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Paralímpicos

Do jornalismo à paralimpíada, a trajetória de Israel Stroh

Medalha de prata na Rio-2016, Israel Stroh tinha uma carreira de jornalista pela frente, mas fez as escolhas certas e transformou-se em atleta paralímpico

Israel Stroh, tênis de mesa paralímpico (Flickr/CPB)

“Hoje estou do lado de dentro do jogo”. Antes do lado de fora das competições, o jornalista Israel Stroh cobria os eventos esportivos como cronista. Mas uma ida ao RH mudou sua vida por completo, transformando o em protagonista nas crônicas esportivas do tênis de mesa paralímpico.

Medalhista de prata na Rio-2016, Israel Stroh, 33 anos, contou sobre seu processo até virar atleta paralímpico e muitas outras coisas em live do Olimpíada Todo Dia. “Eu tinha uma carreira no jornalismo, mas consegui fazer boas escolhas diante das opções que me foram dadas. Sou um privilegiado.”

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Indignação e aceitação

Durante boa parte de sua vida, Israel Stroh não teve a real noção de que possuía uma deficiência que afetava seus movimentos. “Eu tinha isso como uma condição minha. Eu andava mais duro e só.”

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Mas tudo mudou quando uma chance de emprego surgiu para o então jornalista esportivo. “Eu tinha sido estagiário no “Lance” e eles me ligaram para fazer uma entrevista de emprego. A entrevistadora do RH falou que eu tinha chance de pegar uma das cotas para deficientes. Em pensamento, eu a xinguei”, brinca.

Precisando de trabalho, Israel aceitou a proposta. “Mas como eu queria essa vaga, eu guardei para mim essa revolta, e fui descobrir sobre a paralisia. E era real. É uma paralisia muito leve, moderada, mas que me permitia preencher essa vaga.”

Após um ano como setorista do Santos Futebol Clube, Israel, um apaixonado pelo tênis de mesa, modalidade que já tinha praticado desde os 13 anos, resolveu estudar quais seriam suas chances caso voltasse ao esporte.

“Fui pesquisar quem seriam meus adversários e tal. E vi que eu tinha chance de enfrentá-los. Foi aí que eu decidi voltar. Vamos ver se eu consigo mesmo entrar para o paradesporto.”

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E tudo aconteceu muito rápido. Em 2011 deixou de ser jornalista para ganhar sua primeira medalha como atleta paralímpico em 2012. “Logo no meu primeiro torneio internacional, eu já saí com duas medalhas de bronze. Subi muito rápido no ranking. Inclusive passei os jogadores que já eram da seleção.”

Israel Stroh, prata no tênis de mesa da Paralimpíada Rio-2016
Israel Stroh, prata no tênis de mesa da Paralimpíada Rio-2016 (Alexandre Urch/MPIX/CPB)

Trajetória

“Foi uma loucura”, diz sorrindo. “A gente está acostumado a ver esportistas virando comentaristas. Eu fiz o contrário. Saí da crônica esportiva e fui ser atleta de alto rendimento.”

Entre os melhores do país, o mesatenista foi evoluindo dentro do paradesporto e colhendo os frutos de sua escolha. Mas como em 2012 a lista para competir em Londres já estava fechada, Israel Stroh focou para competir na Rio-2016.

“Eu entrei nos Jogos do Brasil como o 12º do mundo. Mas eu sabia que tinhas resultados bons contra os verdadeiros protagonistas. Então me desprendi de preocupações, aproveitei as arquibancadas lotadas e dei o meu melhor.”

Em sua primeira participação paralímpica, Israel só parou na final e saiu da Rio-2016 com a prata no pescoço. “Na final, eu não consegui curtir tanto. Senti a emoção, senti o momento. Ainda assim, quase deu para ganhar.”

Ambição

Já classificado para a Paralimpíada de Tóquio-2020, Israel Stroh mira no ouro paralímpico e tem até uma superstição. “No ciclo para Rio-2016, eu caía sempre na semifinal. Tirando o Parapan, um nicho reduzido, mundialmente eu caía sempre na semi, mas na Rio-216 eu consegui alcançar a final. Para o ciclo Tóquio-2020, eu estou caindo sempre na final, quem sabe em 2021, a gente não dá esse último passo.”

Prêmio Paralímpicos 2016 - Israel Stroh, ex-jornalista
Prêmio Paralímpicos 2016 – Israel Stroh – Foto Fernando Maia/Mpix/CPB

Com quase 10 anos de experiência no tênis de mesa paralímpico, uma medalha de prata em Jogos e muita bagagem, o mesatenista, diferentemente da Rio-2016, agora estará como protagonista em Tóquio-2020.

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“A diferença é um Israel muito mais maduro, mais preparado para os problemas que irão surgir. No Rio, eu consegui usar muito bem o fator casa. O estímulo veio de um instinto, não foi algo preparado. Para Tóquio, eu não terei o fator casa, então tenho que chegar pronto para enfrentar todas as condições.”

E mais do que preparado, Israel Stroh vai usar o aprendizado como jornalista para identificar os momentos chaves das partidas que virão. “Como cronista, você acaba sabendo onde um atleta acabou perdendo ou ganhando uma partida. Agora de dentro, eu identifico esse momento e respondo da melhor maneira possível.”

Mas não ache que os tempos como jornalista acabaram. Israel garante que voltará a trabalhar com comunicação e que contará muitas histórias. Inclusive as suas.

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