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Bruna Moura supera trauma e sequela para ir aos Jogos de Milão-Cortina



Após superar grave acidente, a esquiadora Bruna Moura revela como adaptou seus treinamentos para garantir vaga nos Jogos de Milão-Cortina 2026.



Bruna Moura em prova de esqui cross-country na Alemanha
Bruna Moura (Foto: Divulgação/CBDN)

A Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) oficializou nesta segunda-feira (19) a convocação para os Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Um dos destaques da lista é Bruna Moura. Ela superou sequelas de um grave acidente, que lhe tirou da última edição dos Jogos, em 2022. Além disso, venceu uma disputa técnica acirrada para carimbar sua ida à Itália.

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A classificação foi garantida por meio de um ranking interno que expôs o contraste de especialidades entre Bruna e a veterana Jaqueline Mourão. Embora Jaqueline tenha sido superior nas provas de resistência (distance), Bruna foi decisiva na velocidade.

Superando sequelas

O diferencial técnico de Bruna para este ciclo foi a adaptação biomecânica. Ainda com dores crônicas decorrentes das fraturas sofridas em 2022, ela focou no treinamento de double poling, uma técnica de impulsão em que o atleta utiliza apenas os bastões e a força do tronco para se deslocar.

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“Até hoje em dia eu ainda tenho muitas dores no meu pé esquerdo. Tenho algumas coisas que preciso adaptar, mas isso virou parte da rotina”, afirmou a atleta em coletiva promovida pela CBDN. Segundo ela, a limitação física ditou a estratégia. “O que a gente precisa fazer para amenizar a dor? Ah, hoje não tá dando muito certo, vamos fazer um treinamento um pouco mais de parte superior e tentar deixar o pé relaxar um pouco mais”.

Essa mudança de foco acabou beneficiando sua performance no sprint de estilo clássico, onde a potência dos braços é fundamental. “Como eu precisei fazer muitas adaptações, eu precisava fazer um treino de double pole. Desenvolvi bem mais essa parte da potência e do movimento, que acabou gerando mais velocidade e melhores resultados”, explicou.

Desviando da dor

A escolha pela especialização em provas curtas foi uma resposta fisiológica à dor. Enquanto o sprint acontece em poucos minutos, as provas de distância exigem um esforço prolongado. O pé esquerdo de Bruna tinha dificuldade em suportar.

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“A prova [de sprint] é mais curta. Vai doer, mas vai doer por três, quatro minutos, depois você descansa. Agora a prova de distância não, é por uns 30 minutos, e aí fica aquela dor até amenizar”, detalhou.

A estratégia visava compensar a vantagem histórica de Jaqueline Mourão em percursos longos. “Nas provas de distância, a gente sabia que essa seria a minha desvantagem com relação à Jack. Então, eu precisava tirar o máximo possível nas provas de sprint para compensar pelo que eu iria perder nas provas de distância”, completou a esquiadora.

Jornalista recifense formado na Faculdade Boa Viagem apaixonado por futebol e grandes histórias. Trabalhando no movimento olímpico e paralímpico desde 2022.

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