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10 anos de Pequim: O dia que o Brasil fez amarelo virar ouro

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10 anos de Pequim: O primeiro ouro conquistado pela Seleção Brasileira Feminina de vôlei completa uma década. Confira a palavra de todas as jogadoras sobre a conquista!

Sábado, 23 de agosto de 2008, 9h da manhã, ginásio da Capital, Pequim. A decisão do Vôlei Feminino dos Jogos Olímpicos de 2008 colocava frente a frente o Brasil e os Estados Unidos. Apesar de ser a primeira final olímpica das brasileiras, o time entrou na partida como favorito. Favoritismo esse não só pela campanha na China, mas pelo que tinha feito durante a temporada de 2008, com o nível de jogo que havia apresentado.

Em uma campanha irretocável e quase perfeita, o Brasil venceu sete dos oito jogos por 3 sets a 0, passando por Argélia, Rússia, Sérvia, Cazaquistão e Itália, na primeira fase. Nas quartas, a vítima da vez foi o Japão. Na semifinal, o Japão. Todos os jogos sem ser superado em nenhuma parcial.

Em sua primeira decisão na história olímpica, a Seleção Brasileira começou com o mesmo ritmo, fechando o primeiro set em 25 a 15. No segundo, o primeiro revés em sets dos jogos, 25 a 18. A fama de amarelonas voltaria a tona? Não! A resposta veio com um 25 a 13 e a liderança no placar do duelo.

O quarto set começou nervoso, com os Estados Unidos liderando as primeiras ações, tentando abrir vantagem logo no começo. Contudo, o volume de jogo brasileiro logo apareceu. Foram sete pontos de Sheilla, quatro de Mari, quatro de Fabiana, quatro de Paula Pequeno e seis vieram de erros da equipe americana.

Com o placar em 24 a 21 para o Brasil, o último ponto começou depois de um saque de Fofão, o ataque americano acabou tendo defesa da própria levantadora. Sheilla arrumou como pode e Mari passou a bola para o outro lado. Novamente, com a chance do ponto, as americanas erraram na combinação e Logan Tom atacou para fora, fechando o jogo com um 25 a 21.

Quis o destino que o ponto do ouro fosse através de um erro, mas o ataque para fora só confirmou uma temporada quase perfeita da Seleção Brasileira feminino. Uma temporada que começou com uma derrota marcante. Uma temporada que passou por derrotas, por desconfiança, por dúvida, por muito trabalho. Uma temporada em que as meninas do Brasil conseguiram transformar o amarelo em ouro.

A fama de amarelonas

Tudo começou quatro anos e três dias antes daquela final de Pequim. 26 de agosto de 2004, na partida entre Brasil e Rússia, pela semifinal olímpica de Atenas. Quarto set, 24 x 19. A Seleção Brasileira feminina teve cinco chances de avançar para a decisão dos Jogos Olímpicos, pela primeira vez na história, mas não conseguiu fechar. Tomou a virada e acabou sua participação com o quarto lugar.

Nesse intervalo de quatro anos, além da derrota marcante na Olimpíada de Atenas, a Seleção Brasileira feminina de vôlei perdeu a final do Campeonato Mundial, também para a Rússia. Além dessa, sofreu o revés na decisão dos Jogos Pan-Americanos de 2007 para Cuba, no Maracanãzinho. Por conta desses resultados, aquele grupo acabou marcado como amarelão.

A temporada da Seleção Brasileira em 2008 colocava primeiro o Grand Prix e depois as Olimpíadas. Naquele ano, o Brasil começou com tudo. Já nos primeiros jogos, a equipe comandada por José Roberto Guimarães mostrava estar um pouco acima das demais. Conquistando o título, tendo perdido somente uma partida, em um total de oito sets em 14 jogos.

Mesmo com a conquista, a dúvida sobre a Seleção Brasileira e o que ela poderia fazer nas Olimpíadas de Pequim existia. Para algumas pessoas, o título do Grand Prix, principalmente pela forma como ele aconteceu, poderia ter sido a prova de que a equipe jogou tudo o que poderia no momento errado. “Pela forma como estávamos concentradas e queríamos um bom resultado em uma competição grande, nós sabíamos que poderíamos jogar mais”, disse Fofão.

