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Os Olímpicos

O que cada federação precisa redefinir pros Jogos Olímpicos

Com o adiamento dos Jogos Olímpicos, os desafios para o governo japonês, para o COI e para o Comitê Organizador são imensos. São centenas (ou até milhares) de contratos para serem revistos, enormes gastos novos, inúmeras definições a serem tomadas, desde o que fazer com a Vila Olímpica, que já tem apartamentos vendidos, como serão os sistemas de qualificação entre outros.

A nova data já foi definida e será exatamente um ano após a data original, de 23 de julho a 8 de agosto.

Um Comitê foi criado para tomar as principais decisões e ele já está conversando com governo, patrocinadores, stakeholders (lembre-se que a NBC manda em muita coisa, já que pagou mais de US$ 1 bilhão) e com as federações internacionais, que vão precisar redefinir calendários, já que anos ímpares são tradicionalmente anos de mundiais.

Vou repassar aqui o que cada uma das federações precisa ponderar:

WA (antiga IAAF, atletismo) – Sebastian Coe, o presidente da WA, já admitiu que não há problemas em adiar o Mundial de 2021, que seria disputado na cidade americana de Eugene, para 2022, e já confirmou nesta segunda-feira o adiamento em um ano. Para a qualificação para os Jogos, só precisa definir novas datas de limite para obter índices e de fechamento do ranking mundial.

FINA (esportes aquáticos) – aqui está um dos maiores problemas do COI. O Mundial de Esportes Aquáticos de 2021 seria disputado na cidade japonesa de Fukuoka no fim de julho e precisará mudar. Segundo o Blog do Coach, há propostas para que ele seja transferido para o fim deste ano, trocando de lugar com o Mundial de piscina curta, que seria disputado em dezembro deste ano. Mas há quem acredite (como o próprio Coach Alexandre Pussieldi) que ele será cancelado e Fukuoka fica como sede de 2023 e Doha pega 2025, Kazan 2027 e Budapeste 2029. A FINA, assim como o WA, precisa definir a nova data de corte para índices na natação e as datas dos pré-olímpicos de águas abertas, nado artístico e pólo aquático e da Copa do Mundo de saltos ornamentais, evento-teste em Tóquio.

FIG (ginástica) – a princípio, a FIG tinha cancelado etapas da Copa do Mundo e alguns continentais, tanto na artística, como na rítmica e de trampolim. Com o adiamento dos Jogos, os critérios devem ser alongados pegando o circuito de 2020-21. Nenhuma das 3 modalidades olímpicas teria mundial este ano. Em 2021, Copenhagen receberia o de artística e Baku o de trampolim. Não teríamos mundial de rítmica, marcado apenas para 2022.

FIBA (basquete) – os pré-olímpicos masculinos e os basquete 3×3 devem ser remarcados para o ano que vem. Sem eventos mundiais para 2021, o maior problema será adequar o calendário com a NBA, que também está com sua temporada de 2019-20 atrasada. Dependendo do que for definido, podemos ficar sem os jogadores da liga americana nos Jogos.

FIVB (vôlei e vôlei de praia) – todas as vagas do vôlei masculino e feminino já estão definidas e os grupos já estão até fechados. Os mundiais de vôlei só serão em 2022, então a FIVB só precisa conciliar com a Liga das Nações. Já para o vôlei de praia, o fechamento do ranking mundial e as disputas da Copa Continental foram adiadas. O problem é ver o que fazer com o Mundial de vôlei de praia de 2021, marcado para Roma.

FIFA (futebol) – só faltam definir, no masculino, as duas vagas da CONCACAF e, no feminino, uma da Ásia e uma do playoff entre Chile e Camarões. O grande problema é com a UEFA, que adiou a Euro para 2021 e ainda tem marcada para 2021 a Euro feminina, originalmente prevista para julho. A Copa América também foi adiada para 2021.

IHF (handebol) – os 3 pré-olímpicos mundiais no masculino (Brasil compete) e os 3 do feminino já haviam sido remarcados para julho. Agora, devem ser jogados mais pra frente. É bem provável que a IHF mantenha os Mundiais de 2021. O masculino é em janeiro, no Egito, e o feminino apenas em dezembro, na Espanha, não conciliando com a nova data dos Jogos.

