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Curiosidades olímpicas

Maior nome do salto em altura só levou um ouro olímpico

Javier Sotomayor só ganhou duas medalhas olímpicas porque foi prejudicado por uma lesão e dois boicotes que contaram com a participação de Cuba

Javier Sotomayor é recordista mundial do salto em altura desde 1988 (World Athletics)

O cubano Javier Sotomayor é o maior nome da história do salto em altura. O atleta se tornou recordista mundial em 1988, melhorou a marca no ano seguinte e depois novamente em 1993. Ou seja, há 32 anos suas marcas estão no topo da modalidade sem que nenhum outro atleta do mundo consiga derrubá-las. Apesar dessa trajetória incrível, o atleta levou apenas uma medalha de ouro em Olimpíadas. Boa parte da culpa desse domínio dele na prova não ser traduzido em mais pódios olímpicos tem a ver com política, já que Cuba boicotou os Jogos de Los Angeles-1984 e Seul-1988.

Em 1984, Cuba fez parte do boicote do bloco socialista à Olimpíada realizada em solo americano. Foi uma retaliação ao boicote de quatro anos antes, quando o bloco capitalista, liderado pelos Estados Unidos, deixou de ir a Moscou-1980. Na época dos Jogos de Los Angeles, Javier Sotomayor tinha 17 anos e disputou sua primeira temporada profissional. Apesar da pouca idade, saltou 2,33 m em maio daquele ano, resultado que lhe daria a medalha de prata olímpica na prova, que foi vencida pelo alemão ocidental Dietmar Mogenburg, que marcou 2,35 m.

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Em 1988, Javir Sotomayor, aos 21 anos, quebrou o recorde mundial do salto em altura pela primeira vez ao marcar 2,43 m, superando a marca do sueco Patrik Sjöberg, que saltou 2,42 m um ano antes. Apesar do feito, o cubano não pôde mais uma vez brigar pelo ouro olímpico. Seu país resolveu acompanhar a Coreia do Norte, que boicotou os Jogos Olímpicos disputados em seu vizinho capitalista. Em Seul, a vitória na prova ficou com o soviético Hennady Avdieienko com 2,38 m.

Por conta dos boicotes que contaram com a participação de Cuba, Javier Sotomayor, que voltou a bater o recorde mundial em 1989 ao marcar 2,43 m, só estreou nos Jogos Olímpicos com 25 anos. Em Barcelona-1992, ele chegou à competição como o grande favorito, mas a competição foi dura.

Javier Sotomayor e outros quatro atletas conseguiram passar dos 2,34 m, mas nenhum deles superou a marca de 2,37 m. O cubano levou o ouro por ter passado a marca vencedora sem derrubar o sarrafo nenhuma vez. Ex-recordista mundial e campeão do mundo em 1987, Patrik Sjöberg ficou com a prata por ter tido menos erros do que os outros competidores. Tim Forsyth, da Austrália, Artur Partyka, da Polônia, e Hollis Conway, dos Estados Unidos, ficaram empatados com a medalha de bronze.

Apesar da medalha de ouro em Barcelona-1992, Javier Sotomayor não brilhou tanto quanto se esperava nos Jogos Olímpicos. Em 1993, voltou a quebrar o recorde mundial ao pular 2,45 m, marca que segue imbatível até hoje. Com isso, mais uma vez, chegou a Atlanta-1996 como grande favorito à medalha de ouro.

Uma lesão no tornozelo, no entanto, fez com que Javier Sotomayor não pudesse dar o seu melhor na competição. Na final, seu melhor salto foi apenas 2,25 m e ele acabou terminando apenas em 11º. lugar. A medalha de ouro foi conquistada pelo americano Charles Austin com 2,39 m.

Depois da decepção de Atlanta-1996, Javier Sotomayor chegou a Sydney-2000 com 33 anos e já não era mais o mesmo. Há cinco anos não conseguia ultrapassar a marca de 2,40 m, mas, apesar disso, ainda era colocado como um dos favoritos ao pódio.

No Estádio Olímpico de Sydney, Javier Sotomayor saltou 2,32 m, melhor marca dele naquela temporada. Numa comparação com toda a carreira, foi a pior melhor resultado dele em um ano desde que ele tinha 17 anos, quando saltou 2,33 m em 1984.

Apesar disso, ultrapassar o sarrafo a 2,32 m deu a Javier Sotomayor sua segunda medalha olímpica, a de prata. O vencedor foi o russo
Sergey Klyugin, que conseguiu saltar 2,35 m.

Por conta de dois boicotes e uma lesão, o domínio de Javier Sotomayor no salto em altura, que poderia ser traduzido em cinco medalhas olímpicas foi reduzido a duas, uma de ouro e uma de prata. Apesar disso, ele é o maior vencedor da prova em Jogos Olímpicos ao lado do polonês Jacek Wszoła (ouro em Montreal-1976 e prata em Moscou-1980) e do soviético Valery Brumel (ouro em Tóquio-1964 e prata em Roma-1960).

Além das duas medalhas olímpicas, Javier Sotomayor foi seis vezes campeão mundial (quatro indoor) e tricampeão dos Jogos Pan-Americanos em Indianápolis-1987, Havana-1991 e Mar Del Plata-1995.

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