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Futebol feminino

Pia Sundhage, técnica da seleção feminina de futebol
Com Pia Sundhage no comando e Marta como destaque, Brasil quer terceira medalha da história no futebol feminino (Daniela Porcelli/CBF)

Tabela do futebol feminino – Jogos Olímpicos Tóquio 2020

O futebol é um dos poucos esportes que começam antes da abertura dos Jogos, marcada para o dia 24 de julho. A bola rola nos torneios masculino e feminino a partir do dia 22. A final feminina ocorre no dia 7 de agosto e a masculina no dia 8.

O TORNEIO DE 2020

Estados Unidos favoritos ao título do torneio feminino dos Jogos Olímpicos de tóquio 2020
Campeãs mundiais em 2019, as americanas entram como favoritas no torneio de futebol feminino dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2020 (USA Soccer)

A edição do futebol feminino nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 não contará com a tradicional e atual campeã olímpica Alemanha. A Noruega, país de forte tradição, que sempre foi potência no esporte e foi campeã olímpica, também está fora. Isso prova que o futebol feminino evoluiu muito e que novas forças devem surgir em Tóquio.

São doze os que se classificam para os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. Até agora, oito países já estão garantidos: Japão, Brasil, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Holanda, Suécia, Canadá e Estados Unidos.  Ainda é preciso decidir um representante da África (torneio de 5 a 10 de março), dois da Ásia (entre março e abril, se o coronavírus permitir), e um do playoff entre o Chile, vice-campeão da Copa América e o vice-campeão da África.

Novamente, os Estados Unidos chegam como o time a ser batido em 2020. Atuais campeãs mundiais e tricampeãs olímpicas, as americanas tentam apagar a fraca campanha que fizeram quatro anos atrás, no Rio. Com Megan Rapinoe, Alex Morgan e grande elenco, foram sólidas na Copa do Mundo e tem tudo para dar show em Tóquio.

Vice-campeã mundial, a Holanda quer o pódio em Tóquio 2020 (Fifa)

Quem deve incomodar as americanas em 2020 são as seleções europeias. A Holanda tem uma geração nova que joga muita bola. Em 2017, foi campeã europeia. No ano passado, só não venceu a final contra os Estados Unidos na Copa do Mundo. Contra as rivais europeias, leva vantagem em confrontos decisivos, tanto contra Suécia como contra Grã-Bretanha. Jogadoras habilidosas como Spitse, Groenen, Van de Sanden e Miedma devem ter destaque em Tóquio.

Suécia e Grã-Bretanha, semifinalistas da Copa do Mundo, também tem tudo para brilhar. A Suécia, além de tradição, só ficou de fora do mundial na prorrogação contra a Holanda. A atual vice-campeã olímpica contará com a atacante Sofia Jakobson como estrela. 

A Grã Bretanha tem que superar o trauma das semifinais. perdeu na Eurocopa em 2017 para a Holanda em 2019 para os Estados Unidos. A artilheira Ellen White promete dar trabalho às adversárias, assim como Lucy Bronze. Vale lembrar que quem chegou às fases finais da Copa do Mundo e Eurocopa foi a Inglaterra. Nos Jogos Olímpicos, quem disputa é o Reino Unido. O time poderá se reforçar com atletas da Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte.

Pia Sunghage
Pia Sundhage é o grande reforço do Brasil para a Olimpíada (Foto: Daniela Porcelli/CBF)

Em um degrau abaixo vem Brasil, Canadá e Japão. A seleção brasileira é comandada agora por Pia Sundhage. A treinadora vem dando um padrão tático à equipe que não existiu no passado. Vale lembrar que a ex-jogadora levou os Estados Unidos ao ouro de 2008 e 2012 e a Suécia à prata em 2016. O time tem jogadoras de talento que vivem boa fase na Europa e no Brasil. Sem falar que no elenco devem estar a maior artilheira da história dos Jogos Olímpicos e a maior jogadora da história da modalidade.Com boas condições físicas, o time pode surpreender.

O Japão, vice-campeão olímpico de 2012, sempre aparece bem. Na Copa do Mundo, caiu nas oitavas por 2 a 1 para a vice-campeã Holanda. O fator casa também deve auxiliar.