IRB (rugby) – só falta a disputa do qualificatório mundial, marcado para junho, que dará a última vaga no masculino (Brasil concorre) e as duas últimas no feminino, mas ainda não foi remarcado. A Copa do Mundo de Rugby Sevens só está marcada para 2022, na África do Sul, e não deve ser afetada. A IRB só precisará conciliar o circuito mundial com os Jogos.

FIH (hóquei na grama) – outra federação que está relativamente tranquila. Todas as equipes já estão classificadas para Tóquio e o maior problema deve ser a data do Europeu, marcado para agosto, em Amsterdã.

WBSC (baseball e softball) – O softball feminino já definiu as 6 equipes que disputarão os jogos, mas no baseball masculino faltavam ainda o pré-olímpico das Américas e o mundial final. O World Baseball Classic está marcado para março de 2021 e não deve bater com a nova data dos Jogos.

UCI (ciclismo) – todas as vagas na estrada e na pista já estão definidas. A UCI precisa definir as novas datas de corte dos rankings de mountain bike, BMX Racing e BMX Freestyle. Além disso, será que ela não alterará a data do ranking de estrada para ficar mais próximo dos Jogos? Sobre os mundiais, a UCI os organiza em todos os anos, mesmo em olímpicos. Além disso, o Tour de France está marcado para julho de 2021.

ITF (tênis) – será difícil reorganizar o calendário de 2020 da ATP e WTA, além da dificuldade de encaixar os 3 Grand Slams que faltam. Originalmente a data de corte do ranking era de 6 de junho e será jogada pro ano que vem. Agora será preciso também repensar no calendário de 2021 com os Jogos. Se os Jogos tivessem sido adiados para este ano, bem capaz que muitos tenistas desistissem, focando no circuito.

IJF (judô) – o ranking olímpico fecharia em 25 de maio, mas com o cancelamento de várias competições importantes, certamente será adiado, provavelmente por mais um ano. O Mundial de 2021 está marcado para Tashkent, no Uzbequistão, e agora vira uma grande dúvida.

WKF (karatê) – O ranking que define as 4 primeiras vagas de cada categoria fechou agora, mas ainda não se sabe se será prorrogado, provavelmente não, já que os classificados já foram anunciados. Ainda teremos um torneio pré-olímpico mundial. Diferente da maioria dos esportes, o Mundial de Karatê seria este ano, em novembro em Dubai, e não em 2021.

WT (taekwondo) – só faltavam os pré-olímpicos asiático e europeu. O Mundial de 2021 está marcado para a cidade chinesa de Wuxi.

UWW (luta) – restavam os pré-olímpicos da Ásia, África/Oceania, Europa e o Mundial, com 2 vagas para cada torneio para cada categoria. O Mundial de 2021 está marcado para outubro, em Oslo.

AIBA (boxe) – o pré-olímpico europeu havia começado na semana passada, mas foi interrompido após 3 dias de disputas. Além deste, o das Américas e o Mundial serão remarcados. O Mundial de 2021 será na Índia, ainda sem data.

ITU (triatlo) – o pré-olímpico de revezamento que havia sido remarcado para a Espanha foi adiado sem data e agora deve ser jogado pro ano que vem, assim como o corte do ranking mundial. Para a ITU, basta depois reorganizar o calendário com a Série Mundial.

IWF (levantamento de peso) – todas as vagas saem do ranking mundial, que agora será postergado. Será necessário rever as competições classificatórias para os Jogos e repensar o que fazer com o Mundial de 2021, que está marcado para Lima, no Peru.

BWF (badminton) – A BWF também precisará definir a nova data de fechamento do ranking mundial, que seria agora em 30 de abril, e ver se mantém o Mundial de 2021, que está marcado para novembro, na cidade espanhola de Huelva.

ICF (canoagem) – faltavam ainda os pré-olímpicos continentais de slalom (exceto da Oceania) e os de velocidade asiático, pan-americano, europeu e mundial. Também os mundiais devem ser alterados. O de slalom está marcado para Bratislava, na Eslovênia, em setembro de 2021 e o de velocidade para Copenhagen, Dinamarca, em agosto.

