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Panteras Negras: o embrião dos protestos antirracistas no esporte

Conheça melhor a história dos Panteras Negras, que mudaram a história do esporte em 1968

Tommie Smith e Jhon Carlos não têm a mesma fama de atletas como Michael Phelps, Usain Bolt ou Simone Biles, mas o legado deles é mais importante do que qualquer medalha olímpica.

Neste novo vídeo do quadro Kenji Stories, eu conto como esses dois norte-americanos foram fundamentais para que os atuais movimentos antirracistas tenham força suficiente para abalar as estruturas de poder dos Estados Unidos.

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Hoje, vamos viajar até 1968, o ano em que diversas manifestações culturais e sociais estremeceram o Brasil e o mundo. Por aqui, uma turma composta por Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil enfileirou sucessos ao mesmo tempo em que a ditadura militar impôs mais rigor contra a população.

Enquanto isso, na Europa, revoltas estudantis e trabalhistas mudaram os rumos da França e da então Tchecoslováquia, atualmente dissolvida entre República Tcheca e Eslováquia.

Já nos Estados Unidos, Martin Luther King Jr., um dos maiores ativistas contra o racismo e a favor dos direitos civis, foi assassinado. Ele lutava pelos mesmos valores dos protagonistas da nossa história. 

Tommie Smith e Jhon Carlos eram velocistas. Representaram os Estados Unidos na prova dos 200 metros rasos nos Jogos Olímpicos da Cidade do México 1968. Jhon liderou quase toda a prova, mas terminou em terceiro. Foi ultrapassado pelo compatriota, que faturou o ouro e bateu o recorde mundial da prova, com o tempo de 19s83.

Mas a posição de cada um pouco importa diante do gesto que tiveram sobre o pódio. Ao som do hino dos Estados Unidos, baixaram a cabeça e ergueram o punho cerrado com luvas pretas. O gesto foi uma alusão ao movimento dos Panteras Negras, que lutava contra a segregação racial.

No peito, os atletas carregaram um broche que trazia escrito “Projeto Olímpico para os Direitos Humanos”. O adereço também foi usado pelo segundo colocado na prova, o australiano Peter Norman.

A manifestação silenciosa, mas com poder simbólico ensurdecedor, gerou punições por parte do Comitê Olímpicos Internacional, que não aceita manifestações políticas em seus eventos até hoje.

Os americanos foram expulsos das Olimpíadas e impedidos de participar de novas competições. Ambos passaram dificuldades financeiras até ingressarem na faculdade. Atualmente, Tommie Smith dá aulas e palestras, enquanto o amigo John Carlos é técnico de atletismo em escolas.

Embora tenham sido medalhistas olímpicos e símbolos da luta antirracista, os dois só entraram para o Hall da Fama do Atletismo Norte-Americano em 2019, ou seja, mais de 50 anos após o desempenho na Cidade do México.

Essa é a prova de que manifestações corajosas no esporte estão longe de serem unanimidades. Meio século após o gesto dos Panteras Negras, o jogador de futebol americano Colin Kaepernick também usou seu espaço de destaque no esporte para protestar contra o racismo.

Antes de todas as partidas da NFL, durante a execução do hino nacional, o quaterback se ajoelhava. Era um protesto contra a violência policial contra negros nos Estados Unidos já no contexto do movimento Black Lives Matter (Vidas Negras Importam). O gesto resultou na ira de Donald Trump e de dirigentes da liga. 

Kaepernick foi boicotado e não atua desde 2017. Entre tentativas de voltar a jogar, ele continua firme no ativismo social.

O gesto do atleta foi amplamente lembrado durante as manifestações contra a brutalidade da polícia que culminou na morte George Floyd. O homem negro de 46 anos foi asfixiado por oficiais brancos em uma abordagem na cidade de Minneapolis, em maio deste ano.

Mesmo após a repercussão do caso e consequente onda de protestos, mais um caso de violência policial contra negros veio à tona nos Estados Unidos. Jacob Blake recebeu sete tiros nas costas em Kenosha, no Estado de Wisconsin.

Em protesto, jogadores da NBA boicotaram partidas válidas pelos playoffs. O gesto foi repetido por atletas da WNBA, a liga feminina de basquete, e da MLB, a liga de beisebol.

Se os protestos atuais têm o poder de estremecer a Casa Branca e desencadear manifestações antirracistas em outros países, muito se deve ao punho cerrado dos Panteras Negras na década de 1960.

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