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Atletismo

Daniel Nascimento vence 10.000 m com recorde pessoal

Em grande fase, Daniel Nascimento, recordista sul-americano da maratona, foi campeão dos 10.000 m do Troféu Brasil de atletismo nesta sexta-feira

Daniel Nascimento vence 10.000 m com recorde pessoal no Troféu Brasil
Wagner Carmo/CBAt

Daniel Nascimento (Associação Noroeste Runners-RS) confirmou ótima fase e versatilidade ao vencer nesta sexta-feira (24/6) a prova dos 10.000 m do Troféu Brasil de Atletismo, no Estádio Olímpico Nilton Santos, no Rio de Janeiro. Uma das atrações da competição, o corredor obteve o terceiro título no principal evento entre clubes da América Latina e recorde pessoal da prova com 28:40.17.

“Foi difícil, pois eu não competia em pista desde maio de 2021, quando ganhei o Sul-Americano de Guayaquil. Depois disso, só corri na rua e em estrada”, lembrou Daniel Nascimento, de 23 anos, recordista sul-americano da maratona (2:04.51) e o número dois do Brasil na meia maratona (1:01.03). “Senti um pouco também de cansaço porque corri e ganhei no sábado (18/6) a Meia Maratona do Rio”, disse o corredor que competiu no Rio como convidado da CBAt porque não tinha o índice de participação exigido pelo regulamento.

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Convocado para a maratona do Campeonato Mundial do Oregon, nos Estados Unidos, que será disputado de 15 a 24 de julho, Danielzinho, como é conhecido no esporte, utilizou tanto a meia do Rio como o Troféu Brasil como etapas de preparação para o Mundial.

Neste domingo (26/6), Daniel Nascimento volta para o Quênia, onde mora, acompanhado do treinador Jorge Luiz da Silva. “Espero fazer uma boa prova no Oregon, com muita atenção para não ser encaixotado e brigar por um grande resultado”, disse o atleta nascido em Paraguaçu Paulista, usando duas pulseiras: uma em homenagem a Ayrton Senna e outra com as bandeiras do Brasil e do Quênia. “Muita gente da cidade em que eu moro achava que eu era etíope e aí recebi a pulseira para mostrar que era brasileiro”, comentou.

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O fundista estava motivado por dar a primeira medalha de ouro para o seu clube de Ijuí (RS) e por competir no Estádio Olímpico Nilton Santos. “Em 2016, na Olimpíada, eu estava na arquibancada”, disse Daniel, que agora integra o Programa de Preparação Olímpica do Comitê Olímpico do Brasil (COB) visando os Jogos de Paris-2024.

Daniel Nascimento fez uma carreira com bons resultados nas categorias de base, em provas de cross country e em pista. É recordista brasileiro sub-18 dos 3.000 m (8:26.90) e dos 2.000 m com obstáculos (5:45.22) e sub-20 dos 10.000 m (29:13.34).

Nascido a 28 de julho de 1998, Daniel Nascimento correu sua primeira maratona em maio de 2021, quando venceu em Lima, no Peru, garantindo qualificação para os Jogos Olímpicos de Tóquio, com 2:09:04. Em 2021 também venceu os 10.000 m do Campeonato Sul-Americano de Guayaquil, no Equador.

Em abril de 2022 correu a quarta prova de 42,195 km da carreira, a Maratona de Seul, na Coreia do Sul, em 2:04:51, superando a marca de 2:06:05 que era de Ronaldo da Costa para bater os recordes brasileiro e sul-americano. Agora é o primeiro não-africano na lista dos melhores do mundo.

Wendell Jerônimo Souza (ACORR-MT), campeão pan-americano de cross country, ganhou a medalha de prata, com 29:28.88. Já André Luiz Silva Antônio (Praia Grande-SP), ouro nos 5.000 m,  levou o bronze com 29:53.95.

Na prova feminina dos 10.000 m, a vitória foi da noiva de Daniel Nascimento, Graziele Zarri (Pinheiros-SP), que foi a campeã com 33:49.83. Ela fica com a sua família por 10 dias em Cândido Mota, no interior de São Paulo, e depois volta para o Quênia, onde mora na cidade de Kaptagat. “Estou treinando para a meia maratona, mas corri bem os 10.000 m. Já havia corrido a Meia de Lisboa e em agosto vou disputar a Meia de Buenos Aires”, contou.

Desde janeiro morando na cidade que fica a 2.800 m acima do nível do mar, Graziele, que teve ótimos desempenhos nas categorias de base de cross country, disse que teve muitas dificuldades de adaptação nos dois primeiros meses. “Senti muita saudade de minha família, dos meus amigos, sofri com os efeitos da altitude. Tudo isso mexeu com a minha cabeça”, lembrou Graziele. “O Daniel me ajudou muito, assim como eu o ajudo. Ele é uma atleta de alto nível e ele me dá bronca, cobra meus treinos”, completou a atleta que recebe a planilha do técnico Clodoaldo Lopes do Carmo, que mora em Bragança Paulista.

Jenifer do Nascimento Silva (Pinheiros-SP) terminou em segundo ugar, com 33:51.12, e Maria Lucineida Moreira (Projeto Atletismo Campeão-PE) foi a terceira colocada, com 34:02.61. A cerimônia do pódio foi comandada pelo campeão olímpico Joaquim Cruz, que recebeu de surpresa, na sequência, um troféu de Atleta do Século da Atletismo Sul-Americana. Cruz não compareceu à festa de entrega no ano 2000. Agora, encontrado na CBAt, o prêmio foi entregue ao “dono”.

No lançamento do disco, prova que reuniu três representantes do Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2021, a campeã foi a gaúcha Fernanda Borges (AABLU-SC), com 60,92 m. “Não gostei da marca, mas vencer o Troféu Brasil é sempre importante”, comentou. “Tentei fazer o melhor e se conseguir ir para o Mundial do Oregon será consequência. Meu objetivo era a medalha de ouro.”

Izabela Rodrigues da Silva (IEMA-SP), líder do Ranking Brasileiro de 2022, com 63,04 m e finalista em Tóquio, ficou em segundo lugar, com 60,59 m, seguida de Andressa Oliveira de Morais (Pinheiros-SP), recordista sul-americana com 65,34 m, que terminou em terceiro, com 58,70 m.

Monique Varmeling (ADRA) venceu o salto em altura, com 1,83 m, e a equipe do revezamento 4×400 m misto da Orcampi levou o ouro, com 3:21.24.

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