WR (remo) – as regatas qualificatórias das Américas, da Ásia/Oceania e da Europa e a regata final mundial serão realocadas. O Mundial deste ano em Bled, na Eslovênia, marcado para agosto, teria disputas apenas das provas não-olímpicas. Já o de 2021 seria disputado em setembro em Xangai e será alterado.

FIE (esgrima) – a data de fechamento do ranking deve ser alterada e todos os pré-olímpicos serão remarcados. O Mundial de 2021 estava marcado para o Cairo e deve ser remarcado.

WS (vela) – só faltam definir algumas poucas vagas continentais em algumas classes, o que não será problema para a Federação Internacional. Os mundiais são anuais, até mesmo para as classes olímpicas, e já tivemos este ano a disputa de quase todos em fevereiro, então tê-los em 2021, não é problema. O grande mundial de vela que reúne todas as classes olímpicas será apenas em 2022 nos Países Baixos.

WA (tiro com arco) – Para a World Archery, as definições serão sobre a Copa do Mundo deste ano e de 2021, além do Mundial de 2021, que seria disputado na cidade americana de Yankton. A etapa de Berlim deste ano valeria como pré-olímpico mundial e precisará ser trocada. Também devem ser realocados os pré-olímpicos continentais das Américas, da Oceania e da Europa.

ISSF (tiro) – só faltavam 2 competições classificatórias, ambas na Europa. A última vaga de cada prova sairia do ranking mundial, mas com o adiamento das etapas da Copa do Mundo, a data do fechamento do ranking será postergada. O grande mundial de tiro, que reúne todas as categorias adultas e juvenis está marcado para 2022, em Londres.

ITTF (tênis de mesa) – restavam ainda 5 pré-olímpicos: asiático, europeu, latino-americano, da Oceania e mundial, além das últimas vagas que sairiam do ranking mundial. Estava marcado para março (teria acabado neste último domingo) o Mundial por equipes em Busan, que foi adiado para junho e agora não tem mais concorrência com os Jogos. Já em 2021 temos a princípio o Mundial individual, marcado para junho em Houston.

WS (skate) – os mundiais deste ano, de onde sairiam as primeiras vagas, foram suspensos. O de street seria disputado em Londres e o de park em Nanjing, ambos em maio. O ranking mundial que definiria todas as outras vagas também foi suspenso.

UIPM (pentatlo moderno) – resta definir apenas as 3 vagas (por gênero) que serão disputadas no Mundial deste ano, que já foi adiado pro segundo semestre, e 8 (por gênero) pelo ranking mundial, que precisará de uma nova data de corte. Como há mundiais em todos os anos, até em olímpicos, a UIPM só precisa mexer no calendário. O de 2021 está marcado para Minsk, em Belarus.

ISA (surfe) – As últimas 5 vagas no masculino e 7 no feminino sairão dos Jogos Mundiais de Surfe, que estavam marcados para maio em El Salvador. A princípio, a ISA remarcou os Jogos para o início de junho.

IFSC (escalada) – restavam as disputas de 4 vagas continentais (Ásia, Oceania, Europa e África) em eventos a serem remarcados. O Mundial de 2021 está marcado para Moscou.

FEI (hipismo) – talvez a federação mais tranquila. Todas as vagas já estão definidas e os Jogos Equestres serão apenas em 2022. A nova data da Olimpíada só impactará a programação do circuito mundial, já que o transporte e a quarentena dos cavalos tem que ser levados em conta.

IGF (golfe) – o ranking que definiria as vagas olímpicas estava originalmente marcado para 22 de junho de 2020 para os homens e 29 de junho de 2020 para as mulheres. Outro problema, que deve tirar muitos dos grandes nomes dos Jogos, é que algum Majors de 2021 possa coincidir com a nova data dos Jogos.

Outros eventos que devem ser repensados após a definição da data dos Jogos são os Jogos Mundiais, que reúne apenas esportes não olímpicos e está marcado para julho, em Birmingham, Alabama, Estados Unidos, a 1ª edição dos Jogos Pan-Americanos da Juventude, marcados para junho em Cali, na Colômbia, os Jogos da Comunidade Britânica da Juventude (agosto em Trinidad & Tobago), os Jogos Asiáticos Indoor e de Artes Marciais (abril e maio, na Tailândia), os Jogos Mediterrâneos (junho e julho, na Argélia) e os Jogos Mundiais de Praia (sem data e local).

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