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Olimpíada

Qual o lugar do fã no ‘novo normal do esporte’ no mundo?

Em live do Fórum 360, Giba, Gilberto Ratto, Rodrigo Vicentini e Rogério Sampaio debateram sobre o espaço do fã nesse novo normal do esporte

A pandemia do coronavírus trouxe um novo cenário para o mundo. A retomada gradual e heterogenia, como vem sendo feita, traz muitas dúvidas sobre o futuro. Uma delas é qual será o papel do torcedor nesse novo normal do esporte. Segundo Rodrigo Vicentini, head da NBA Brasil, a mudança será grande. “O esporte será feito pelo fã”, disse, durante o Fórum 360 Live na segunda-feira (1º).

Poucos lugares retomaram o esporte de alto rendimento e competição após a pandemia. Alemanha e Coreia do Sul tiveram o retorno da liga nacional de futebol, contudo sem a presença do público e seguindo as recomendações de saúde de cada região e cada país.

Contudo, esse retorno em alguns países e a especulação de volta em outros teve como marca um fator: a ausência de público. Por conta das medidas de distanciamento social e evitando aglomerações, as arquibancadas de ginásios, estádios, quadras e piscinas pelo mundo estão vazias. Para algumas pessoas, a chave para a realização de grandes eventos esportivos está em descobrir o jeito que o fã se encaixará nesse novo normal.

Desafio em Tóquio

Apesar dos Jogos Olímpicos terem sido adiados para 2021, uma das preocupações ventiladas pela imprensa é de como será o tratamento com o público. Diferente de qualquer outro evento esportivo do mundo, Copa do Mundo de futebol e Olimpíada reúnem pessoas de todos os lugares do planeta.

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Por conta de sua periodicidade, assim como os atletas, os fãs também se preparam e se programam para estarem naquela cidade no período de dias determinado. Contudo, com a pandemia sendo tratada e evoluindo de maneiras diferente ao redor do mundo, como será o tratamento dado para as pessoas que irão para Tóquio em 2021?

Diretor geral do COB (Comitê Olímpico do Brasil), Rogério Sampaio admite que a principal preocupação dos organizadores, que ele tem conhecimento, ainda não é o público. Contudo, o ex-judoca não tem dúvidas que isso será levado em consideração.

“O público é algo muito importante para os Jogos Olímpicos e isso ainda não entrou no debate. O investimento do Japão na realização da Olimpíada é muito grande e isso será debatido. Essa organização (para receber o público) é desafiadora em todos sentidos”.

Para Giba, campeão olímpico em 2004 e presidente da Comissão de Atletas da FIVB (Federação Internacional de Vôlei), o fã é essencial para o esporte. “Eles fazem o espetáculo. Não existe competição sem o fã, a torcida. O jeito que o público vê o esporte vai mudar até que se encontre a vacina”.

Mas como será esse novo normal do esporte?

Diferente de outras profissões e carreiras, que estão conseguindo se adequar ao novo mundo usando muito do home office e das vídeoconferencias, o público no esporte já lidava com isso.

Apesar dos locais de competição completamente lotados, grande parte das pessoas já acompanhava os grandes torneios das mais diversas modalidades pela tv ou internet. Contudo, agora com esse projetado novo normal do esporte a questão é que as transmissões seguirão, com os locais completamente vazios.

Sem o som ambiente do público e consequentemente o calor humano presente, como fazer com que as pessoas em casa se sintam “dentro” do jogo? O campeonato alemão de futebol tentou colocar caixas de som com o barulho das torcidas nos jogos, por exemplo.

A NBA (liga de basquete dos Estados Unidos), que tem sua volta especulada para 31 de julho, pensa nisso. Uma das maiores marcas da maior competição da modalidade do mundo é a experiência do torcedor em seus jogos. Para os organizadores, a ida ao jogo é muito mais que somente para ver a partida e isso é uma das preocupações.

“A grande preocupação é entender essa volta. Já temos uma equipe dedicada tentando entender a nova experiência do fã, que é a nossa marca na NBA”, comentou Rodrigo Vicentini.

Processo diferente no Brasil

Diferente do que acontece em alguns países do mundo, em que o ápice da pandemia do coronavírus já passou, o Brasil tem um outro cenário. De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), o país não chegou ao topo da curva de infecção por conta da Covid-19 e é um epicentro do contágio.

Com isso, o pensamento aqui é feito na forma de preparação, projeções e comparações feitas com países em que a retomada do esporte já aconteceu. Segundo Gilberto Ratto, diretor comercial e de marketing da CBF, a entidade que cuida do futebol no Brasil tem acompanhado de perto tudo que envolve a retomada das atividades da modalidade no país. Contudo, a preocupação atual é se preparar para a retomada.

“A preocupação não é só durante esse momento, mas também com a volta. Essa volta, com os protocolos de saúde, vai ser custoso, vai ser caro. Teremos que fazer as competições em um espaço de tempo menor e temos que estar prontos”, finalizou.

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