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Tóquio 2020

Hugo Calderano vive a expectativa da volta da bundesliga

Treinando normalmente, Calderano fala sobre a expectativa pela Bundesliga, Jogos e desenvoltura em outros campos

Hugo Calderano venceu pelo Ochsenhausen na Bundesliga de tênis de mesa da Alemanha
Hugo Calderano defende o Ochsenhausen (facebook/Ochsenhausen)

Com a pandemia do coronvírus praticamente controlada na Alemanha, o brasileiro Hugo Calderano vive a expectativa da retomada da Bundesliga, a liga alemã de tênis de mesa. O time do brasileiro, o Ochsenhausen, de mesmo nome da cidade onde ele mora naquele país, está nas semifinais.

“Não está confirmado ainda, mas eles querem fazer no final de junho, daqui a um mês. Acho que todos os clubes estão querendo terminar a temporada, ninguém quer que ela seja cancelada. Como as coisas estão evoluindo aqui na Alemanha, acho que vai ser possível, mas agora é esperar e torcer para que eles organizem isso”, disse Hugo Calderano em entrevista feita durante uma live no Instagram do Olimpíada Todo Dia neste sábado (16).

Durante a quarentena imposta pelo governo da Alemanha, o brasileiro chegou a transportar uma mesa para o apartamento em que mora na cidade ao sul do país e que tem cerca de oito mil habitantes. Longe de um grande centro e com as autoridades afrouxando as medidas de segurança, ele retomou os treinamentos há mais de um mês, tanto é que parou de utilizar a mesa que levou para casa.

“A gente trouxe uma mesa para casa e ela ainda está aqui, porque foi difícil de trazer, mas não estou usando mais ela. Tem um mês que a gente conseguiu voltar, claro que tomando todas as precauções, com no máximo cinco pessoas no ginásio e ficando o mais distante possível um dos outros”.

Ele acrescenta que a partir da semana que vem, mais gente vai voltar a treinar no mesmo lugar, então todos serão separados em grupos para manter o máximo de cinco pessoas no ginásio. “Nosso técnico vai tirar a temperatura de todo mundo também”, acrescentou.

Com o calendário lotado de competições tanto defendendo o Ochsenhausen quanto a seleção brasileira de tênis de mesa, Hugo Calderano destacou a importância desse mês de treinamentos.

“Aproveitei muito bem esse último mês, que eu tive para treinar forte. No nosso calendário internacional, a gente não tem muito tempo para evoluir o jogo. É uma competição atrás da outra, um jogo atrás do outro. Então foi muito bom para mim e para o meu jogo esse mês de treinamento, mas agora todo mundo quer voltar para as competições”, afirmou.

O brasileiro, inclusive, destacou a forma com que a Alemanha combateu a Covid-19. Neste sábado (16), por exemplo, o país confirmou apenas 903 novos casos de contaminação. Mesmo assim, Hugo Calderano fez testes para saber se tem o coronavírus e está aguardando o resultado.

“A Alemanha controlou muito bem o vírus, agora já está bem reduzido aqui. Eles fecharam tudo e a gente precisou ficar em casa, só sair para ir ao supermercado. A Alemanha agiu de uma forma muito boa e responsável. Estamos vendo os resultados agora e as coisas estão ficando cada vez melhores”, afirmou.

Multiatleta e poliglota

Além de mesatenista, Hugo Calderano é ‘multiatleta’ e poliglota. Filho de professor de Educação Física, o carioca praticava atletismo e vôlei quando criança, além do tênis de mesa. Ele também se aventura no futebol e no basquete, fato que já demonstrou nas redes sociais.

“Eu gosto de jogar todos os esportes, principalmente os esportes que têm bola”, disse. O mesatenista ainda brincou ao ser perguntado em que posição atua quando jogava futebol com os amigos. “Eu corro o campo inteiro (risos)”.

Falando inglês, espanhol, inglês, alemão, francês e um pouco de italiano, Hugo Calderano mira novas línguas para aprender, entre elas o mandarim, que é o idioma ‘oficial’ do tênis de mês por conta do domínio chinês na modalidade.

“É uma língua mais difícil, mas vale a pena tentar também. Jogando tênis de mesa, tudo acontece na China. Seria uma grande vantagem poder falar mandarim”, finalizou.

Jogos Olímpicos de Tóquio

Sexto colocado do ranking mundial de tênis de mesa, Hugo Calderano é uma das esperanças de medalha para o Brasil nos Jogos Olímpicos de Tóquio, o mesatenista falou sobre a expectativa para o evento japonês.

https://www.instagram.com/p/CAQrJvXnHUd/

Como o Comitê Olímpico Internacional (COI) prevê limite no número de representantes por país nos Jogos, a China, grande potência do tênis de mesa, poderá entrar com apenas dois jogadores, sendo que tem quatro entre os cinco melhores do mundo. Deste modo, Hugo Calderano participaria como cabeça de chave número quatro em Tóquio se o torneio fosse realizado hoje.

“A China domina bastante o tênis de mesa. Então para a gente é bom que só tenham dois atletas do país. Espero chegar em Tóquio com chances de brigar por medalha. É meu grande objetivo. O mais importante é eu chegar preparado da melhor forma possível e focar no que eu posso fazer. Não posso controlar o que os outros atletas vão fazer na preparação e no jogo, mas posso controlar o que posso fazer e é nisso que vou focar”, disse, relembrando a Rio 2016, onde ficou em 9º lugar, como um dos momentos marcantes de sua carreira.

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“As duas vitórias nos Jogos Pan-Americanos, o bronze nos Jogos Olímpicos da Juventude foram marcantes. E o bom resultado nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. O Brasil inteiro torcendo. Não foi o melhor resultado que eu já tive, mas foi a melhor experiência”, disse.

Treinando normalmente, Hugo Calderano falou sobre a expectativa para os Jogos Olímpicos de Tóquio, retorno da liga na Alemanha e a desenvoltura para vários esportes, além do tênis de mesa

Hugo Calderano se garantiu na Olimpíada de Tóquio após conquistar a medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos. Além do individual, o Brasil vai participar do tênis de mesa no Japão com as equipes masculina e feminina, que venceram o Pré-Olímpico Latino. Principal nome da seleção, Calderano revelou uma decepção com o adiamento, mas ressaltou que era a única opção.

“Foi um pouco frustrante. Eu sabia que tinha uma possibilidade muito grande disso acontecer. Mas eles não tinham uma outra escolha ou alternativa com a situação que o mundo passava. Foi a decisão correta e vamos torcer para que tudo isso acabe o mais rápido possível para a gente pensar em Tóquio 2021”, afirmou, destacando o simbolismo que o evento pode ter para a sociedade.

+ Chefe da OMS quer Jogos representando vitória sobre a Covid-19

“Eu acredito que é muito difícil que os Jogos aconteçam da forma que deveriam. Mas estou confiante que eles vão acontecer. Ele vai unir mais o esporte e todo o mundo, porque a Olimpíada é um evento muito grande e depois que isso passar, vai ser uma sensação boa para todo mundo vivenciar os Jogos”, afirmou.

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