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Tóquio 2020

“Improvável”, diz chefe de comitê japonês sobre Jogos na primavera

Por mais tempo de preparação, Yoshiro Mori descarta Jogos no primeiro semestre; ideia agradava às Federações que queriam fugir das altas temperaturas do verão japonês

Yoshiro Mori descarta Jogos de Tóquio 2020 na primavera de 2021
Yoshiro Mori é o chefe do Comitê Organizador dos Jogos de Tóquio (Foto: AFP-JIJI)

Diante da possibilidade dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de Tóquio acontecerem na primavera do ano que vem, o presidente do comitê organizador, Yoshiro Mori, descartou a ideia e disse que a tendência é que o evento ocorra mesmo no verão japonês, entre junho e setembro.

Uma força-tarefa entre japoneses e o Comitê Olímpico Internacional (COI) foi criada com o objetivo de revisar o planejamento dos Jogos de Tóquio depois do adiamento em um ano por conta da pandemia do coronavírus.

“Quero oferecer algumas conclusões até o final da próxima semana, depois de refletirmos sobre tudo,” disse Mori em aparição na Nippon Television.

O chefe do comitê organizador indicou, no entanto, que não deve haver mudanças drásticas no período de realização da Olimpíada, que este ano estava marcada para acontecer de 24 de julho a 9 de agosto – e a Paralimpíada, de 25 de agosto a 6 de setembro.

“Os Jogos foram feitos para acontecer no verão, então devemos pensar em algo entre junho e setembro”, afirmou Mori, ignorando o fato de que algumas edições recentes do evento foram realizadas em meses com temperaturas mais amenas, como a própria Olimpíada de Tóquio de 1964, que aconteceu em outubro.

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Verão perigoso

A ideia de realizar os Jogos durante a primavera partiu de membros do COI e de federações internacionais preocupadas com as altas temperaturas que os atletas terão que enfrentar no verão japonês.

A média nos termômetros durante o mês de julho no Japão passa dos 35 graus e se torna perigosa para a saúde. Em 2019, por exemplo, 57 pessoas morreram em todo o país e 1.800 tiveram que ir para o hospital na capital. Em 2018, as temperaturas atingiram o recorde de 41,1ºC ao norte de Tóquio e provocaram, até o final de julho, mais de 80 mortes.

Os organizadores já previam o calor durante os Jogos, providenciando preparativos especiais para refrescar atletas e espectadores com sprays de gelo e água. Além disso, as provas de maratona e marcha atlética foram transferidas para Sapporo, cidade a mais de 850km da capital. Mesmo assim, o calor ainda era um fator preocupante para as federações.

Caso a Olimpíada fosse realizada na primavera os termômetros dificilmente passariam dos 30 graus. Para Mori, no entanto, a mudança é “improvável”. Existem problemas logísticos que impediriam a realização do evento durante os meses de abril a junho, como o tempo para garantir voluntários e montar eventos qualificatórios.

“É melhor se o tempo de preparação for o mais longo possível”, concluiu o chefe do Comitê Organizador.

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