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Sente que todos olham para você na academia? Veja como ganhar confiança



Sente que todos olham para você na academia? Veja como ganhar confiança



foto horizontal de uma pessoa adulta iniciante recebendo orientação de um professor em uma máquina de musculação. O ambiente pode ter outros frequentadores ao fundo

Entrar em uma academia pela primeira vez pode provocar mais desconforto do que o próprio exercício. Aparelhos desconhecidos, pessoas experientes, espelhos, roupas esportivas e regras não explicadas fazem alguns iniciantes sentirem que estão sendo observados o tempo inteiro.

Essa sensação pode aparecer mesmo quando ninguém está realmente prestando atenção. Na psicologia, o chamado “efeito holofote” descreve a tendência de superestimar o quanto outras pessoas percebem nossas ações, erros e aparência. Em geral, cada frequentador está mais preocupado com o próprio treino do que com quem acabou de chegar.

Ainda assim, dizer apenas “ninguém está olhando” não resolve o problema. A vergonha na academia pode dificultar a entrada no espaço, o pedido de ajuda e a continuidade da rotina. A adaptação costuma ficar mais fácil quando o iniciante sabe o que fará antes de chegar e reduz o número de decisões durante o treino.

Por que a academia pode causar vergonha?

A academia possui códigos que nem sempre são apresentados de maneira clara. Quem está começando pode não saber como ajustar o banco, onde guardar os pesos, quanto tempo permanecer em um aparelho ou quando pedir ajuda ao professor.

Também existe a comparação com frequentadores que aparentam mais experiência. O iniciante pode acreditar que precisa conhecer todos os movimentos, usar determinadas roupas ou demonstrar condicionamento para pertencer ao ambiente.

Pesquisas sobre intimidação em academias indicam que o medo de julgamento pode afetar a frequência, o esforço e a disposição para continuar se exercitando. A experiência varia entre as pessoas e pode envolver aparência, conhecimento dos equipamentos, desempenho ou sensação de não fazer parte daquele espaço. (PMC)

Essa dificuldade não representa falta de força de vontade. Muitas vezes, ela surge porque a pessoa está tentando aprender uma atividade nova em um ambiente público.

Conheça a academia antes do primeiro treino

Uma visita sem a obrigação de treinar pode diminuir parte da incerteza. Peça para conhecer os vestiários, os bebedouros, a área de alongamento, os equipamentos aeróbicos e o espaço de musculação.

Observe também:

  • onde ficam os professores;
  • como guardar mochila e objetos pessoais;
  • onde estão os materiais de limpeza;
  • quais aparelhos costumam ficar mais ocupados;
  • como funciona a avaliação ou a montagem do treino;
  • se há horários com menor movimento.

Conhecer o espaço transforma um ambiente desconhecido em um local mais previsível. Na primeira sessão, chegar alguns minutos antes também evita a sensação de entrar com pressa e precisar decidir tudo ao mesmo tempo.

Leve um treino curto e simples

A primeira experiência não precisa incluir todos os aparelhos da academia. Um roteiro com poucos exercícios ajuda a reduzir deslocamentos e dúvidas.

O iniciante pode combinar com o professor uma sessão de familiarização, voltada principalmente para aprender:

  • como ajustar os bancos;
  • onde posicionar mãos e pés;
  • como iniciar e encerrar o movimento;
  • como selecionar a resistência;
  • como reconhecer desconfortos;
  • como limpar e liberar o aparelho.

Ter o treino anotado no celular ou em uma ficha evita a necessidade de lembrar toda a sequência. O objetivo inicial não é realizar uma sessão perfeita, mas sair entendendo um pouco melhor o funcionamento do espaço.

Peça uma apresentação dos aparelhos

Não saber utilizar um equipamento é esperado para quem está começando. Os professores fazem parte do serviço oferecido pela academia e devem orientar o uso dos aparelhos.

Em vez de esperar até ficar completamente perdido, use perguntas diretas:

“Você pode me mostrar como ajustar este banco?”

“Onde meus pés devem ficar?”

“Como eu sei se a posição está adequada?”

“Existe outra opção caso este aparelho esteja ocupado?”

Perguntas específicas costumam produzir respostas mais úteis do que apenas dizer que não sabe fazer o exercício. Também vale pedir que o professor observe as primeiras repetições antes de se afastar.

Uma explicação rápida não obriga o aluno a memorizar tudo. É normal solicitar novamente a orientação em outro dia.

Escolha horários mais tranquilos

Quem se sente muito exposto pode começar em períodos de menor movimento. A recepção geralmente consegue informar quais horários costumam ser mais vazios.

Treinar em um ambiente menos cheio facilita a circulação, aumenta a disponibilidade dos aparelhos e permite pedir ajuda sem tanta pressa. Depois que a pessoa aprende os ajustes básicos, pode experimentar outros horários.

