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Entre a maternidade e o oitavo Mundial: a jornada de Alexandra Nascimento



Após ter a pequena Lia e com 44 anos, a campeã mundial com a seleção em 2013 e eleita melhor jogadora do mundo em 2012, vai disputar na Alemanha e Holanda mais uma edição da competição



Alexandra Nascimento - Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 - seleção brasileira de handebol feminino mundial de handebol feminino
Alexandra Nascimento nos jogos de Tóquio (divulgação/CBHb)

A brasileira Alexandra Nascimento, campeã mundial com a seleção em 2013 e eleita melhor jogadora do mundo em 2012, vai disputar seu oitavo Campeonato Mundial de handebol feminino. Será na Alemanha e Holanda, a partir desta quinta-feira (27). Aos 44 anos, a atleta retorna à equipe após quatro anos.

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O afastamento ocorreu em 2022, quando Alexandra anunciou a gravidez da primeira filha, Lia. “Todo o tempo dizia que queria ser mãe. Falava para meu marido, para meus amigos: ‘talvez eu pare de jogar porque quero ser mãe’”, afirmou Alexandra em matéria especial publicada pela Federação Internacional de Handebol.

“Preciso voltar a jogar”

Após o nascimento da filha, a atleta decidiu voltar aos treinos e jogar novamente, apesar de ter pensado em se dedicar apenas à maternidade: “Depois de dois meses, falei com meu marido: ‘Preciso fazer outra coisa. Não posso só ficar em casa e todo fim de semana só assistir handebol. Preciso voltar a jogar’.”

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O retorno começou na Espanha, pelo Club Balonmano Elche, que criou um ambiente adequado à sua gravidez e aos primeiros meses de maternidade. “Joguei seis meses em Elche após o nascimento da Lia, antes de assinar extensão de contrato por mais um ano”, contou.

Em seguida, Alexandra Nascimento se transferiu para o Handball Erice, da Itália após ser chamada pela goleira Chana Masson, que defendeu a seleção em quatro Olimpíadas. “O time tem cinco anos e quer melhorar, ser profissional. Aceitei o convite e agora tenho contrato até 2027. A Lia tem três anos, então posso continuar jogando.”

Nunca deixei a seleção

Apesar do afastamento, Alexandra nunca anunciou aposentadoria da seleção brasileira. “Nunca disse a ninguém que estava fora. Só esperei o treinador me chamar de novo. Continuei treinando, continuei dando o meu melhor pelo meu corpo e pela minha mente”, afirmou.

O contato com o técnico Cristiano Rocha permitiu sua inclusão na etapa preparatória realizada em setembro, na Áustria, ao lado de jogadoras que atuam em clubes europeus.

“Houve um período em que eles estavam observando jogadoras mais jovens e respeitei esse processo. Sempre houve uma lista longa de atletas, então, quando estava na Espanha, escrevi para o treinador (Cristiano Silva) e disse: ‘Quando posso voltar? Não se esqueça de mim. Estou aqui se você puder me dar a oportunidade de provar, treinar e então me avaliar’”, disse.

Alexandra Nascimento comemora a medalha de ouro no handebol feminino nos Jogos Pan-Americanos Rio-2007 mundial de handebol feminino
Alexandra Nascimento foi campeã dos Jogos Pan-Americanos no Rio, em 2007 (Streeter Lecka/Getty Images)

“Ele começou a fazer perguntas, conversamos bastante, e três meses atrás me disse que eu poderia continuar na seleção. Eu disse ‘sim, por que não?’. Não tenho nada a perder, apenas algo a ganhar, porque jogar pela seleção é uma grande experiência.”

Cuidado com o corpo

Alexandra mantém rotina rigorosa de treinos e cuidados físicos e nutricionais, conciliando maternidade e carreira profissional. “Sinto-me muito bem e meu corpo está bem. Sim, tenho 44 anos, mas cuido do meu corpo. Durante a semana não comemos açúcar, respeitamos a alimentação e o exercício, e nos fins de semana podemos comer massas ou hambúrguer. Fazemos o mesmo com a Lia.”

“Não poderia ter escolhido um momento melhor para voltar à seleção. Aproveitei muito e até jogamos uma partida amistosa contra a Áustria. Foi tudo muito bom e é um prazer fazer parte da seleção novamente, é incrível voltar agora, um sonho – além disso, vou para o mundial com meu bebê e o Patricio.”

Além da preparação física, a atleta também se dedica a orientar jogadoras mais jovens na seleção. “Muitas atletas vêm me perguntar como fiz as coisas, como podem melhorar a cada treino. Meu trabalho com a seleção agora é diferente. Respeito cada jogadora e tento ajudá-las a encontrar o caminho”, afirmou.

Artilheira dos Jogos Olímpicos

Alexandra Nascimento disputou cinco Jogos Olímpicos (2004, 2008, 2012, 2016 e 2020) e é a maior artilheira da história da competição com 134 gols.

Mundiais foram sete com o time adulto. Estreou em 2003, na Croácia, e larticipou ainda em 2005, 2007, 2011, 2013, 2015 e 2019. Em 2013, ajudou o Brasil a conquistar seu único título mundial, com vitória sobre a Sérvia na final.

Sobre a campanha, ela relembra: “O jogo que ficou na minha memória foi o quartas de final contra a Hungria, com 60 minutos e dois períodos adicionais. Estávamos confiantes e melhorávamos a cada jogo. Não jogamos bem na primeira partida, mas estávamos preparados para os momentos importantes.”

Mundial de 2025

O Brasil começa o Mundial Feminino de Handebol contra Cuba em Stuttgart, na quinta-feira (27). Em seguida, pega República Tcheca e depois a Suécia.

“Cuba tem jogadoras muito fortes, muito altas, mas sem experiência em handebol. Precisamos respeitar cada adversário e dar 100% em cada jogo. Não conheço muito sobre a República Tcheca, mas a Suécia é uma equipe forte, com defesa sólida e experiência. Devemos respeitar cada adversário e nos concentrar para alcançar a fase principal.”

Alexandra Nascimento afirma que, desde 2013, a seleção brasileira mudou muito. “Agora, temos uma equipe jovem, mas liderada por Bruna de Paula. Também temos Matieli (Patrícia Matieli), armadora central, que jogou muitos anos na Polônia, boas goleiras; Renata (Arruda) e Gabriela (Moreschi).”

“Vamos tentar melhorar nosso handebol, dar experiência às jogadoras jovens. Se vejo que as jogadoras estão nervosas, vou falar: ‘está tudo bem, não se preocupem, podemos fazer isso juntas’. Vamos fazer passo a passo, respeitar cada adversário, e nossa primeira luta será avançar para a fase principal. Este é o primeiro passo e, no final, veremos.”

Jornalista com mais de 20 anos de profissão, mais da metade deles na área de esportes. Está no OTD desde 2019 e, por ele, já cobriu 'in loco' os Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio, os Olímpicos de Paris, além dos Jogos Pan-Americanos de Lima e de Santiago

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