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Isadora Williams com a bandeira do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang, em 2018

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Por Pequim-2022, Isadora Williams encara maior desafio da carreira

Patinadora brasileira busca a terceira classificação olímpica na patinação artística no gelo na disputa do Troféu Nebelhorn entre 22 e 25 de setembro

Brasileira Isadora Williams busca representar o Brasil pela terceira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno (Divulgação)

Por Pequim-2022, Isadora Williams encara maior desafio da carreira

Conseguir a classificação olímpica inédita em 2014 e ser a primeira sul-americana finalista na patinação artística em 2018 não foram tarefas fáceis. Mas nada se compara à missão de Isadora Williams agora. A brasileira participa de mais uma edição do Troféu Nebelhorn para sonhar com a participação nos Jogos Olímpicos de Inverno de Pequim, em 2022.

A competição é realizada em Oberstdorf, na Alemanha, e vai definir as últimas seis vagas olímpicas disponíveis entre as mulheres. O programa curto vai ser nesta quinta-feira, 23 de setembro, às 12h (horário de Brasília). O programa longo acontecerá no sábado, a partir das 5h10. O evento vai ter transmissão via streaming neste link.

Além da tensão inerente de ser a última chance de classificação olímpica, Isadora Williams precisa driblar outros problemas em sua preparação. Diferentemente de ciclos anteriores, a atleta da CBDG não teve uma preparação tranquila para a competição mais importante da temporada.

O maior desafio é justamente a falta de ritmo. Com a pandemia de covid-19, o rink onde treina ficou fechado por um longo tempo. Voltou a competir apenas em agosto de 2021 no Cranberry Cup, mas uma lesão por estresse no pé voltou a incomodar e a fez desistir do programa longo. Além disso, a evolução de rivais a obriga a ter um desempenho acima da média.

Com 154.21 pontos como melhor resultado (justamente no Troféu Nebelhorn de 2017 que a classificou para PyeongChang-2018, Isadora sabe que precisa ir além. Sua “nota perfeita”, ou seja, a somatória do melhor programa curto com o longo é de 160.36 pontos. Mais do que nunca, a brasileira terá que fazer a prova da vida.

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Quem são as favoritas no Troféu Nebelhorn de 2021?

Isadora Williams segue no páreo, mas há quatro atletas que despontam como principais candidatas às vagas olímpicas disponíveis. A principal estrela é a norte-americana Alysa Liu. Ela não só tem a melhor pontuação entre todas as competidoras (219.24), como também já foi bicampeã do Nacional dos Estados Unidos entre 2019 e 2020.

Outras três mulheres também apresentam bons desempenhos. A polonesa Ekaterina Kurakova já passou de 200 pontos na carreira e fez 187.65 pontos no seu último torneio, o Lombardia Trophy. Viktoriia Safanova, de Belarus, e Alexia Paganini, da Suíça, também possuem resultados recentes acima de 170 pontos.

Além disso, outras duas atletas que não apareciam na lista de favoritas chegam em alta no Troféu Nebelhorn. A cipriota Emilea Zingas obteve 171.30 pontos no Challenge Cup realizado em fevereiro de 2021, na Holanda. Lara Gutman, da Itália, também obteve 179.59 pontos no Mundial por equipes em abril de 2021.

Quem rivaliza com Isadora Williams na disputa pela classificação?

No total, 37 patinadoras estão inscritas no Troféu Nebelhorn e 33 estão aptas a uma vaga olímpica para Pequim-2022. Assim, não bastasse ter seis nomes em destaque, outras dez competidoras participam do evento com um desempenho semelhante ao dos melhores momentos de Isadora Williams.

São competidoras que possuem uma pontuação que fica entre 145 e 160 pontos neste ciclo olímpico. Entre elas estão Kailani Craine (Austrália), Lea Serne (França), Julia Lang (Hungria), Dasa Grm (Eslovênia) e Nicola Rajicova (Eslováquia). Se elas retomarem o desempenho do período pré-pandemia, podem surpreender.

Como funciona a classificação olímpica na patinação artística?

São 30 vagas para as mulheres na patinação artística no gelo. Do total, 24 são distribuídas no Mundial realizado um ano antes dos Jogos Olímpicos de Inverno. A definição leva em conta a quantidade de atletas e suas posições na classificação final – cada país pode classificar até três competidoras.

As cotas restantes são definidas no outono do hemisfério norte. Desde 2009 o evento escolhido é o Troféu Nebelhorn, realizado tradicionalmente na última semana de setembro. Nesse caso, as vagas são oferecidas às seis melhores atletas de países que não tinham garantindo a classificação por meio do Mundial – como é o caso da Isadora Williams.

A novidade para este ciclo é a exigência da ISU para países confirmarem as cotas adicionais conquistadas no Mundial. Por exemplo: os Estados Unidos ganharam três vagas, mas só duas atletas participaram do programa longo no Mundial. Assim, essa terceira cota deve ser confirmada na seletiva. Mesma situação ocorre com a Áustria, que concorre por uma vaga adicional.

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Quais são as chances de classificação de Isadora Williams?

Nenhuma das vagas olímpicas conquistadas pela representante da CBDG foram fáceis. Mas é inegável que ela tem desta vez diferentes obstáculos que atrapalham sua preparação. Para se classificar aos Jogos Olímpicos de Pequim, Isadora terá que fazer as duas melhores apresentações de sua vida – e ainda contar com baixo desempenho de algumas rivais.

Como se vê, a missão não é nada fácil. A boa notícia é que, diferentemente do que muitos pensam, Isadora Williams costuma responder bem a esta pressão. Não à toa, seu melhor resultado foi justamente na seletiva olímpica para PyeongChang-2018.

Se a vaga olímpica não vier, só temos a agradecer a brasileira pelas portas que ela abriu para os esportes de inverno no país. Mas se vier, vai ser um feito até mais surpreendente do que ela obteve em 2014 e 2018!

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