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Jogos Olímpicos de Inverno

Atleta do monobob faz vaquinha pelo sonho de Pequim-2022

Marina Tuono quer estar na estreia do monobob no programa olímpico e pede maior valorização dos esportes de inverno no Brasil

Marina Tuono - monobob - Pequim-2022 - Esportes de Inverno - CBDG
Marina Tuono busca vaga no monobob em Pequim-2022 (Divulgação)

O sonho de participar de uma Olimpíada é algo comum na vida de muitos atletas, que trabalham duro e abdicam de muita coisa para realizá-lo. E com Marina Tuono não é diferente. Há cerca de quatro anos, ela deixou o Brasil rumo ao Canadá, onde encontrou sua grande paixão: os esportes de inverno, mais especificamente o monobob, uma variação do bobsled.

Hoje, morando nos Estados Unidos, ela sonha em estar nos Jogos de Inverno de Pequim-2022, representando as cores verde e amarela na estreia da modalidade no programa olímpico. 

A prática do monobob, no entanto, é bastante cara. E por isso, Marina resolveu fazer uma vaquinha online para arrecadar recursos e poder se preparar melhor para estar na China daqui a dois anos. Mas antes disso, muita coisa aconteceu para ela chegar até aqui.

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Marina Tuono - Pequim-2022
Marina Tuono tem 25 anos (Instagram/mah_tuono)

Paixão de criança

O esporte entrou cedo na vida de Marina. Quando tinha apenas cinco anos, começou a praticar ginástica artística, que virou sua grande paixão. Com o tempo, começou a treinar para valer, mas quando chegou na época do vestibular, decidiu focar nos estudos. “Mas quem falou que eu consegui? Porque desde os cinco anos de idade treinando, não dá para parar assim do nada”, contou ao Olimpíada Todo Dia. 

Depois de voltar para a ginástica artística, passar pela ginástica acrobática e até levantamento de peso, Marina conheceu o bobsled e sua vida mudou.

“Quando eu tinha 21 anos, o personal trainer do meu tio foi para o Canadá e conheceu a equipe de bobsled do Brasil. Nisso, ele descobriu que eles estavam procurando uma menina break, que empurra e fica na parte de trás para freiar o sled. Conversei com a equipe e eles falaram que se eu quisesse, eu poderia me mudar para o Canadá para ver se gostava. E eu simplesmente me apaixonei pelo esporte”.

“A minha vida inteira mudou. Fui, com a cara e com a coragem, não sabia falar inglês. Tiveram vários momentos de dificuldade, mas eu me identifiquei muito e segui firme, com a cabeça no lugar para não desistir”. 

Caminho até o monobob

Quando Marina se mudou para se dedicar de vez ao bobsled, veio a primeira frustração ao não conseguir se classificar para a Olimpíada de PyeongChang-2018. A frustração passou quando a CBDG (Confederação Brasileira de Desportos no Gelo) convidou-a para fazer parte do time principal de skeleton, modalidade individual, em que a pessoa vai de barriga para baixo no sled. 

Marina Tuono - Monobob
Marina Tuono representa o Brasil no monobob (Instagram/mah_tuono)

Marina, no entanto, não pegou o jeito e foi quando a confederação sugeriu o monobob, modalidade que vai estrear no programa olímpico em Pequim-2022. A dinâmica do monobob é a mesma do bobsled, mas não tem a pessoa que fica atrás para frear, é só o piloto. Então ela teve de aprender a pilotar.

“Para mim acabou sendo muito melhor que o skeleton. Gostei muito, porque eu tinha uma visão melhor da pista. No início tinha aquela dúvida se ia dar certo ou não… Mas agora, vendo os treinos e os resultados, tendo chance de classificação, que são altas, é algo que é possível”.

Com algo possível em mãos, portanto, Marina conseguiu uma bolsa em uma Universidade dos Estados Unidos, onde mora hoje, aos 25 anos, sozinha, longe da família. Tudo pelo sonho de estar no maior evento esportivo do mundo, fazendo aquilo que ela descobriu amar.

