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Laguna Olímpico

É bom ter cautela com otimismo do COI sobre ‘bolha olímpica’

Organizadores de Tóquio-2020 falam do protocolo que será usado na Olimpíada em 2021, que exigirá testes de Covid-19 mas dispensará quarentena para os atletas

Organizadores de Tóquio-2020 pretendem criar uma bolha de segurança para a Olimpíada no ano que vem (Facebook/masa.takays

É bom ter cautela com otimismo do COI sobre ‘bolha olímpica’

O relógio olímpico continua correndo. Nesta quinta-feira (24), faltam 301 dias para a abertura da Olimpíada de Tóquio-2020, adiada para 2021 em razão da pandemia do coronavírus. E as notícias que chegam do Japão são animadoras. Afinal, os organizadores divulgaram parte do protocolo que deverá ser adotado, criando uma espécie de “bolha olímpica” para permitir a realização dos Jogos. O COI (Comitê Olímpico Internacional) ainda não deu sua aprovação, mas isso deverá acontecer em breve.

Sem querer ser desmancha-prazeres de ninguém, mas será que há razão para tanto otimismo assim?

Pelo que foi divulgado, o protocolo japonês foi claramente inspirado no que vem sendo feito pela NBA desde que retomou sua temporada. Um sucesso absoluto, diga-se de passagem. Até agora, já com as finais de conferência em andamento, nenhum caso positivo foi registrado.

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Entre os pontos que foram estabelecidos pelo comitê Tóquio-2020, está a exigência para a realização de exames de Covid-19 em todos os atletas assim que desembarcarem no Japão. Além disso, eles deverão fazer um teste 72 horas antes do embarque, com o devido resultado negativo.

Toshiro Muto, CEO do Comitê Organizador de Tóquio (Reprodução/olympic.org/arquivo)

A “bolha olímpica” ainda prevê limitação de deslocamento dos atletas entre aeroporto, locais de aclimatação e Vila Olímpica. Há ainda a previsão de nova testagem antes da entrada nestes locais e que os deslocamentos serão realizados em veículos especiais. Este mesmo protocolo será aplicado aos atletas japoneses. Nada foi divulgado ainda neste protocolo de segurança a respeito de público nas arenas olímpicas.

Bolha furada?

Está tudo muito bacana, a princípio. O ponto falho, para mim, foi a não exigência da realização de uma quarentena de duas semanas, como ocorreu na NBA, por exemplo. Embora mesmo em eventos onde a quarentena foi exigida, como o US Open de tênis, recentemente encerrado, houve casos de tenistas que testaram positivo e precisaram deixar o torneio.

O inacreditável episódio dos casos positivos no Flamengo, após uma partida da Taça Libertadores nesta semana, também mostra que protocolos de segurança (no caso, da Conmebol) não são garantia absoluta de segurança. Os próprios testes de Covid-19 não têm 100% de eficiência, como estamos vendo em relação ao torneio de Roland Garros.

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A única certeza em relação ao coronavírus é que não se pode ter certeza de nada sobre a doença. Apenas uma vacina comprovadamente eficiente daria a segurança necessária para a realização de um evento que terá mais de 10 mil atletas do mundo todo, reunidos numa mesma cidade.

Mas tanto o CEO do comitê organizador de Tóquio-2020, Toshiro Muto, como políticos japoneses e o COI já afirmaram que o aparecimento de uma vacina não é obrigatório para que a Olimpíada aconteça. É um posicionamento oficial e diante da magnitude que tem os Jogos Olímpicos, necessário para dar tranquilidade a todos os envolvidos nele.

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Mas seria ideal também mostrar uma certa dose de cautela antes de jogar todas as fichas nesta tal “bolha olímpica”. A pandemia não acabou ainda. As notícias de novas ondas de casos na Europa aparecem todos os dias. No esporte, já tivemos notícias de partidas adiadas em razão de vários atletas contaminados, em várias modalidades.

No que diz respeito a este vírus que virou o planeta de cabeça para baixo em 2020, prudência em excesso nunca será demais.

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