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Mundial de Esportes Aquáticos

Seleção Brasileira treina em Gwangju para a estreia no Mundial

Equipe começa a competição no próximo sábado (12.07) e encara o torneio na Coreia do Sul como mais uma etapa na preparação para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2019

Satiro Sodré/rededoesporte.gov.br

A Seleção Brasileira de saltos ornamentais cumpriu, na tarde desta terça-feira (09.07), em Gwanju, na Coreia do Sul (madrugada de terça, no horário de Brasília), o terceiro dia de treinos no Centro Aquático da Nambu University, palco das disputas da modalidade e da natação no Mundial de Desportos Aquáticos 2019. O Brasil, que estreia na competição às 23h da próxima quinta-feira (11.07), no horário de Brasília, competirá em Gwangju com nove atletas (veja lista abaixo).

Nos saltos ornamentais, o Mundial 2019 distribuirá 12 vagas para as Olimpíadas de Tóquio 2020 em cada uma das quatro provas individuais – trampolim de 3 metros e plataforma, masculina e feminina –, além de três vagas para as provas de trampolim e plataforma sincronizadas.

“A gente espera chegar às semifinais”, resume Ricardo Moreira, um dos técnicos da equipe brasileira e também presidente da Confederação Brasileira de Saltos Ornamentais (CBSO). “Todos os atletas trabalharam para chegar às semifinais nas provas individuais e à final nas sincronizadas. Essa é a nossa expectativa”, completa o treinador, ciente do altíssimo nível da competição, que é uma prévia do que o Mundo deve assistir ano que vem, nos Jogos de Tóquio. “Todos os que vão estar nas Olimpíadas de 2020 estão aqui em Gwangju”, ressalta Ricardo.

Para os brasileiros, o Mundial é mais uma etapa na preparação para os Jogos Pan-Americanos de Lima 2019. No Peru, as provas da modalidade serão entre 1 e 5 de agosto e apenas os campeões no individual garantem vaga para as Olimpíadas. Por se tratar de um objetivo difícil de ser atingido, o país planeja classificar quatro atletas para os Jogos de Tóquio 2020 apenas em abril do ano que vem, durante a Copa do Mundo de Saltos Ornamentais, que também será o evento-teste da modalidade para os Jogos Olímpicos no Japão.

Experiência e juventude

A equipe brasileira na Coreia mescla muita experiência no time feminino com a nova geração da modalidade no masculino. Aos 38 anos, Juliana Veloso tem no currículo cinco Olimpíadas – Sydney 2000, Atenas 2004, Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016 –, cinco Jogos Pan-Americanos – Winnipeg 1999, Santo Domingo 2003, Rio 2007, Guadalajara 2011 e Toronto 2015 – e disputa em Gwangju seu quinto Mundial.

“Hoje vivo uma realidade completamente diferente”, diz Juliana, que mora em Orlando, nos Estados Unidos. “Sou mãe, divorciada e em um país estrangeiro. Tenho que trabalhar, treinar, cuidar da casa, cuidar dos dois filhos, então é uma realidade bem distinta da que tinha há alguns anos”, explica a atleta.

Ela conta que, em seus planos, se aposentaria após o Rio 2016. “Minha última competição era a Olimpíada do Rio. Depois disso, o objetivo passou a ser representar a Marinha do Brasil nos Jogos Mundiais Militares, porque achava que seriam em 2016, depois das Olimpíadas. Mas aí postergaram e não teve naquele ano”, continua Juliana, referindo-se à competição que será disputada este ano, em Wuhan, na China, de 18 a 27 de outubro.

“Acabou que me classifiquei para este Mundial no Brasileiro de 2018, em dezembro, e estou aqui. Meu objetivo é me divertir e fazer o melhor que posso. Eu sei das minhas condições de hoje em dia, sei que meus saltos não são de um grau de dificuldade elevado. Estou fazendo uma série com grau mais baixo, mas fazendo tranquila e me divertindo. É uma preparação para os Jogos Mundiais Militares, onde pretendo fazer saltos com um grau de dificuldade mais alto”, adianta Juliana, que em Gwanju disputa a prova do trampolim de 3 metros.

Na outra ponta está o brasiliense Luis Felipe Moura, que competirá no trampolim de 1 metro e no trampolim de 3 metros, tanto na prova individual, quanto na sincronizada mista, ao lado de Tammy Galera. Aos 16 anos, ele é o mais jovem do time nacional e disputa seu primeiro Mundial adulto. Na verdade, todo o time masculino é muito jovem, já que Isaac Souza tem 20 anos e Kawan Pereira, apenas 17. O trio é beneficiado pelo Bolsa Atleta do Governo Federal.