No entanto, evitar permanentemente qualquer movimento também pode limitar a rotina. O horário tranquilo funciona como uma etapa de adaptação, e não como uma regra obrigatória para sempre.

Use roupas que não exijam atenção constante

A roupa não precisa seguir tendências nem demonstrar que a pessoa “tem corpo de academia”. Deve permitir movimentos confortáveis e evitar distrações durante o exercício.

Peças que sobem, apertam, escorregam ou precisam ser ajustadas continuamente podem aumentar a sensação de exposição. Tênis adequado à atividade e roupas já testadas em casa costumam oferecer mais segurança.

Usar uma camiseta mais larga ou uma calça diferente não deve ser tratado como falta de confiança. Cada pessoa pode escolher o que torna a experiência mais confortável naquele momento.

Fones de ouvido ajudam?

Fones podem criar uma sensação de espaço pessoal e reduzir distrações. Para algumas pessoas, uma música conhecida torna o ambiente menos intimidante.

Eles não devem, porém, impedir que o praticante ouça orientações, avisos ou a aproximação de outras pessoas. Ao aprender um aparelho, retire um dos fones ou diminua o volume.

Também é importante não utilizar os fones como forma de evitar qualquer contato. Saber onde encontrar ajuda continua sendo parte da segurança no treino.

Evite começar pelos exercícios que mais assustam

O primeiro treino não precisa acontecer no centro da área de pesos livres nem incluir movimentos que a pessoa ainda não entende.

É possível começar em uma bicicleta ergométrica, esteira, máquina com trajetória guiada ou área mais tranquila. À medida que a familiaridade aumenta, novos exercícios podem ser apresentados.

Isso não significa que determinados espaços pertençam apenas a alunos experientes. Trata-se apenas de organizar o aprendizado em etapas compatíveis com a confiança atual.

O que fazer quando um aparelho está ocupado?

Ficar parado ao lado do equipamento pode aumentar o constrangimento. Antes do treino, pergunte ao professor quais exercícios podem ser realizados enquanto o aparelho não fica livre.

Outra possibilidade é perguntar educadamente quantas séries faltam ou se é possível alternar o uso. Durante o revezamento, cada pessoa realiza sua série enquanto a outra descansa, desde que os ajustes não sejam muito diferentes.

Caso o aluno não se sinta confortável em propor o revezamento, pode mudar temporariamente a ordem da ficha ou pedir uma alternativa. Não é necessário disputar espaço nem abandonar a sessão.

Tente não usar outras pessoas como medida

O frequentador ao lado pode treinar há anos, ter objetivos diferentes ou seguir uma rotina que não serve para um iniciante. Comparar velocidade, resistência, aparência ou complexidade dos exercícios cria uma avaliação sem contexto.

Nas primeiras semanas, o progresso pode ser percebido de outras formas:

  • chegar sem adiar a entrada;
  • localizar os aparelhos com mais facilidade;
  • ajustar o banco sozinho;
  • pedir orientação quando necessário;
  • concluir uma sessão curta;
  • sentir menos tensão ao circular pelo ambiente.

Essas mudanças mostram que a academia está se tornando mais familiar, mesmo que o treino ainda pareça básico.

Ir com alguém pode facilitar?

Uma companhia pode ajudar na chegada e na localização dos espaços. No entanto, essa pessoa não deve assumir o papel do professor nem pressionar o iniciante a copiar sua rotina.

Caso o acompanhante tenha mais experiência, combine antes que o treino será adaptado ao nível de cada um. O iniciante não precisa utilizar os mesmos pesos ou realizar todos os exercícios do amigo.

Outra opção é marcar a primeira aula diretamente com um professor. Ter uma referência profissional pode oferecer mais segurança do que depender de alguém que conhece a academia, mas não sabe ensinar os movimentos.

Quando o desconforto merece mais atenção?

Um pouco de insegurança é comum em situações novas. Mas o desconforto merece atenção quando impede repetidamente a entrada na academia, provoca crises intensas, interfere em outras áreas da vida ou leva a pessoa a evitar qualquer atividade física em público.

Nesses casos, conversar com um profissional de saúde mental pode ajudar a compreender a origem da ansiedade e desenvolver estratégias individualizadas. Também é possível escolher temporariamente outros formatos de exercício, como aulas em grupos menores, caminhada, treino em casa ou acompanhamento individual.

A academia não é a única maneira de se movimentar. Ainda assim, quem deseja frequentá-la pode construir confiança aos poucos. O primeiro objetivo não precisa ser treinar sem nenhuma vergonha, mas conseguir permanecer no espaço, aprender uma tarefa e voltar em outro dia.

Consultora de wellness do Olimpíada Todo Dia. Profissinal de educação física, fundadora do Yoga Para Atletas, co-fundadora do Rachão Basquete Feminino, criadora de conteúdo do A Quadra É Delas e personal training

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