A palavra das jogadoras e do técnico sobre a conquista

José Roberto Guimarães 

“Foi um ciclo muito pesado, muito complicado. Por tudo que aconteceu, por conta do jogo contra a Rússia em 2004, do 24 x 19, das derrotas no Mundial e no Pan-Americano, acabou virando um “time amarelonas”. O que me deixou muito feliz foi a forma como elas jogaram, com uma consistência muito grande, tomando mais de 20 pontos somente em sete sets e perdendo somente um durante as Olimpíadas de Pequim”.

“Foi um grande desafio, mas a forma como elas estavam bem juntas, como era o clima, com todas as jogadoras e toda a comissão técnica trabalhando visando para o todo. O time estava muito bem, com uma confiança, uma alto estima, uma segurança, tranquilo, o nível de jogo acabou surpreendendo todos e que acabou sendo sacramentado com o título olímpico”.

Fofão 

“Nós estávamos muito focadas, isso marcou muito. Todo time estava sempre junto, com a cabeça 100% nos jogos e nos treinos, isso foi uma marca de Pequim. Era a minha quinta Olimpíada, estava mais preparada, pronta para ser a jogadora que a equipe precisava”.

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“Era a Olimpíada da nossa vida, eu brincava com as meninas que o time precisava ganhar, não só por aquele grupo, mas pelo vôlei feminino brasileiro, porque era a hora de uma grande conquista, sabíamos que tínhamos potencial, mas sempre batia na trave. Nos jogos em Pequim, acredito que uma grande diferença daquele grupo era que o Zé Roberto podia colocar qualquer uma das 12 jogadoras como titular que nós não sentíamos a diferença, todas estavam no mesmo nível”.

“Lembro que antes da nossa semifinal o grupo todo se reuniu para assistir a outra partida, entre Cuba e Estados Unidos. Pelo que vinham fazendo, as cubanas eram as favoritas, mas as americanas venceram. Lembro que quando acabou o jogo todas nós nos levantamos e deu para sentir naquele momento que a nossa semifinal já tinha começado”.

Paula Pequeno

“O primeiro ouro olímpico foi extremamente especial. Um marco na nossa história. Nós vínhamos de uma algumas frustrações, inclusive no ciclo anterior, em Atenas. Eu, pessoalmente, tive uma lesão grave no joelho e lutei muito para me recuperar. Foi um momento especial para todas nós, que trabalhamos tanto e estávamos tão focadas na meta de conquistar a primeira medalha olímpica do vôlei feminino para o Brasil.”

“Entre minhas lembranças, no geral, posso citar a união do grupo. No vestiário, antes dos jogos, sentia uma energia muito bacana. Cada uma, a sua maneira, procurava se concentrar, ou conter o nervosismo e ansiedade. Mas todas sempre muito focadas no objetivo. E quando ganhamos, a explosão de emoções é indescritível.

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E como se não bastasse tanta alegria, ainda fui eleita a MVP. Foi até engraçado, pois foi nosso fisioterapeuta quem me avisou. Ele veio me dar os parabéns. E respondi, ‘parabéns para você também’. E quando ele insistiu em me cumprimentar, perguntei o por quê. Então ele me falou. Comecei a chorar e todos que estavam em minha volta fizeram a maior festa, pois sabiam da minha luta após a contusão.
Foi uma emoção muito forte, Só a medalha no peito era tudo o que a gente queria. E ainda veio esse lacinho em cima da caixa de presente”

“O diferencial daquele time foi o alto nível de comprometimento. Parecia que estava todo mundo em estado alfa. Um grupo muito concentrado, com respeito entre atletas e a comissão técnica. Todo muito ligado para não deixar escapar a nossa meta. Poucas vezes na minha carreira senti um grupo em tão grande sintonia”

Walewska

“Esse ouro foi construído por muitas jogadoras. Por muitos anos, elas se sacrificaram sem nenhuma estrutura para que em 2008 toda essa dedicação e persistência fossem coroados . Todas merecem ser lembradas através desse símbolo de Ouro.”

