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Já comprou mais pano? Uma reflexão sobre o caso Dudu

Não era o esporte que tinha atletas como exemplo? Não era o esporte que ajudava a construir caráter? Temos que parar de passar pano

Reprodução / Twitter

O silêncio também é uma resposta e, provavelmente, esse seja o meu grande incômodo em casos de violência doméstica no meio esportivo. Existe aquela passada de pano coletiva, da imprensa aos “fãs” do envolvido.

Estamos em 2020 e a vítima ainda é colocada naquele ponto de interrogação imoral: o que será que ela fez para apanhar? Como se a violência sofrida fosse justificável.

Um ídolo do esporte, é, antes de qualquer título, um ser humano – que muito provavelmente já teve opiniões e atitudes duvidosas. Bem como eu e você. Ninguém está imune ao erro, mas estamos há bastante tempo errando feio como sociedade.

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O caso do Eduardo Pereira Rodrigues, o Dudu (atacante do Palmeiras), provavelmente vai ser, infelizmente, mais um entre os muitos casos de violência doméstica. Não foi a primeira vez, e talvez não seja a última.

O esporte, principalmente o futebol, não está preparado para ter aquela seria conversa sobre responsabilidade social.

São lindas e premiadas campanhas de marketing, com um detalhe que já não passa mais despercebido, os protagonistas geralmente colocam em cheque qualquer tentativa de construção de credibilidade. Ética, boa conduta e responsabilidade pelos próprios atos são, ou deveriam ser, itens inegociáveis em qualquer tipo de contrato.

A passada de pano é completa, afinal, uma carreira não pode ser destruída assim (sic). O saldo de gols entra na conta da credibilidade, não entra? (sic). A única imagem que fica é aquela dentro do campo…

Será mesmo?

O momento social que estamos vivendo pede revisão de valores e condutas. Não dá mais para passar o pano para o agressor, PRINCIPALMENTE no esporte. Não era o esporte que tinha atletas como exemplo? Não era o esporte que ajudava a construir caráter? Questiono porque nessas horas eu tenho duvidas desse “papel” e de usar argumentos que não só uso, como defendo. O esporte transforma, mas parece fraquejar quando atingido em cheio pela masculinidade tóxica.

Não é sobre o agressor, mas como o ambiente que esse agressor transita é protetor.

Precisamos urgentemente rever nossos ídolos. Dentro, e principalmente, fora das linhas.

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