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Tóquio 2020

Luiza Fiorese destaca evolução e sonha com as Paralimpíadas

Em live com o OTD, Luiza Fiorese contou como conheceu o vôlei sentado e revelou os esforços que está fazendo para estar nos Jogos Paralímpicos de Tóquio

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Luiza Fiorese conheceu o vôlei sentado em março de 2019 (instagram/luizafiorese)

Luiza Fiorese sonhava desde criança em ser uma atleta. Era a típica ‘joga tudo’ das aulas de Educação Física, mas decidiu focar no handebol como modalidade competitiva. Aos 15 anos, porém, recebeu a notícia de que tinha câncer. O sonho, então, parecia inalcançável. Só parecia, porque, atualmente a capixaba defende as cores da seleção brasileira de vôlei sentado e quer estar entre as 12 convocadas que vão disputar os Jogos Paralímpicos de Tóquio.

Em 2013, Luiza Fiorese teve um osteossarcoma no fêmur esquerdo e precisou substituir parte dos ossos da perna por uma endoprótese. A capixaba de Venda do Novo Imigrante não temeu pela vida em nenhum momento, mas ficou com medo de não poder voltar às quadras, conforme disse em live no Instagram do Olimpíada Todo Dia.  

“A minha primeira reação foi perguntar ao meu médico se eu precisaria parar de jogar. Quando se fala em câncer, as pessoas pensam muito em uma sentença de morte, mas eu nunca pensei que ia morrer. Isso nunca passou pela minha cabeça, acho que eu fui blindada de alguma forma pela minha fé”.

Após 10 meses de quimioterapia, Luiza Fiorese venceu o câncer, mas precisou abrir a perna mais quatro vezes por conta de uma bactéria. Com sequelas, a capixaba não poderia voltar a praticar o handebol. O sonho de se tornar atleta, entretanto, fora apenas adiado.

Convite para conhecer o vôlei sentado

Em 2018, um programa de televisão fez uma ação para promover o reencontro de Luiza Fiorese com a cantora Cláudia Leitte, que havia a apoiado na luta contra o câncer. A capixaba só não contava que Gizele Maria, líbero da seleção brasileira de vôlei sentado, estava entre os telespectadores.

“Quando a Gizele me mandou mensagem nas redes sociais, eu estava indo fazer uma cirurgia, então elas estavam muito lotadas. Não estava conseguindo ver todas as mensagens. Ela achou o telefone da minha mãe e ligou: ‘Eu não sei quem é você, mas eu preciso falar com sua filha’. Minha mãe disse que tinha uma mulher que joga vôlei sentado e quer te chamar para jogar”, contou.

Em live com o OTD, Luiza Fiorese contou como conheceu o vôlei sentado, exaltou o treinador José Antônio Guedes e mirou os Jogos Paralímpicos de Tóquio com a seleção brasileira
Luiza Fiorese foi a rainha da 38ª Festa da Polenta, de Venda Nova do Imigrante (Reprodução)

Neste período, a capixaba havia feito duas cirurgias e, em março, aceitou o convite para conhecer a modalidade. Além do retorno aos esportes, o vôlei sentado fez com que Luiza Fiorese deixasse para trás o estigma de ‘café com leite’, de pessoa intocável.

“Por mais que eu soubesse que eram cuidados dos meus amigos e da minha família, isso começava a me incomodar muito, porque eu não me sentia uma coitada. Eu sou a mesma, só tenho um probleminha na perna. Está tudo bem. Eu morria de saudades de ser tratada como uma pessoa normal, de estar inserida em um lugar que todo mundo é igual a mim. Me fez muito bem e me preencheu um vazio de ser atleta, de estar dentro de quadra”.

Sonho de ir a Tóquio

Após passar pelo Sesi-SP e treinar com um time masculino de Minas Gerais, Luiza Fiorese passou a se dedicar exclusivamente ao vôlei sentado a partir de janeiro deste ano, quando se mudou para Goiânia para jogar no time treinado por José Antônio Guedes, que também comanda a seleção brasileira.

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O treinador, inclusive, foi peça fundamental para Luiza Fiorese apostar todas as suas fichas na modalidade. A capixaba, que começou a cursar jornalismo em Minas Gerais justamente para se manter ligada ao esporte, sempre teve o sonho de ir para Tóquio, tanto é que planejava cobrir as Olimpíadas de 2020 como jornalista. “Larguei tudo, tudo mesmo.”

“Independente de Olimpíada ou Paralimpíadas, eu sempre tive o sonho de ir para Tóquio. Quando eu descobri que as Olimpíadas de 2020 seriam em Tóquio, pensei: ‘Não vou pagar minha formatura para ir a Tóquio cobrir as Olimpíadas como jornalista. E daí ouve um boom na minha vida, que foi quando o técnico da seleção me disse: ‘Você tem chance de ir para as Paralimpíadas. Você é uma menina alta, nova e tem condições de evoluir’. Quando ele disse isso, eu pensei: ‘É isso que quero para mim’. Foi quando decidi trancar minha faculdade e ir para Goiânia”, completou.

Evolução e desafio lançado

O adiamento dos Jogos Paralímpicos para 2021 faz com que Luiza Fiorese alimente ainda mais o sonho de ir à capital japonesa. Treinando com José Antônio Guedes, a quem rasga elogios, ela tem evoluído substancialmente e quer estar seleção brasileira, já classificada para os Jogos.

“O Guedes é uma pessoa extremamente competente no que faz. Ele tem realmente o poder de mudar uma atleta. Eu sinto a evolução de uma semana para a outra. Estou evoluindo muito com ele, foi a melhor decisão que eu tomei. Não tenho o menor arrependimento de ter largado minha vida e ter ido para Goiânia”, afirmou.

Apesar disso, Luiza Fiorese está atrás em relação às companheiras de seleção brasileira. A primeira convocação da capixaba foi em novembro do último ano, após os Jogos Parapan-Americanos. Diante desse cenário, ela entende se ficar de fora lista que vai as Paralimpíadas, mas traça metas ambiciosas para Paris 2024 e Los Angeles 2028.

“Estou dando tudo de mim, estou dando mais que 100%. Estou tentando fazer além do meu máximo. Estou estudando, lendo livros e vendo vídeos. Estou fazendo tudo que eu posso para estar entre as 12 convocadas, mas se não for possível eu também entendo, porque o nível das meninas é muito alto e eu cheguei no final do ciclo”, disse, projetando o futuro.

“Eu tenho o objetivo de ser MVP em Paris ou Los Angeles. Eu não penso baixo, não estou aqui para brincar. Eu realmente quero muito e vou treinar para isso. Está aí o desafio”, finalizou.

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