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Vôlei

Opinião: viagens e lesões atrapalham, mas faltou algo

Divulgação/FIVB

A seleção brasileira masculina de vôlei ficou em quarto lugar na Liga das Nações, torneio que entrou no lugar da tradicional Liga Mundial, em que o time já foi campeão nove vezes. Ficar fora do pódio é algo que essa seleção não está acostumada, já que, desde 2001, isso só ocorreu outras três vezes.

A equipe teve dois problemas gigantescos: as viagens e as lesões. O time viajou mais de 60 mil quilômetros nas seis semanas de torneio, indo para quatro continentes e, no período, jogando 19 partidas. As lesões também atrapalharam. Na fase final, Renan Dal Zotto não pode contar com três ponteiros que foram essenciais nos últimos anos: Maurício, Lipe e Lucarelli, além de Rodriguinho, que poderia ser uma boa opção.

Assim, na semifinal e na disputa do bronze na Liga, a seleção foi obrigada a jogar com dois ponteiros que, apesar de serem muito bons, ainda são inexperientes na seleção: Douglas e Lucas Loh. E isso fez com que o jogo ficasse mais nos centrais e no oposto Wallace, diminuindo as opções para o levantador Bruninho.

Sem tempo de preparação, a final da Superliga, por exemplo, foi duas semanas antes do início da Liga das Nações, a seleção acabou usando boa parte do elenco em toda competição. Isso, claro, desgastou muito os principais atletas. A Rússia, por exemplo, só usou três de seus melhores jogadores, na fase final.

Mesmo com todos esses poréns, é bom ressaltar que a equipe deixou a desejar na Liga. Durante a competição, perdeu jogos para times “menores”,como Canadá, Bulgária e Argentina. Na fase final, fez uma das piores apresentações dos últimos anos ao cair para a Rússia sem chegar a 20 pontos em nenhum dos sets.

Mas, claro, não há dúvidas que esse time tem potencial para brigar lá em cima no Campeonato Mundial, competição mais importante do ano, que tem início em setembro. Com as possíveis voltas de Lucarelli, Lipe e Maurício, a seleção estará no status de um dos  favoritos ao título, ao lado, claro de pelo menos outros quatro times.

O problema é que ainda faltam dois anos para a Olimpíada. Se hoje a média de idade dos titulares da seleção é de 32 anos, em Tóquio 2020 será de 34. Isso assusta um pouco, pois os atletas vão ficando mais vulneráveis a lesões, como podemos ver neste fim de Liga. Com a provável chegada de Leal, cubano naturalizado, no ano que vem, fica uma equipe muito forte. Mas a questão de idade pode atrapalhar.

Neste século, a seleção chegou nas oito decisões mais importantes: quatro Olimpíadas- 2004/08/12/16- e quatro Mundiais – 2002/06/10/14. É um histórico invejável, mas que também pode trazer uma pressão para esse time. Mas, como os próprios jogadores costumam falar, é na pressão que essa equipe cresce.

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