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Paralímpicos

Ao lado do filho, André Rocha inicia novo ciclo da carreira

Campeão Mundial e duas vezes medalhista Pan Americano no Paratletismo, André Rocha inicia caminhada no tiro esportivo com apoio do filho mais velho e almeja crescimento em 2020

André Rocha é reconhecidamente um dos grandes nomes do paratletismo brasileiro da atual geração. O taubateano de 42 anos coleciona hoje diversas conquistas nacionais e internacionais, com destaque para o título Mundial no Lançamento de Disco em 2017, e duas medalhas em Jogos Parapan Americanos (2015 e 2019), no Arremesso de Peso. São dezenas de quebras de recordes mundiais nas duas provas, e vários títulos em meetings nacionais e internacionais de paratletismo.

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Sem medo de se reinventar e já pensando na sequência da carreira, o policial militar reformado que se tornou um multicampeão nos arremessos e lançamentos, agora volta a empunhar uma arma. Mas longe de ocorrências e dos deveres da profissão que escolheu, André Rocha teve sua estreia oficial na modalidade que, segundo ele próprio, deverá ser seu território após se aposentar das pistas e campos de atletismo: o Tiro Esportivo.

No último fim de semana aconteceu no Rio de Janeiro, em Deodoro, o Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo Paralímpico 2019. André Rocha marcou presença e teve seu primeiro contato com uma grande competição da modalidade.

“A vontade de participar do tiro esportivo surgiu antes mesmo de eu iniciar no atletismo, em 2011. Pesou, no entanto, o fato do investimento inicial nessa modalidade ser alto e na ocasião eu não tinha condições. Por isso parti para o atletismo.”, conta André.

Por meio do Programa Esporte Para Todos, da Prefeitura de Taubaté, o paratleta passou a se dedicar ao paratletismo, com foco no Arremesso de Peso e posteriormente no Lançamento de Disco, sempre em parceria com o treinador Guto Nascimento.

“As coisas foram fluindo [no paratletismo], e acabei deixando esse plano do tiro esportivo de lado. Mas é uma modalidade que sempre me interessou. Sempre gostei dessa área e por ser militar me identifico com a prática. Minha ideia era migrar para o tiro após encerrar a carreira no atletismo, mas optei por antecipar essa investida, e vou conciliar as duas modalidades daqui em diante. Em 2020, continuo competindo normalmente no paratletismo, mas também disputando o Tiro Esportivo”, explica.

O paratleta já passou pela classificação funcional durante o Campeonato Brasileiro no Rio de Janeiro, e está na classe SH2 – para atletas que não conseguem sustentar a arma e precisam de um auxiliar para municiá-la, o “loader”.

É aí que entra uma parceria mais que especial, já que o “loader” de André Rocha nas competições será seu filho mais velho, Luis Rocha, de 20 anos. Soldado do Exército Brasileiro, ele terá como missão ser o braço-direito do pai, municiando a carabina de ar-comprimido que André utilizará nas provas.

“Essa parceria com o meu filho é sensacional e oportunidade única para nós dois de estarmos juntos no esporte. Agradecemos ao Exército Brasileiro, por meio do Cavex de Taubaté, que deu a ele a liberação para viajar sempre que houver uma competição. O fato de nos conhecermos muito bem ajuda na questão da confiança na hora da competição. Óbvio que teremos momentos tensos, porque o esporte é feito disso, mas é quando essa cumplicidade será um diferencial. Nós estamos muito felizes por ser uma nova etapa de nossas vidas.”, diz o paratleta.

Para André, uma das principais mudanças nessa migração para a nova modalidade será o fato de efetivamente ter de competir em equipe. “Venho do atletismo que é individual, é tudo com você na hora do “vamos ver”. Claro que tive enorme apoio do meu treinador e de toda a equipe, tanto em Taubaté quanto na seleção. Mas atletismo é individual e ponto final. No tiro o trabalho é o tempo todo em dupla e com 50% de responsabilidade para cada um. O “loader” participa da prova ativamente”, completa.

Nas competições em que estará já no próximo ano, André Rocha disputará duas provas: A R4, onde o atirador apoia o cotovelo em uma base de madeira, equivalendo a um tiro deitado no convencional). E a R5, onde o atirador não pode encostar o cotovelo nessa base, equivalendo a um tiro em pé.

A presença de André Rocha no Campeonato Brasileiro de Tiro Esportivo no Rio de Janeiro foi de grande importância, e destacada por ele como um primeiro grande passo para sua caminhada na nova modalidade.

“Além de passar pela classificação funcional, pude entender a dinâmica da prova, me familiarizar melhor com o equipamento e sentir esse novo ambiente de competição. Participei das duas provas e foi muito importante esse contato inicial. Tenho muito a aprender e crescer, são muitos detalhes técnicos nessa modalidade. Mas estamos no caminho certo. Meu equipamento é bom, estou tendo apoio e orientação de pessoas experientes, que vivenciam o tiro esportivo diariamente, como o paratleta do tiro Alexandre Galgani, que está classificado para os Jogos de Tóquio 2020, e o coordenador e o treinador da seleção brasileira de Tiro Esportivo.”, conta.

“Meu filho Luis e eu somos gratos a todos que estão nos dando apoio nesse início e estamos muito animados. Agradeço sempre à Prefeitura de Taubaté, pelo apoio por meio do Programa Esporte Para Todos, e ao Taubaté Shopping pela parceria nesses anos de conquistas. A agradeço também ao Federal Clube de Tiro e Caça, em Tremembé (SP), que está nos dando suporte. Agradecemos também ao Exército Brasileiro, que oficialmente deu liberação para o Luis me acompanhar nas competições. Nós dois, como militares, somos gratos e estamos muito animados. Já penso em obtermos bons resultados em 2020, quem me conhece sabe que sou competitivo e focado no que faço. Não será diferente no Tiro Esportivo.”, finaliza.

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