“Sou privilegiado por estar aqui, porque estou ao lado de grandes campeões olímpicos da Austrália, Grã-Bretanha, China, Estados Unidos… É sempre bom ter a oportunidade de participar de uma competição tão grande assim”, diz Luis Felipe.

O saltador, que treina no Centro de Excelência de Santos Ornamentais da Universidade de Brasília – UnB, um dos legados dos Jogos Rio 2016, começou na modalidade há seis anos, juntamente com a irmã no Gama, uma das cidades do Distrito Federal, distante cerca de 30 quilômetros de Brasília. Um ano depois, passou a treinar no CT da UnB e rapidamente ganhou destaque nacional no cenário juvenil.

Ano passado, Luis Felipe foi finalista no Mundial Juvenil, na Ucrânia, quando ficou em 11º lugar. Este ano, sagrou-se, no Chile, campeão sul-americano por equipe e ainda foi vice-campeão no trampolim de 1 metro, tanto no individual quanto no sincronizado.

“Aqui a estrutura é excelente, o ginásio, o trampolim, a plataforma, tudo é muito bom. Eu não esperava chegar a um Mundial adulto tão cedo, mas aí entra a questão da dedicação e do compromisso. Só quem está lá, treinando todo dia, sabe como é esse esforço. Disputei a seletiva para o Mundial, estava focado, acertei meus saltos, consegui o índice e estou aqui”, diz, com orgulho.

Também beneficiada pelo Bolsa Pódio, a carioca Tammy Galera, 28 anos, é a segunda mais experiente do time. Em 2016, ela disputou os Jogos Olímpicos do Rio e, na Coreia, parte para seu terceiro Mundial.

“Vou competir em três provas que não são individuais: o trampolim de 3 metros sincronizado misto, com Luis Felipe; o trampolim de 3 metros sincronizado feminino, com Luana (Luana Lira, outra atleta beneficiada com a Bolsa Pódio), com quem cheguei à final no último Mundial, em Budapeste 2017, e a prova por equipe, com o Isaac ”, enumera.

“Acho que fico até mais tranquila por saber que não estou sozinha. O individual sempre dá um pouco mais de pressão do que quando você salta com outra pessoa. O campeonato está bem forte, mas esse esporte é de muita concentração, de cabeça também. Não basta só estar bem tecnicamente. O inesperado pode acontecer”, disse a atleta, referindo-se à possibilidade de chegar novamente à final do Mundial.

Entenda os saltos

No Mundial de Saltos Ornamentais, o número de participantes varia de prova para prova, que são disputadas em plataforma (10 metros), trampolim de 1 metro e trampolim de 3 metros. Em Gwangju, a média deve girar em torno de 50 atletas por prova. Após a fase classificatória, 18 avançam para as semifinais e, desses, 12 disputam a final.

No feminino, cada atleta apresenta cinco saltos. No masculino, são seis. Nas provas individuais, os atletas só fazem saltos livres, ou seja, aqueles com alto grau de dificuldade. Durante a competição, todos devem fazer cada um dos seis grupos dos saltos ornamentais:

  1. Para frente: quando o atleta sai de frente para a piscina e roda para frente
  2. De costas: quando o atleta sai de costas para a piscina e roda para trás
  3. Pontapé à lua: quando o atleta sai de frente para a piscina e roda para trás
  4. Revirado: quando o atleta sai de costas para a piscina e roda para frente
  5. Parafuso: o atleta sai em qualquer sentido e, além dos mortais, executa um parafuso
  6. Parada de mão: trata-se de um grupo que só existe na plataforma. É aquele em que o atleta “planta uma bananeira” antes de partir para o salto

Os juízes avaliam todos os aspectos dos saltos, analisando a saída, a execução e, finalmente, a entrada na água. “A entrada na água pode ser entendida como um resumo do salto”, explica Ricardo Moreira. “Em geral, quanto menos água espirrar no contato com a água, mais a entrada foi bem feita e a pontuação deverá ser maior”, continua o treinador.

Há também a prova por equipe, que é diferente. Ela é disputada tanto na plataforma quanto no trampolim de 3 metros. Cada um dos dois atletas faz três saltos e o time tem que obrigatoriamente fazer três saltos na plataforma e três no trampolim, mas a quantidade de saltos na plataforma e no trampolim pode variar entre os atletas, de acordo com a estratégia de cada time.

Em Gwangju, por exemplo, o Brasil competirá na prova por equipe com Tammy Galera e Isaac Souza. Tammy fará dois saltos de trampolim e um de plataforma, enquanto Isaac fará o contrário: dois da plataforma e um do trampolim.

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