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Thiago Braz encara quarentena com treinos ‘alternativos’

Dispensado pelo Pinheiros, Thiago Braz, campeão olímpico do salto com vara em 2016, segue treinando na Itália e elogia adiamento dos Jogos para 2021

Thiago Braz, do salto com vara
Thiago Braz comemora durante a prova do salto com vara na Olimpíada do Rio-2016 (Arquivo/OTD)

Quando encerrou sua participação em um meeting indoor (pista coberta) na França, no dia 8 de fevereiro, o brasileiro Thiago Braz não imaginava que aquela seria sua última competição durante muito tempo. Medalha de ouro no salto com vara nos Jogos Rio-2016, com direito a bater o recorde olímpico, Braz terminou em quarto lugar no Meeting de Rouen, com a marca 5,74 m. A temporada 2020 estava mal começando e o brasileiro vinha animado em caprichar na fase final da preparação para a Olimpíada de Tóquio, onde tentaria manter o título olímpico em julho próximo.

Ele só não contava que aparecesse no caminho um tal de coronavírus.

Logo após o evento na França, uma epidemia que começou na China no final de 2019 atravessou países e continentes. Logo transformou-se em pandemia, acumulou infectados e mortos. O resultado foi o congelamento das competições, em todas as modalidades, ao longo do planeta. O ponto culminante foi o adiamento dos Jogos de Tóquio para o ano que vem.

A pandemia paralisou o esporte em um momento no qual Braz buscava finalmente reencontrar os bons resultados, após um ciclo olímpico bastante atribulado. Foi em 2019 que o brasileiro obteve sua melhor marca desde o ouro olímpico, com os 5,92 m alcançados na etapa da Diamond League de Monaco, em julho.

Rivais só no ano que vem

Sem data confirmada para as competições voltarem, Thiago Braz não sabe quando poderá encarar na pista alguns de seus prováveis rivais no Japão no ano que vem, como o sueco Armand Duplantis, atual recordista mundial do salto com vara, ou o francês Renaud Lavillenie, rival do brasileiro na final olímpica de 2016.

Além dos problemas causados pelo coronavírus, Thiago Braz ainda tem que enfrentar transtornos pessoais. Segundo apurou reportagem publicada neste sábado (25) pelo blog “Olhar Olímpico”, do UOL, o Esporte Clube Pinheiros decidiu rescindir o contrato com Braz, que deveria durar até o final do ano. Segundo a reportagem, a decisão foi unilateral do clube, que se comprometeu a pagar 50% dos valores devidos até dezembro.

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Mas de qualquer forma, ele não ficará desamparado totalmente. Isso porque o atleta conta com outras fontes de renda. Entre elas, um contrato com a CBAt (Confederação Brasileira de Atletismo), dentro do Programa Premiação Caixa de Apoio aos Atletas e Treinadores, no valor de R$ 100 mil mensais, até 31/12/2020. Ele faz parte também do programa do governo federal Bolsa Pódio (R$ 11 mil/mês), tem contrato com a Nike e recebe ainda ajuda de custo do COB (Comitê Olímpico do Brasil) para custear sua preparação na Europa.

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Neste momento, Thiago Braz segue hospedado em Formia, na Itália, onde mora o o ucraniano Vitaly Petrov, seu treinador. Ele resolveu arriscar a permanecer por lá na quarentena, mesmo sendo em um dos países mais afetados pela pandemia. Em entrevista por e-mail ao Olimpíada Todo Dia, o brasileiro explica o motivo de ter ficado em Fornia, fala ainda da rotina de treinos sem competições e comenta sobre o adiamento da Olimpíada para o ano que vem.

Como está sendo treinar na Itália em meio à pandemia?

Thiago Braz – Estamos aproveitando o máximo possível dos espaços que nós temos em casa, adaptando tudo que dá. Fazemos exercícios em torno casa, na grama, amarramos uma corda entre as árvores e assim a gente vai se virando. Faço muitas abdominais, corro na esteira, flexão, etc. Por enquanto está sendo assim. Mas a motivação é a mesma de sempre para atingir o melhor rendimento físico possível. Neste momento, temos que manter pensamento positivo, porque logo isso tudo vai passar.  

Por que fez a opção de permanecer na Itália?

A escolha [de permanecer na Itália] veio muito antes dessa pandemia se espalhar. A intenção era para ter o mesmo ciclo de quando conquistei o ouro olímpico em 2016. Após minha competição na França, em fevereiro, não pensei duas vezes em voltar para a Itália. Infelizmente, não imaginava que pudéssemos viver um momento tão complicado e que poderia correr o risco de ficar sem treinar por meses. Mas quando toda essa situação ficou alarmante, resolvemos permanecer no mesmo local, ao lado do meu técnico. Foi uma decisão em conjunto com a minha equipe, o COB e a CBAt.

Ao lado de Vitaly Petrov, Thiago Braz mantém a forma em Fornia, na Itália

A Itália foi um dos países que mais sofreram com a pandemia. Como você lidou com o medo do contágio?

Acho que todos os países estão sofrendo com essa pandemia.  Mas nós estamos no norte da Itália, por aqui foi bem mais tranquilo. Não tive medo de me contaminar porque sempre tomamos todos os cuidados e por aqui, tiveram pouquíssimos casos.  

O que você sentiu quando foi anunciado o adiamento da Olimpíada para 2021?

Acho que temos que tirar algo positivo de todos os momentos difíceis das nossas vidas. Apesar de estar muito triste por conta do momento que estamos vivendo com essa pandemia terrível, ao mesmo tempo vou permanecer mais um ano como campeão olímpico. Além disso, não só eu, mas todos os atletas vão poder se preparar melhor para os Jogos. Acredito que no ano que vem a Olimpíada será um grande espetáculo para o mundo. 

Do ponto de vista esportivo, este adiamento foi positivo para você ?

Acho que foi bom para todos os atletas. Seria muito difícil conseguirmos fazer a preparação para uma Olimpíada, com o elevado nível que se exige, sem os atletas conseguirem treinar e competir normalmente. Foi a melhor coisa a se fazer.

Além dos treinos, o que tem feito para passar o tempo aí em Fornia?

Depois dos treinamentos, tenho procurado me ocupar com coisas para relaxar, como assistir a filmes e séries na TV ou jogar videogame.

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