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Atletismo

 

Atleta de 16 anos é craque em dois esportes, mas terá de escolher um deles



Aos 16 anos, Nicole Faria é campeã adulta no pentatlo moderno e destaque no atletismo. Atleta fala sobre o dilema entre as duas modalidades



Aos 16 anos, Nicole Faria já acumula resultados expressivos em diferentes frentes do esporte. Nesta terça-feira, a atleta conquistou o quarto lugar no revezamento misto do Mundial Sub-19 de pentatlo moderno ao lado de Jhon Xavier. Campeã brasileira adulta da modalidade e também destaque no atletismo, com dois ouros no Campeonato Brasileiro Sub-18, nos 1.500 metros e nos 2.000 metros com obstáculos, a jovem falou ao Olimpíada Todo Dia sobre a rotina para conciliar os dois esportes e revelou que, no futuro, terá que escolher qual caminho seguir.

Atualmente, Nicole divide a preparação entre o pentatlo moderno e as provas de meio-fundo do atletismo. Segundo a atleta, a organização dos treinamentos exige planejamento entre os diferentes técnicos, já que cada modalidade possui necessidades específicas.

“É uma preparação muito difícil porque são muitos esportes e todos eles requerem tempo. O atletismo é um esporte que tem que ter muita repetição, muito treino, muito volume. Então é muito difícil encaixar”, explicou Nicole.

Campeã brasileira adulta aos 16 anos

O título brasileiro adulto de pentatlo moderno foi uma das principais conquistas da jovem atleta. Nicole venceu a competição mesmo chegando ao torneio após uma lesão que a deixou cerca de três semanas sem correr.

A decisão foi construída prova a prova. No pentatlo moderno, a disputa envolve diferentes modalidades, e a atleta precisou superar as adversárias no laser-run, etapa que combina corrida e tiro com laser.

“Quando chegou na última prova, eu saí em quinto lugar e fui indo. Só fui correr. Quando eu estava indo para a última volta, eu olhei e estava em segundo. Eu falei: ‘tem algo diferente aqui’. Depois do último tiro, eu saí em primeiro lugar e pensei: agora eu tenho que correr”, contou.

A conquista também surpreendeu Nicole, mas não seu pai, que acompanha de perto a evolução da filha nas duas modalidades.

Atletismo e pentatlo moderno dividem espaço na carreira

A relação de Nicole com o atletismo começou antes do pentatlo moderno. Ela contou que começou a correr com o pai nas ruas e, posteriormente, entrou para a equipe de pentatlo do colégio em Curitiba por acaso, depois de não encontrar a ficha de inscrição para o atletismo.

A corrida acabou se tornando seu principal ponto forte dentro do pentatlo moderno.

“O atletismo foi uma coisa que me ajudou muito a ficar lá em cima no pentatlo”, afirmou.

Apesar dos bons resultados nas duas modalidades, Nicole sabe que a conciliação pode se tornar mais difícil com o avanço da carreira.

“Vai ter uma hora que eu vou ter que escolher, porque eu preciso dividir bem os treinos. Se você quer algo mais no pentatlo, vai ter que se organizar. Ou no atletismo, vai ter que treinar mais, vai ter que se forçar mais”, disse.

Por enquanto, a atleta prefere manter os dois caminhos abertos enquanto busca evolução.

Mudança no pentatlo moderno

Nicole também comentou sobre uma das principais mudanças recentes do pentatlo moderno: a substituição do hipismo pela corrida de obstáculos.

A nova prova, inspirada em desafios de obstáculos, passou a fazer parte do programa da modalidade. Para a brasileira, a adaptação ainda é um desafio.

“É uma modalidade nova não só para os atletas, mas também para os treinadores. Então fica muito difícil. Eu percebo que fora do Brasil essa modalidade está crescendo, eles estão evoluindo bastante”, avaliou.

A atleta explicou que a corrida de obstáculos exige uma combinação de velocidade, força e coordenação.

“Seu braço, sua perna têm que estar sincronizados. Você tem que ter impulsão, velocidade. Às vezes você olha e fala: ‘é rapidinho’. Mas você está no penúltimo obstáculo e o braço está ardendo”, contou.

Mesmo com as dificuldades, Nicole acredita que ainda pode evoluir na prova e melhorar seus resultados.

O objetivo final da atleta é chegar aos Jogos Olímpicos e representar o Brasil.

“Ser uma atleta olímpica, representar bem o país, poder levar o nome do Brasil para fora e também ajudar outras pessoas”, afirmou.

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