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Olimpíada

Em sua maior edição, Jogos Escolares chegam ao fim em Natal

Competição tem mais de 5 mil atletas participando em 14 modalidades esportivas e foi monitorada por técnicos de seleções de base

Jogos Escolares da Juventude

A maior competição estudantil já realizada no país chega ao fim neste domingo (25). Organizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB) desde 2005, os Jogos Escolares da Juventude reuniram neste ano, pela primeira vez, as duas faixas etárias (12 a 14 e 15 a 17 anos) em uma etapa nacional que movimentou Natal (RN).

Números dos Jogos Escolares da Juventude

A competição levou esporte, educação e cidadania para cerca de 5 mil atletas/alunos de 2.157 escolas públicas e privadas do Brasil. Após as disputas em 14 modalidades, estão sendo realizadas as finais e premiações de basquete, handebol, judô e lutas.

Os números dos Jogos são grandiosos e podem ser comparados a uma edição de Jogos Pan-americanos. Além dos atletas e gestores das delegações, participaram ainda 464 árbitros, 220 voluntários, sendo 90 militares das três Forças Armadas – Exército, Marinha e Aeronáutica –, técnicos e observadores de oito confederações esportivas. Uma delegação convidada do Japão, com 25 integrantes, também participou da competição, em um intercâmbio com as cidades que receberão o Time Brasil nos Jogos Olímpicos Tóquio 2020.

No restaurante montado no Centro de Convenções de Natal, foram servidas mais de 83 mil refeições desde o início do evento, no dia 12 de novembro. Foram utilizados 16 hotéis e mais de 36 mil diárias contratadas. Para transportar todos os envolvidos, foram utilizados 60 carros, 29 vans, 85 ônibus e nove caminhões com sete toneladas de equipamentos.

“A cada ano que passa, os Jogos Escolares estão mais robustos e contribuindo de maneira crescente para a formação desses jovens. Cada vez mais os Jogos se consolidam como um dos principais objetivos no calendário de competições dessa faixa etária. Passaram por Natal muitos atletas que já integram as seleções nacionais da categoria e que competem nos principais circuitos internacionais em diferentes modalidades”, disse Kenji Saito, gerente-executivo de desenvolvimento esportivo do COB. “A gente acredita muito na importância do esporte como a contribuição que podemos dar a sociedade. E é dessa forma que seguimos cada vez mais motivados para poder oferecer o melhor possível para esses jovens”, completou Kenji.

Competição é monitorada para detecção de talentos

Em Natal, o COB e as Confederações Brasileiras Olímpicas mais uma vez montaram uma base de monitoramento com a participação de treinadores ou coordenadores das categorias de base, e até mesmo das seleções adultas, para a detecção de talentos para o esporte brasileiro. O objetivo do COB é avançar ainda mais e estabelecer um modelo sustentável para a detecção de talentos e desenvolvimento da base do esporte brasileiro.

Entre os 12 observadores que passaram pela capital do Rio Grande do Norte, alguns dos principais treinadores do esporte olímpico do Brasil, como Washington Nunes (treinador da seleção masculina adulta de handebol), Camila Ferezin (coordenadora de seleções da Confederação Brasileira de Ginástica), Ricardo Prado (medalhista olímpico de natação e coordenador geral da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) e Ángel Torres (treinador chefe da Confederação Brasileira de Wrestling), entre outros.

Graças a essa rede de descobridores de talentos, os Jogos Escolares da Juventude já revelaram vários atletas para o alto rendimento, como a campeã olímpica Sarah Menezes e a campeã mundial Mayra Aguiar, ambas do judô. Além delas, nomes como Hugo Calderano, Raulzinho, Ana Claudia Lemos e Leonardo de Deus, que integraram o Time Brasil nos Jogos Olímpicos Rio 2016, deram seus primeiros passos no esporte nos Jogos Escolares. Da delegação brasileira que participou dos Jogos Olímpicos da Juventude Buenos Aires 2018, no mês passado, 33 atletas entre 59 possíveis em 11 modalidades são oriundos da maior competição escolar do país.

Embaixadores de diferentes áreas e esportes

Outro elenco de nomes do esporte brasileiro marcou presença e dividiu as atenções dos participantes dos Jogos. Natal recebeu como embaixadores dos Jogos Daniele Hypolito (ginástica artística), Joanna Maranhão (natação), Ana Marcela Cunha (maratona aquática), Tiago Camilo e Duda Vaz (judô), Magnólia Figueiredo (atletismo) e Fabi Alvim (vôlei), além dos professores Carol Mendonça (língua portuguesa) e Rodrigo Sacramento (matemática).

“Eu fiquei muito encantada com tudo o que vi nos Jogos Escolares. É uma energia realmente diferente. É muito parecido com o que se vive em Jogos Olímpicos”, afirmou Fabi, ouro em Pequim 2008 e Londres 2012 com a seleção brasileira feminina de vôlei. “Se a gente, de alguma forma, puder inspirar através do esporte, essa é a nossa função. Quero contribuir para essa caminhada”, afirmou a bicampeã olímpica.

Além da revelação de talentos para o esporte olímpico brasileiro, o objetivo dos Jogos Escolares da Juventude é contribuir para a inserção social e o fortalecimento da cidadania de todos os jovens participantes, criando oportunidades para os alunos/atletas conhecerem novas cidades e culturas. O Programa Cultural e Educativo do evento, realizado em parceria com a UFRN e a Secretaria Estadual de Cultura, teve apresentação de grupos de dança, capoeira, folclore local e hip-hop, entre outras atrações.

No Centro de Convivência, montado no Centro de Convenções de Natal, os jovens contaram com um espaço criado só para eles, onde encontraram oficinas de bolas, com totó e tênis de mesa; exposição de uniformes do Time Brasil e itens olímpicos (medalhas e mascotes); lan house, biblioteca, clínicas esportivas (com basquete 3×3 e curling); estandes da ABDC (Autoridade Brasileira de Controle de Doping), ONU Mulher, Grupo Globo, entre outras atrações.

O programa de promoção dos Valores Olímpicos do COB também marcou presença nos Jogos, levando alunos de escolas municipais para interagirem com as atrações do Centro de Convivência. Além disso, a Operação Praia Limpa, em conjunto com a ONU Meio Ambiente, realizou uma ação de limpeza da praia de Ponta Negra, no último dia 22, com a presença da ativista ambiental Fe Cortez.

“Oferecemos às crianças uma série de atividades para estimular diferentes habilidades e a consciência para a importância de serem responsáveis em suas ações”, disse Kenji Saito. “Não podemos entender o esporte separado da educação, principalmente com todas as características sociais que o Brasil possui. O COB quer fazer a diferença na vida desses jovens, aliando cultura e educação com pequenas ações durante os Jogos”, completou o gerente-executivo do COB.

Cobri os Jogos Olímpicos Rio 2016. Trabalhei no apoio jornalístico das Copas do Mundo Fifa de 2014 e 2018. Documentarista de "O caminho suave". Outras produções fílmicas: "EstatiCidade", "Marcelo Rezende - contador de histórias", "Sala de estar", "Azul" e "A entrevista". Experiência na área de esporte e política, com passagens pela TV Band, Portal da Band e pelo Jornal Gazeta de Santo Amaro.

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