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Rúgbi

Esporte masculino? Minha filha faz o que quiser e joga rúgbi

Maria Lucia Futuro apoia a filha em tudo e sempre ensinou que o importante é fazer o que se gosta

Baby Futuro e sua mãe e família
A família Futuro reunida, com Beatriz (primeira à esquerda) e a mãe Maria Lucia, sentada, à direita (Arquivo Pessoal)

“As vezes perguntam se não tem perigo e a única resposta que eu dou é que deixei ela escolher entre duas coisas que eu queria que ela fizesse e eram parecidas: ballet clássico e rúgbi“. É assim que Maria Lucia define a escolha de sua filha Beatriz, a Baby Futuro, pelo esporte. Na família Futuro, não tem essa de “esporte masculino”. Para eles, o importante é fazer o que gosta.

Maria Lucia admite que a filha pratica uma modalidade pouco usual. Mas ela leva o fato com naturalidade e “vive” junto o que Baby, integrante da seleção feminina de rúgbi sevens decidiu fazer da vida.

 
 
 
 
 
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Pq a gente pode… #DiaDasMulheres #powergirl #womansday #brasilrugby #womaninsport #niteroirugby #timebrasil

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Paixão familiar

Mas por que o rúgbi? Se hoje a modalidade é uma das que mais ganha adeptos no país, há cerca de 20 anos, quando Baby Futuro começou a praticar, o cenário era bem diferente. A resposta está dentro de casa. Cristiane, terceira filha de Maria Lucia, foi quem trouxe o esporte para a família Futuro. Vendo a irmã treinar, se dedicar e competir, Baby pegou gosto e seguiu os passos.

A grande maioria das pessoas não acompanha o rúgbi regularmente. Quando se vê o esporte pela primeira vez, impressiona a quantidade de choques e derrubadas que acontecem durante um jogo. Não foi diferente com Maria Lucia. A mãe confirma que quando as filhas (primeiro Cristiane e depois Baby Futuro) começaram na modalidade, foi difícil parar para assistir o primeiro jogo.

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“Tinha muito medo dela se machucar e depois da Beatriz se lesionar também, mas com o tempo eu fui entendendo, me acostumando com as coisas, vi que não tinha tanta violência e mais impacto e que com a técnica elas conseguiam não se machucar”.

Ela pode ser tudo

“Mas é um esporte mais para os homens jogarem, tem muito contato, precisa de muita força”. Em algum momento da vida, em uma uma conversa sobre rúgbi você já ouviu isso. Não é diferente para Maria Lucia. Mesmo dando todo o apoio que pode e consegue para os filhos, a mãe de Baby Futuro já passou por situações em que algumas pessoas, até mesmo sem maldade e por desconhecimento, externaram esse tipo de fala.

Apesar de sempre levar as situações de forma bem humorada e com muitos sorrisos e risadas, Maria Lucia explica o que pensa sobre toda a questão. “Todos nós podemos ser o que quisermos. Todos. A Beatriz, meus outros filhos, meu marido, eu, todos podemos ser o que queremos. Não existe essa de esporte masculino, feminino. Tem menina jogando rúgbi e menino dançando ballet. Existem especificações que permitem tanto mulheres como homens a fazerem as mesmas coisas. Somos capazes de tudo”.

Há mais de 10 anos na seleção brasileira, Baby Futuro mostra, toda a vez que entra em campo, que acertou na sua escolha. Vendo a filha correndo pelos campos do Brasil e do mundo, Maria Lucia não esconde o dia que mais ficou marcada assistindo Beatriz.

“Quando eu vi ela marcar um try pela primeira vez do campo. A Beatriz correu o campo todo, de um lado até o outro e se jogou para marcar. Ali eu vi que ela estava feliz fazendo o que queria e bastava eu apoiar essa escolha”, contou.

Com Maria Lucia e toda a família dando força e o apoio necessário, Baby Futuro se manteve no alto nível do rúgbi brasileiro por mais de uma década. Ela já representou o país em diversos cantos do planeta, disputou competições internacionais, Jogos Pan-Americanos e uma Olimpíada.

Rugby > vestibular

“Mãe, não vou fazer esse vestibular. Tem o primeiro jogo internacional da seleção brasileira de rúgbi na mesma data e vou estar lá”. Se sua filha está na idade de tentar entrar em uma faculdade e ela lhe diz isso, o que você faria?

Maria Lucia ouviu isso de Baby Futuro. Quando perguntada sobre qual foi sua reação, ela é direta. “Quero minha filha feliz e sempre vou apoiar a busca dela para isso”.

Baby Futuro
Baby Futuro em ação pela seleção brasileira feminina de rúgbi sevens (Arquivo Pessoal)

Depois Maria assumiu que teve um choque, afinal era um vestibular. Mas ela perguntou para Baby Futuro o porque dessa decisão, afinal a escolha poderia interferir na vida da vida. A filha foi direta, deixou claro que sabia da importância do vestibular, mas comentou que via o jogo em questão como uma oportunidade clara de fazer história.

“Quando ela me explicou isso tudo foi um choque, porque eu não esperava. Mas deixou claro para mim que ela queria levar o Rugby a sério mesmo e para isso ela precisava do meu apoio, do meu marido, de todos da família e foi o que a gente fez”.

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