“Essa geração foi muito resiliente, soube esperar a hora certa. Caiu várias vezes, mas sempre teve força pra se levantar. Acho resiliência resume bem o que passamos antes da conquista”

Sheilla 

“Acredito que a grande diferença daquela olimpíada para as demais que eu participei foi que desde de o primeiro momento que eu pisei na Vila Olímpica dos atletas eu tinha certeza que nós iríamos ganhar o ouro. Acho que os momentos que mais me marcaram foram a semifinal, contra a China, que acabou tendo o ginásio completamente lotado e com a torcida participando e a decisão contra os Estados Unidos, que acabou resultando na nossa conquista inédita”.

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Fabi

“Lembro que antes de começar os Jogos Olímpicos eu perguntei para a Fofão como era estar em uma Olimpíada, mas ela só deixou claro que era uma experiência única. Quando eu entrei na vila foi como se estivesse dentro de um TV, acabei vendo ao vivo os meus ídolos”.

“Foram duas Olimpíadas incríveis que eu participei, mas Pequim teve a questão de ser a primeira, poder jogar uma final, representando gerações anteriores que eram excelentes, mas que não conseguiram a conquista”.

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“Muitas coisas em Pequim me marcaram. Foi um ciclo em que fomos muito contestadas, mas com isso nós conseguimos chegar muito forte mentalmente, preparadas para os jogos e o desafio. Lembro que a Fofão, no dia da semifinal, escreveu um bilhete para cada jogadora, dizendo que aquele era o nosso jogo, que estávamos preparadas para quebrar a barreira da semifinal e prontas para disputar uma final olímpica, que nós merecíamos estar na disputa do ouro.

Mari

“Pra mim foi a resposta de toda luta que tivemos e por tudo que passei em 2004, e no ciclo olímpico até chegar à vitória. Logo depois de 2004 tive que passar por uma cirurgia do ombro, sem saber se conseguiria voltar a jogar, sofri muito na recuperação mas não aceitei o fato que poderia encerrar a carreira ali, pela gravidade da cirurgia.
Nesse ciclo para Pequim o José Roberto Guimarães me pediu para mudar de posição, acabei passando para a ponta, mais um desafio aceito, ouvi críticas que não conseguiria passar em alto nível ou jogar na ponta em tão pouco tempo”.

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“Perdemos o mundial, para a Rússia, e o Pan de 2007 para Cuba e fomos taxadas de time amarelão. A cena de um time voando e sobrando em quadra foi o reflexo de muita luta, suor, trabalho e dedicação. Ali eu vi que tudo que passei foi um aprendizado e tudo que recebi foi a recompensa. Gratidão eterna por aquele grupo e aquela conquista”.

Thaisa 

“Tinha apenas 21 anos. Foi muita euforia e uma felicidade indescritível. Era tudo novidade. Achei tudo magnífico. Nem acreditava que eu iria disputar os Jogos de Pequim. Vivi um sonho. Quando entrei para bloquear no lugar da Fofão. Aí veio uma defesa e eu fiquei levantando. O levantamento foi para a Sheila e ela ficou sem bloqueio. Fintei geral. Nem simples foi, e ela fez o ponto. Acho que foi, de verdade, o início de tudo que construí até hoje”.

Carolina Albuquerque

“O foco foi o diferencial. Todo mundo muito concentrado. A gente só pensava em ganhar a Olimpíada, tanto, que fizemos poucas fotos durante a campanha na China. Depois, uma precisou ficar mandando o que tinha para a outra. Mas valeu a pena. Aprendemos a nos respeitar. Durante a fase de preparação, passávamos mais tempo entre a gente do que com a família. Uma conhecia a outra muito bem. E tudo valeu a pena. A sintonia era tanta. E a ansiedade tão grande, que ninguém dormiu na véspera da final, que foi disputada no período da manhã, em Pequim. Depois, foi só comemorar a conquista histórica”.

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“Voltando para casa, vimos, pela janela do avião, dois caças acompanhando a gente. O comandante da nossa aeronave abriu o som do rádio e os pilotos nos deram os parabéns. Todos os outros passageiros aplaudiram e foi muito legal. Foi quando começamos a sentir o peso na conquista. Na China, ficamos praticamente isoladas. Além da distância e não ter as mídias sociais como hoje, fazíamos treinos fechados e tudo mais. Quando eu conseguia falar com a minha mãe, por telefone, ela me dizia que o Brasil parava toda vez que íamos para a quadra jogar”.

Posts nas redes sociais das jogadoras desta semana 

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