O Canadá venceu o Brasil na disputa do bronze no Rio em 2016. Tem a segunda maior artilheira da história (Christine Sinclair) e um time bastante encardido. Foi eliminado pela Suécia na Copa do Mundo nas oitavas de final.  

A Nova Zelândia não deve ir muito longe no torneio.

FORMA DE DISPUTA

Doze países, divididos em três grupos de quatro disputam a primeira fase do torneio de futebol feminino dos Jogos Olímpicos de Tóquio. Avançam para as quartas-de-final os primeiros e segundos colocados de cada grupo, além dos dois melhores terceiros colocados.

Na fase final, os times são divididos em duas chaves. De um lado, o vencedor do grupo E enfrenta um dos melhores terceiros colocados e o vencedor do grupo G enfrenta o outro melhor terceiro colocado. Os vencedores destas duas partidas se enfrentam na semifinal. Do outro lado, o vencedor do grupo F enfrenta o segundo colocado do grupo G e o segundo colocado do grupo F enfrenta o vencedor do grupo G. Os vencedores se enfrentam em uma semifinal.

O BRASIL NOS JOGOS

Tabela da Torneio das Nações de futebol feminino Jogos Olímpicos futebol feminino Tóquio 2020
Brasil ficou em quarto lugar na Olimpíada do Rio de Janeiro em 2016 (Divulgação/COB)

O Brasil tem tradição no futebol feminino nos Jogos Olímpicos. Em seis edições até hoje disputadas, figurou entre os quatro melhores por cinco vezes, ficando de fora somente em Londres 2012.

Na estreia em Atlanta 1996, o Brasil tinha um timaço, com jogadoras que abriram espaço para a rainha Marta ser o que é hoje. Nomes como os de Sissi, Kátia Cilene, Pretinha e a eterna Formiga fizeram o país ter grande torneio em Atlanta.  O Brasil fez uma grande primeira fase. Conseguiu se classificar em segundo para as semifinais em um grupo que contava simplesmente com as atuais campeãs e vice-campeãs do mundo à época ( Noruega e Alemanha), e mais o Japão, que havia eliminado o país no Mundial um ano antes. Na partida valendo vaga para a final contra a China, uma facada no peito dos torcedores. O Brasil vencia por 2 a 1 até os 37 do segundo tempo. Tomou o gol de empate aos 38 e o da virada no último minuto de jogo. Abaladas, as brasileiras acabaram perdendo a decisão do bronze para a Noruega

Quatro anos mais tarde, em Sydney, nova derrota nas semifinais e na decisão do terceiro lugar. Começava ali uma serie de resultados negativos contra os Estados Unidos.

Brasil conquistou a medalha de prata em 2004, resultado que se repetiu em 2008
(Ezra Shaw/Getty Images)

Em Atenas 2004, já com Marta e Cristiane e algumas remanescentes da geração de 1996, o Brasil fez bonito. Perdeu apenas para as americanas na fase de grupos e avançou em segundo. Nas quartas, goleada no México; na semi, duríssimo jogo contra a Suécia, com gol de Pretinha no segundo tempo que garantiu o time em sua primeira final olímpica. Na decisão, contra as americanas de Mia Hamm, empate no tempo normal; quando faltavam apenas 8 minutos para a decisão nos pênaltis, a americana Wambach destroçou corações verde-amarelos e deu o título às americanas. A medalha de prata foi a primeira do futebol feminino na história.

Quatro anos mais tarde, mais do mesmo: Com Cristiane e Marta liderando, o Brasil chegou até a final, novamente com as americanas. Após empate em 0 a 0, decisão na prorrogação e nova derrota dolorosa no tempo extra. Uma prata com gostinho de quero mais. Foi a segunda e até agora última medalha do Brasil.

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Em Londres 2012, a pior campanha do Brasil. Derrota nas quartas de final para o Japão, equipe forte que viria a ser vice-campeã olímpica. 

Quatro anos mais tarde, no Rio de Janeiro, o time chegou desacreditado e foi longe. Se classificou em primeiro lugar do grupo e encarou a Austrália nas quartas-de-final. Após uma dramática classificação nos pênaltis, o Brasil enfrentaria a Suécia, time que já havia goleado na fase de grupos por 5 a 1, mas que vinha se recuperando e acabara de eliminar os Estados Unidos nas quartas-de-final pela primeira vez na história. Em um jogo morno, empate em zero a zero e nova decisão. Com erros de Cristiane e Andressa, o Brasil novamente disputaria o bronze e acabaria derrotado, dessa vez pelo Canadá. A técnica da Suécia à época era Pia Sundhage, que comanda o Brasil neste ano. Na disputa do bronze, derrota por 2 a 1 contra o Canadá.

