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Olimpíada

Ana Moser relembra drama para ir à Olimpíada de Atlanta

Ex-atleta relembrou em live o que fez para se recuperar de uma lesão no joelho a tempo dos Jogos Olímpicos de 1996

A Olimpíada de 1996, realizada em Atlanta, começou em 1995 para Ana Moser. Em live no instagram das Dibradoras, a ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei relembrou da grave lesão que teve no joelho direito e do que fez para conseguir voltar a tempo dos Jogos. “Até cirurgias espirituais para acelerar o processo”.

Ana Moser sempre teve o esporte presente em sua vida. Quando criança, ainda em Blumenau, a ex-jogadora praticava outras modalidades, como atletismo, e o corpo passou a cobrar os excessos de forma precoce.

“Fiz atletismo dos 10 aos 14 anos e consegui algumas conquistas em âmbito nacional. O lado ruim foi que o corpo cobrou mais cedo. Tirei o menisco com 16 anos. Fiquei 10 anos jogando com um joelho sem ele e com 26 eu tive um quadro de artrose crônica”.

Além do problema crônico, Ana Moser acabou piorando a sua situação. No fim de 1995, ao saltar para atacar uma bola, a ex-ponteira torceu o joelho direito e acabou rompendo o ligamento cruzado. Isso tudo há pouco mais de seis meses da Olimpíada de Atlanta.

Em janeiro de 1996 Ana Moser realizou a cirurgia e o desafio estava lançado. A atleta tinha cerca de seis meses para se recuperar e tentar estar presente em sua terceira Olimpíada da carreira, Ana disputou as edições de Seul-1988 e Barcelona-1992. A saída encontrada foi usar tudo que podia para ficar clinicamente pronta para a competição em Atlanta.

“Mantamos uma equipe com fisioterapeutas e a saída foi ir atualizando o quadro dia após dia. Fiz tudo que dava, tudo que estava a disposição. Até cheirei pamonha e fiz cirurgias espirituais, várias vezes. Tudo para estar em Atlanta”.

De espírito recuperado

Ainda hoje uma cirurgia de ligamento cruzado do joelho leva de seis a oito meses para a recuperação completa do paciente. Contudo, com a ajuda que teve, Ana Moser quebrou recorde.

Cerca de quatro meses após o procedimento cirúrgico, ela estava em quadra novamente e dois meses antes dos Jogos Olímpicos voltou a disputar campeonatos pelo Brasil.

“Cinco meses depois da cirurgia eu disputei o torneio de Montreux. Na Suíça eu estava com cerca de 70% da capacidade física e nas Olimpíadas eu consegui chegar muito bem, fisicamente falando”.

A mudança pro pódio

Ana Moser participou de três edições de Jogos Olímpicos na carreira (1988, 1992 e 1996). Em sua estreia, o Brasil ganhou apenas um jogo e terminou em sexto lugar. Quatro anos mais tarde, em Barcelona, o cenário era totalmente diferente.

“Em 1992 era tudo diferente. Tínhamos muito mais estrutura, o time era bem melhor, mas o técnico (Wadson Lima) era ruim, o time era muito melhor que a preparação. As jogadoras conseguiam jogar mais do que em 1988 por conta do avanço do nível técnico dos clubes. Na Olimpíada nós só ganhamos de equipes que eram piores que a nossa. As que eram iguais ou superior tecnicamente acabamos perdendo e ficamos com o quarto lugar”.

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Para 1996 algumas coisas mudaram. Bernardinho assumiu, no começo daquele ciclo olímpico, o comando técnico da equipe e o nível dos treinamentos subiu. Além disso, a parte física da preparação subiu.

“Tudo mudou com o Bernardinho. Os treinos melhoram de nível e a preparação física passou a ser feita de uma outra forma. As vezes era um pouco demais, porque era feito o que o masculino fazia, mas foi um dos fatores que levaram a conquista da medalha”.

Derrota para as dores

Após a conquista da medalha olímpica, Ana Moser começou a sentir que estava perdendo para as dores em seus joelhos. Por conta do tempo dos treinamentos e a intensidade do impacto, os treinos da ex-jogadoras passaram a ser adaptados e ela percebeu que era melhor parar.

“Em 1999 eu percebi que as dores estavam me atrapalhando demais. Treinava cerca de 30 minutos com bola duas ou três vezes por semana e o resto de tempo era parte física. Eu não conseguia mais porque os joelhos ficavam inchados e tinha que parar”.

Com isso, a saída para Ana Moser foi escolher uma forma de parar. Com a Olimpíada de 2000 se aproximando, a ex-atleta decidiu ajudar o Brasil a se classificar para os Jogos Olímpicos e depois deixar as quadras.

“Eu decidi me preparar para disputar a Copa do Mundo, que classificava para a Olimpíada e parar. Não joguei todas as partidas, por conta do joelho, mas ajudei a seleção brasileira a ficar na terceira colocação, classificamos para a Olimpíada e eu parei”, finalizou a ex-atleta.

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