entidade está interrompida, assim como a avaliação dos projetos desenvolvidos em conjunto”, informou o COB, em nota oficial.

Contudo, esse rompimento já existia desde meados da semana passada. Segundo apurou o blog, neste período foi definido o cancelamento da participação da seleção masculina na Missão Europa. Por outro lado, a CBHb alega que graças ao aumento do número de casos de coronavírus em Portugal, foi ela quem desistiu da viagem no último final de semana.

Se a assembleia definir antecipar a eleição, poderemos presenciar o fim de uma dinastia que toma conta do handebol brasileiro há mais de 30 anos. Sim, porque se Ricardinho está no comando, isso só ocorreu por causa de Manoel Oliveira, que comandou a entidade desde o começo dos anos 90. Ele era o primeiro vice-presidente. Os antigos aliados romperam e passaram a lutar pelo poder na CBHb.

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Manoel Oliveira chegou a ser afastado do cargo em 2018, mas retornou em abril deste ano por decisão judicial. Em setembro, Manoel voltou a ser retirado do cargo, desta vez por decisão do Tribunal Regional Federal da 5ª Região.

Sem dinheiro, isolado pelo COB e com a credibilidade da confederação próxima do zero, o handebol do Brasil tem nos atletas seu último ativo de qualidade. Basta ver a presença dos maiores jogadores do país defendendo as melhores equipes da Europa. Portanto, daí a importância desta assembleia geral da próxima terça-feira. Ela definirá se a modalidade conseguirá finalmente sair do buraco no qual se enfiou.

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