Insegurança com o corpo

Marina Tuono conta que sempre teve um corpo forte, o que hoje é uma grande vantagem para a prática do monobob, que exige justamente a força do atleta. Mas a aceitação do corpo nem sempre é uma tarefa fácil e com ela não foi diferente. 

“Eu sempre gostei de ser ‘a mais forte’, mas confesso que a insegurança e a ideia distorcida de mulher com músculo e muito masculino às vezes entra na minha cabeça. De qualquer maneira eu nunca encanei muito, até porque tenho certeza que mesmo se eu fizer uma dieta bem restrita eu nunca serei fininha por causa da minha estrutura corporal. As pessoas sempre comentam ou olham diferente, mas eu não ligo muito não. Sem contar que vivo no meio de atletas e, principalmente no mundo do monobob, ser forte é uma vantagem”.

Em busca do sonho

Depois de não conseguiu a vaga em PyeongChang-2018 , a meta é se classificar para Pequim-2022. E para tanto, ela precisa de uma ajuda externa e resolveu fazer uma vaquinha online (faça uma doação aqui).

Marina Tuono - Monobob - Esportes de Inverno
Marina Tuono busca vaga em Pequim-2022 (Instagram/mah_tuono)

“Meu objetivo é conseguir competir em algumas pistas na Europa, porque eu só conheço as dos Estados Unidos e do Canadá, e preciso de experiência nas pistas europeias. Então comecei essa campanha para me ajudar a arcar com essas despesas. A CBDG (Confederação Brasileira de Desportos no Gelo) ajuda sim, mas nesse ano o Bolsa Atleta para o skeleton e o monobob não foram aprovados e a gente ficou sem receber”, explicou.

A atleta, natural de Santo André (SP), precisou, então, buscar alternativas para manter vivo o sonho por Pequim-2022. Ela foi aprovada em uma bolsa internacional, mas mesmo assim, a quantia não é suficiente para as metas da brasileira. 

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“O bobsled, skeleton, monobob são esportes muito caros. Um sled é 24 mil euros, o transporte dele em viagem é muito caro… Então essa bolsa é uma ajuda gigantesca, mas não é o suficiente para que eu consiga atingir todos os meus objetivos e classificar para a Olimpíada. A CBDG também recebe uma outra verba e é responsável por distribuir para todos os esportes de gelo, não só o monobob. Então eu vi que não posso ficar parada e dependendo só da CBDG e dessa bolsa para realizar os meus sonhos”. 

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A meta da vaquinha online é de US$ 5 mil e até agora, Marina Tuono arrecadou US$ 1.892. “Preciso voltar com uma divulgação maior e apresentar o esporte para mais pessoas. Quero anunciar para a nossa nação que temos atletas que defendem o Brasil na modalidade de esportes de inverno.

Pouca valorização no Brasil

Esportes de Inverno
Esportes de inverno não são valorizados no Brasil (Instagram/mah_tuono)

Os esportes de inverno estão longe dos holofotes no Brasil. Há pouca divulgação e visibilidade para várias modalidades, como o próprio monobob de Marina Tuono. E ela entende que, apesar de ser um país tropical, os brasileiros deveriam valorizar mais os esportes de gelo e principalmente seus atletas. 

“Com certeza os esportes de inverno deveriam ser mais valorizados no Brasil, porque tem tantos atletas, tantas modalidades que o país participa e que o brasileiro não faz ideia, nem conhece. Como eu inclusive. Nós estamos participando dos esportes de inverno há anos e ninguém sabe disso. Então eu acho que a divulgação precisa ser ampliada”.

“A Arena ICE Brasil em São Paulo já é um passo, porque tem mais visibilidade, é aberto ao público… E é bom para entender que sim, o Brasil é um país tropical, mas está inserido no esporte de inverno. O incentivo ao esporte deve ser maior. E não só para os de inverno, mas para os de verão também, porque o Brasil tem dificuldade em aceitar esportes que não sejam o futebol”, concluiu.

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