GRANDES NOMES

 Diferentemente do que ocorre no torneio masculino, no feminino, as grandes estrelas sempre disputaram os Jogos Olímpicos. Há portanto, várias das melhores atletas da história brilhar.

Mia Hamm foi um dos grandes nomes olímpicos do futebol feminino americano (USA Soccer)

Nomes internacionais Mia Hamm (EUA), Michelle Akers (EUA), Abby Wambach (EUA), Carly Lloyd (EUA), Christie Rampone (EUA), Hope Solo (EUA), Ann Kristin AArones (Noruega, (Linda Medalen (Noruega), Sun Wen (China), Homare Sawa (Japão), Birgit Prinz (Alemanha), são bastante conhecidos e marcam a história dos Jogos Olímpicos.

Somente quatro jogadoras americanas podem se dar ao lixo de dizer que são tricampeãs olímpicas no futebol: Shannon Boxx, Heather Mitts, Heather O’Reilly e Christie Rampone.

O Brasil também tem muitas jogadoras que entram no hall das melhores da história dos Jogos Olímpicos. Sissi, Kátia Cilene, Pretinha e é claro, a rainha Marta. 

Brasil x Canadá - Torneio Internacional da França
Cristiane é a maior artilheira do torneio feminino dos Jogos Olímpicos (Foto: A2M/CBF)

Nenhuma outra brasileira ou estrangeira tem mais gols em Jogos Olímpicos do que Cristiane. Com 13 gols, ela pode aumentar ainda mais a distância para a segunda colocada, a canadense Christine Sinclair, outra que figura entre as melhores da história do esporte. Marta tem 10 e é a terceira.

Não há como não deixar de mencionar a interminável Formiga. A polivalente jogadora tem seis edições de Jogos Olímpicos no currículo e a que tudo indica, deve disputar em Tóquio sua sétima edição de jogos, um fato que só somente outros 31 atletas na história dentre todas as modalidades conquistaram.

O FUTEBOL FEMININO NOS JOGOS

Os Estados Unidos são o grande nome da modalidade desde a sua introdução no programa olímpico, em Atlanta 1996, tendo conquistado quatro das seis edições disputadas, ficando fora do pódio pela primeira vez em 2016. Venceram o primeiro título disputado em casa em 1996, mas deixaram o bi-campeonato escapar quatro anos mais tarde em casa para a Noruega, país que teve uma grande geração de jogadoras na década de 1990. A partir de 2004 em Atenas, os Estados Unidos venceram três edições consecutivas, batendo duas vezes o Brasil na prorrogação em 2004 e 2008 e o Japão em 2012. A Alemanha ostenta 3 medalhas de bronze consecutivas de 2000 a 2008. Em 2016, finalmente conseguiu superar a barreira das semifinais e levou o ouro. Depois dos Estados Unidos, o Brasil foi o país que mais esteve entre as quatro primeiras colocações em todas as edições de Jogos Olímpicos.

QUADRO DE MEDALHAS DO FUTEBOL FEMININO

PaísOuroPrataBronzeTotal
1Estados Unidos4105
2Alemanha1034
3Noruega1012
4Brasil0202
5China0101
5Japão0101
5Suécia0101
8Canadá0022

VOCÊ SABIA?

  • Que o futebol é o único esporte coletivo dos Jogos Olímpicos que as regras para homens e mulheres são exatamente as mesmas?
  • Que o futebol é o único esporte coletivo dos Jogos olímpicos em que as competições começam antes da cerimônia de abertura?
  • Que a jogadora Marta tem mais gols pela seleção brasileira feminina do que Pelé tem pela masculina?
  • Que a cantora americana Britney Spears é uma grande fã de futebol? Ela chegou até a pedir aulas particulares para o ex-jogador inglês David Beckham
  • Que o Brasil (juntamente com os Estados Unidos) foi o país que mais conquistou medalhas no futebol, se somarmos todas as distribuídas nos torneios masculino e feminino?

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